O cérebro funciona como uma rede elaborada de circuitos que comunicam entre si e que possuem capacidades especializadas e de aprendizagem. O cérebro não só é capaz de receber todos os estímulos captados pelos órgãos dos sentidos - visão, audição, olfato, sensibilidade, paladar -, como integra e interpreta esses estímulos . Possui funções específicas: Funções cognitivas (do latim cognoscere ), que nos permitem adquirir conhecimento. São estas, por exemplo, a memória, orientação no espaço e no tempo, aprendizagem, cálculo, linguagem, emoções, raciocínio. Funções executivas , como a iniciativa, capacidade de planeamento, controle de impulsos. As funções cognitivas são complexas. Por exemplo, temos vários tipos de memória: A memória episódica ou de eventos autobiográficos , que é a memória que podemos associar a um determinado evento; A memória de procedimentos , tais como andar, para os quais não temos consciência do momento em que adquirimos essas capacidades; A memória explícita ou declarativa , que é a pode ser declarada, tal como nomes, factos e acontecimentos e que pode ser episódica se estiver associada a eventos. É também do cérebro que partem as instruções motoras para os músculos do corpo para que seja gerada uma resposta adequada aos estímulos que recebeu e integrou. É o cérebro que controla as nossas ações conscientes , tais como andar, falar, saltar, mastigar, mas também as ações das quais não temos consciência, como respirar, o batimento cardíaco ou a regulação da temperatura corporal. O cérebro é o nosso órgão mais exigente? O cérebro é sobretudo um órgão frágil, que precisa de um fornecimento constante de energia e oxigénio e que embora controle e regule tudo o que se passa no nosso corpo também é, por sua vez, influenciado por ele. Quase todas as doenças sistémicas podem afetar o cérebro. Por exemplo: Um doente diabético que tenha o açúcar no sangue muito baixo ou muito alto pode entrar em coma porque o cérebro deixa de conseguir desempenhar as suas funções; Um doente com uma doença da tiroide pode ter alterações graves das suas funções cognitivas, assim como carência de vitaminas ou infeções graves. O cérebro regenera-se? Sabemos hoje que o cérebro possui alguma capacidade de autorregeneração. Por exemplo, existem zonas do hipocampo (a estrutura do cérebro ligada à aprendizagem e aquisição de memórias) que podem recuperar células depois de uma lesão. No entanto, a regeneração é uma das principais limitações no tratamento das doenças do cérebro. Este órgão frágil não regenera como acontece com outros órgãos do nosso corpo, por exemplo o fígado. O cérebro tem também mecanismos de autorregulação muito fortes que o protegem. Por exemplo, se houver uma interrupção do sangue que chega ao cérebro por segundos, como pode acontecer numa arritmia ou baixa súbita de pressão arterial, a primeira coisa que acontece é que o cérebro “desliga”: a pessoa desmaia (tem uma síncope) e cai, para que o coração fique ao nível do cérebro e a circulação se restabeleça. Autora : Sofia Nunes Oliveira Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.