Claúdio Ferreira Enfermeiro Coordenador da LUZ 24 Quando um corpo estranho contacta a superfície do olho provoca habitualmente bastante incómodo. A dor e desconforto, com sensação de picada ou arranhar no olho afetado , e a dificuldade em manter o olho aberto são os sintomas mais comuns. Lacrimejar e vermelhidão podem também acontecer. Os corpos estranhos nos olhos que se podem tentar remover sem ajuda profissional são aqueles que apenas contactam com a superfície do globo ocular , ou seja, não provocaram qualquer ferimento no olho. Estes corpos estranhos nos olhos são mais comuns por exemplo quando se anda ao ar livre em dias de vento, em zonas com poeira ou areia ou muitos insetos. São também muito frequentes nas crianças, se estas tocam nos olhos com as mãos com areia, poeiras ou outra sujidade. O que fazer Localizar e eliminar um corpo estranho de um olho pode ser tentado pela própria pessoa ou com a ajuda de outra, como é mais habitual com as crianças. A primeira coisa a fazer antes de mexer nos olhos é lavar bem as mãos com água e sabão em quantidade suficiente, durante 60 segundos, sem esquecer os espaços entre os dedos; Se usar lentes de contacto , deve retirar a do olho atingido; Para se conseguir observar bem o olho deve ser escolhido um local bem iluminado e estar de frente para uma janela ou para uma luz forte, tendo o cuidado de não haver sombras sobre os olhos; Localizar o corpo estranho Se for a própria pessoa a tratar-se pode usar um espelho. Depois, deve abrir bem as pálpebras , com a ajuda dos dedos, e movimentar o globo ocular de um lado para o outro até localizar o corpo estranho; Se o tratamento for feito por outra pessoa: É mais simples alguém identificar e retirar um corpo estranho no olho de outra pessoa se esta estiver numa posição mais baixa . Para isso, se necessário, a pessoa afetada pode, por exemplo, ficar sentada com a cabeça virada para cima ou deitada de costas. Com os dedos afastam-se as pálpebras e observa-se atentamente toda a superfície do olho, afasta-se a pálpebra inferior pedindo para olhar para cima e afasta-se a pálpebra superior pedindo para olhar para baixo. Eliminar o corpo estranho do olho É mais fácil tentar eliminar um corpo estranho se este tiver sido localizado. No entanto, se por alguma razão não se conseguir localizar, a operação de eliminação deve ser realizada na mesma. O corpo estranho deve ser retirado com água limpa e fria ou soro fisiológico . A água do chuveiro, usando um jacto com pouca pressão, pode ser uma opção. A água ou soro fisiológico devem ser deitados no olho de modo a escorrerem desde o canto interno, do lado do nariz, para o canto externo , passando principalmente no local onde está o corpo estranho (se este tiver sido identificado); Depois de uma primeira lavagem, endireitar a cabeça e fechar e abrir as pálpebras e observar novamente para ver se ficou resolvido; Se o corpo estranho ainda estiver no olho, repetir a operação mais duas ou três vezes. Se mesmo assim não ficar resolvido, fechar o olho, tapar com uma compressa, um lenço ou um pedaço de pano limpo e procurar ajuda médica. O que não se deve fazer Não esfregar ou coçar os olhos , para não correr o risco de provocar uma lesão mais grave; Não tentar retirar o corpo estranho usando lenços, algodão, compressas, pinças ou outros objetos; Não tentar retirar corpos estranhos que estejam (ou pareçam estar) presos no olho , situação em que deve ser procurada ajuda médica. Atenção A sensação de picada ou arranhar pode manter-se durante algumas horas depois do corpo estranho ter sido retirado. Se passadas 24 horas o problema ainda se mantiver , devem ser procurados cuidados médicos; Devem também ser procurados cuidados médicos se houver alterações da visão ou estiver presente um corrimento ocular viscoso e não translúcido . Se precisar, ligue para a LUZ 24 – 217 104 424 – o serviço de triagem clínica telefónica da rede Hospital da Luz, disponível 24 horas, 365 dias, para adultos e crianças. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.