É importante que os idosos promovam rotinas que melhor desenvolverem competências físicas e imunitárias e manter uma vida agradável e saudável durante todo o ano. “ Active aging ” vs dependência Terceira idade e velhice passaram a ser termos que têm menos a ver com a idade cronológica. Hoje em dia, estão mais relacionados com o grau de dependência e de fragilidades adquiridas e com a menor ou maior capacidade de ter uma vida ativa. Torna-se importante distinguir este grupo, em que graus variáveis de dependência ou doença crónica implicam fragilidades adquiridas e recomendam condições específicas alimentares e de exercício físico, do outro grande grupo em que a idade tem cada vez menos importância. Neste último, procura-se, individualmente, o chamado “active aging” — a aquisição de rotinas de vida que promovam a manutenção de boa forma física. A importância da avaliação global O conceito de “check-up” tem dado lugar à avaliação global onde às rotinas médicas e laboratoriais se juntam a avaliação funcional, cognitiva e sócio-ambiental. A aproximação das estações do ano mais frias é uma boa altura para realizar uma avaliação global e detetar algum problema que necessite de correção ou alterar e melhorar o potencial individual. A avaliação global deve incluir: Avaliação do estado imunitário; Avaliação das suscetibilidades individuais; Estabelecimento de um programa de vacinas preventivo de infeções respiratórias próprias desta época do ano. Não se deve esquecer que nas pessoas mais frágeis e com doenças crónicas, as vulgares constipações e gripes podem tornar-se bem mais graves. Por isso, a melhor maneira de controlar as complicações continua a ser a prevenção . Dieta variada e exercício Recomendamos uma alimentação variada com muito peixe, legumes coloridos, fruta e um mínimo possível de sal e de açúcar. A hidratação é importantíssima : beber muita água é o melhor, mas outros líquidos podem servir, se não tiverem açúcar e álcool. O perímetro abdominal (o conhecido “pneu”) não traz só problemas estéticos. Atualmente, é considerado um dos principais fatores de risco a evitar, pelo que recomendamos a ingestão de poucas calorias e a realização de exercício físico suficiente. O exercício físico deve ser orientado e adaptado às capacidades individuais: lembre-se que já não está na fase dos campeonatos. Elasticidade, flexibilidade e alongamentos estão na ordem do dia. A musculação deverá ser quanto baste para manter o tónus muscular. O exercício físico deverá ser feito com regularidade e com a duração de, pelo menos, 40 minutos em cada sessão. Não esquecer a velha máxima: “mente sã em corpo são” — o exercício é um excelente antidepressivo. Aliás, o exercício é também intelectual e social : o isolamento é um dos grandes sinais precoces de velhice frágil. Outras atividades recomendadas: Ler; Jogar; Sair com amigos; Frequentar tertúlias; Frequentar clubes; Frequentar associações; Ir ao cinema. Estes são apenas alguns exemplos de atividades que poderá realizar. Tudo é bom e faz bem, não se isole . O nosso clima mesmo no inverno é ameno, aproveite. Porque não acompanhar a rentrée com um real regresso às aulas, à frequência de cursos, de formações em temáticas que sempre tenha querido fazer e para as quais nunca teve tempo? Crescimento da esperança média de vida Felizmente, a esperança de vida que rondava os 55 anos em 1950, anda agora perto dos 80. Quer isto dizer que vivemos mais anos e, graças às conquistas da medicina e das melhores condições de vida, cada vez com melhor qualidade. A antiga marca temporal que sinalizava os 65 anos de idade como a data em que se entrava na terceira idade, passou a não fazer grande sentido. De facto, cada vez mais pessoas com 65 e mais anos se sentem jovens e fazem uma vida com atividades profissionais, sociais e lúdicas em pleno. Autor : Manuel Caldas de Almeida Conheça a equipa de Medicina Geral e Familiar da rede Hospital da Luz Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.