No sistema reprodutor masculino há 3 estruturas principais atingidas por doenças nesta localização: Testículo. Epidídimo: canal que se localiza posteriormente ao longo de cada testículo, continuando-se depois no canal deferente. Cordão espermático: liga o testículo à cavidade abdominal e inclui o canal deferente e os tecidos que o envolvem. As doenças que atingem estas estruturas provocam sinais e sintomas que em muitos casos podem ser detetados por palpação . Por isso, o autoexame ou palpação testicular é útil para identificar alterações que contribuem para o diagnóstico precoce de potenciais problemas e para o sucesso do seu tratamento. Fazer o autoexame regularmente faz com que cada homem conheça cada vez melhor a sua própria a anatomia e passe a detetar qualquer desvio do normal com mais facilidade do que qualquer outra pessoa. Quando deve ser feito o autoexame do testículo? Esta avaliação do testículo realizada por cada homem deve ser feita: Uma vez por mês; A partir da adolescência; Em posição ortostática, ou seja, em pé; Durante ou depois de um duche quente, para o escroto estar mais relaxado e os testículos mais descidos. Pode ser realizada noutra ocasião que seja conveniente, o importante é que seja sempre em circunstâncias semelhantes. Como se faz o autoexame do testículo? A palpação testicular é feita individualmente, para o testículo esquerdo e direito. Examine cada testículo com as duas mãos; Segure o testículo entre os dedos indicador, médio e anelar (juntos) e o polegar de cada mão; Role o testículo e o epidídimo que lhe está aderente entre os dedos; É normal que: A palpação não provoque dor; A superfície do testículo seja regular e a sua consistência firme, semelhante à de um ovo cozido; Um testículo seja ligeiramente maior e/ou esteja mais descido do que o outro; Os testículos estejam mais descidos quando a temperatura é mais alta e mais junto ao corpo quando está frio, faz parte do mecanismo de regulação da temperatura que protege a produção e sobrevivência dos espermatozoides; Sentir o epidídimo na palpação, pois este que percorre toda a altura de cada testículo posteriormente; Sentir outras estruturas que são normais, com a prática passará a reconhecê-las melhor. Quando são detetadas alterações Procure sempre cuidados médicos quando num autoexame identifique alterações, para que a situação seja esclarecida. Aconselhe-se com o seu médico de família ou marque uma consulta de urologia . Qualquer irregularidade, nódulo ou endurecimento deve ser considerado anormal. No entanto, nem todas as alterações identificadas no autoexame significam doença. Muitas doenças que provocam alterações testiculares são benignas. Por vezes, especialmente quando ainda não há muita prática, as estruturas anatómicas normais são mal interpretadas e entendidas como alterações. Por exemplo, há casos em que a cabeça do epidídimo é mais saliente e está mais solta do polo superior do testículo e é interpretada no autoexame como um nódulo, sendo na verdade uma estrutura normal. As alterações identificadas no autoexame são sempre confirmadas primeiro pela palpação testicular realizada pelo urologista. Quase sempre é necessário também confirmar achados da palpação com estudo ecográfico, que em regra está acessível de imediato nos gabinetes de consulta dos urologistas. O tratamento a realizar depende do diagnóstico. Em alguns casos pode envolver cirurgia. Cancro do testículo e doenças benignas A principal doença que pode ser despistada no autoexame testicular é o cancro do testículo . Pela gravidade que pode ter, o pequeno esforço de fazer o autoexame regularmente é mais do que justificado. O cancro do testículo é uma doença rara, mas afeta principalmente os homens entre os 20 e os 50 anos de idade. Quando o cancro do testículo é diagnosticado precocemente, a sua taxa de cura é elevada, superior a 90%. Na generalidade dos casos, o cancro do testículo apresenta-se como: Uma irregularidade endurecida da superfície testicular; Um aumento endurecido do órgão; Um nódulo ou “caroço” localizado ou com envolvimento total do testículo. Há doenças benignas muito mais frequentes do que o cancro do testículo , por exemplo: Quistos no epidídimo ou no cordão espermático; Lipomas, que são tumores benignos de tecido adiposo (gordura); Varizes, que atingem quase exclusivamente o cordão à esquerda; Hidrocelo, que é uma acumulação de líquido no escroto e que pode traduzir-se pelo seu aumento de volume e por uma consistência mole e depressível ou pela perceção de estar globalmente duro. As doenças benignas eventualmente detetáveis na palpação testicular têm em regra uma localização extra-testicular. Tudo o que é intra-testicular é mais preocupante. O importante é diagnosticar problemas precocemente, porque o sucesso do seu tratamento é muito maior. Para isso, o autoexame testicular feito regularmente tem um papel decisivo . Autor : Carlos Guimarães Conheça a equipa clínica de urologia da rede Hospital da Luz. 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