Bullying é o termo que indica uma forma de violência sobre terceiros com base em comportamentos agressivos, intencionais e repetidos . Pressupõe que há um desequilíbrio de poder entre a vítima e o agressor, o que coloca a vítima numa situação de maior fragilidade. Tem como objetivo produzir sofrimento na vítima. Na maioria dos casos, o bullying acontece em jovens em idade escolar e está relacionado com o contexto escolar. É representado por diferentes tipos de violência : Física , por exemplo bater, empurrar, cuspir, entre outros; Verbal , por exemplo insultar, ameaçar, entre outros; Relacional , por exemplo excluir de um grupo, espalhar boatos, entre outros; Sexual , por exemplo toques indesejados, comentários ofensivos de cariz sexual; Homofóbico e transfóbico , que discrimina tendo por base o preconceito em relação à orientação sexual, identidade e expressão de género, revelar ou ameaçar revelar informações pessoais sobre a sexualidade da vítima, denegrir a imagem e fazer comentários ofensivos. O cyberbullyin g é uma nova forma de bullying que se refere à agressão / intimidação que ocorre por recurso a formas de comunicação eletrónica e pela internet . Envolve a publicação em redes sociais e chats, bem como o envio de qualquer tipo de mensagens eletrónicas, incluindo fotos e vídeos, com o objetivo de assediar, ameaçar ou prejudicar a imagem de uma pessoa. A Associação Portuguesa de Apoio Vítima refere que o impacto do bullying nas vítimas é variável, sendo agravado ou atenuado por um conjunto de características relacionadas com: A violência praticada; A própria vítima; A rede de apoio da vítima. Sintomas e consequências de bullying O bullying pode ter consequências visíveis e dar originar sintomas a vários níveis , como: Lesões físicas; Danos nos objetos e materiais pessoais; Sintomas psicossomáticos, como dor de cabeça, dor de barriga, tonturas, entre outros; Problemas de sono; Alterações de comportamento alimentar; Alterações do humor e do comportamento; Perturbações psicológicas, como ansiedade, depressão e fobia escolar; Isolamento social; Dificuldades em estabelecer relações com os outros; Continuidade de experiências enquanto vítima no futuro ou, em certos casos, como agressor; Violência autoinfligida, como comportamentos de automutilação, ideação suicida e tentativas de suicídio. Nem todas as crianças ou jovens vítimas de bullying apresentam os sintomas referidos anteriormente. Podem mesmo existir situações assintomáticas . Por outro lado, os sintomas também podem surgir numa fase posterior e ter consequências na vida adulta, nomeadamente, nas relações sociais e na capacidade de gestão de conflitos. Contar com os adultos A existência de laços e relações de confiança entre as crianças / jovens e os adultos é fundamental para que seja pedida ajuda . É muito importante que uma vítima de bullying relate o que se está a passar a uma pessoa adulta de confiança, para que possa ser protegida. Revelar situações de bullying é um ato de coragem; Ajuda a vítima e ajuda outras crianças que possam estar na mesma situação; Por isso, não pode ser mantido silêncio sobre estes problemas. Ajudar as vítimas, mas também agressores Em situações de bullying o foco está, naturalmente, na vítima e no impacto que as agressões causam na sua vida. Porém, quem agride também precisa de ajuda . A violência é uma forma encontrada pelos jovens para aliviar a dor de problemas pessoais. Expressam-se por isso através da sua hostilidade para com o outro. Abordar a situação do agressor apenas de forma punitiva, sem considerar as causas que levaram ao comportamento é, por isso, uma forma incorreta de lidar com quem pratica o bullying . Conselhos para os pais É angustiante saber ou desconfiar que um filho é vítima de bullying . Estas situações têm de ser geridas com sensibilidade de forma a minimizar o impacto negativo que podem ter . Nestes casos recomenda-se: Falar abertamente sobre o assunto com a criança/jovem; Ouvir atenta e calmamente o que criança/jovem tem para dizer, respeitando o seu tempo para o fazer; Apoio emocionalmente a criança/jovem; Não incentivar comportamentos agressivos em resposta, a violência não é a solução; Indicar á criança/jovem que atue com indiferença relativamente ao agressor, assumindo uma atitude de confiança e de assertividade; Aconselhar a criança/jovem a frequentar apenas locais com muita gente e a andar sempre acompanhado; Agendar uma reunião com o diretor/responsável pela turma ou o psicólogo da escola e relatar-lhe o problema e receios; Procurar a ajuda de um psicólogo ou outro profissional de saúde mental para garantir que a criança/jovem é devidamente acompanhada para que não desenvolva ou agrave algum tipo de ansiedade, trauma, ou outra perturbação psicológica. A psicologia pode ajudar tanto as vítimas como os agressores . A violência acarreta um conjunto de consequências para a saúde física e mental das crianças e jovens que se podem manifestar ao longo de toda a sua vida, tornando-o mais vulnerável ao desenvolvimento de perturbações psicológicas. É por isso que a Ordem dos Psicólogos Portugueses procurar sensibilizar para a importância do desenvolvimento de programas de promoção da saúde mental, com estratégias de prevenção, aumento da consciencialização sobre estes fenómeno e estímulo à tolerância zero. Alguns dados De acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura): Um em cada três alunos em todo o mundo foi vítima de bullying , com consequências arrasadoras para o seu desempenho escolar e saúde física e mental. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde): Cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano. O suicídio é a segunda maior causa de mortes entre os jovens na faixa etária dos 15-29 anos e o bullying pode estar relacionado. Em Portugal: No ano letivo de 2021-2022, a Polícia de Segurança Pública registou 2 847 ocorrências criminais de situações de bullying em contexto escolar, 1 169 das quais por agressões e 752 por injúrias e ameaças. Cerca de 31%-40% dos adolescentes portugueses, com idades compreendidas entre os 11-15 anos, confirmam ter sido intimidados na escola uma vez em pelo menos dois meses. Em 2023, este valor foi de 37%. Autora : Joana Morgado Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.