Os doentes com epilepsia não parecem ter maior risco de contrair o vírus da doença COVID-19 nem de sofrer quadros mais graves de infeção por COVID-19 , quando comparados com a população em geral. Doentes com epilepsia não são considerados como imunodeficientes. Crises epiléticas não fazem parte dos sintomas da doença COVID-19. No entanto, durante a infeção por COVID-19 é muito frequente haver febre, e a febre é um conhecido fator que facilita a ocorrência de ataques epiléticos nos doentes com epilepsia. Tenho epilepsia e estou com COVID-19. O que devo fazer? É importante, se for infetado, que controle a febre com antipiréticos, anti-inflamatórios e medidas físicas para baixar a temperatura corporal, de forma a minimizar o risco de ter uma crise epilética. Se um doente com epilepsia tiver uma convulsão, os cuidados a ter são idênticos aos que teria normalmente: Manter o doente em ambiente seguro; Colocar em posição lateral de segurança; Não pôr nada na boca, nem alimento ou bebida, até à recuperação completa da consciência. Se as crises durarem mais de 5 minutos consecutivos ou se ocorrerem 2 convulsões sem recuperação da consciência entre elas deve ser contactado o INEM - 112; Se da convulsão resultar uma lesão que necessite de atenção médica (por exemplo, fratura, deslocamento do ombro, traumatismo craniano, entre outras) devem ser procurados cuidados médicos hospitalares. Cuidados a ter por quem tem epilepsia: Adotar medidas de contenção de contactos adequadas; Manter e cumprir impreterivelmente as terapêuticas em curso; Manter os hábitos de sono, especialmente evitar a privação de sono. Consequências da infeção por COVID-19 nas pessoas com epilepsia: Sintomas semelhantes aos da gripe (febre, tosse, dores musculares, cansaço, falta de ar), tal como na população em geral; A febre pode facilitar a ocorrência de crise epiléticas ou convulsões. Recomendações durante a infeção por COVID-19 Mantenha uma boa hidratação e controle a febre e dores com analgésicos e/ou anti-inflamatórios; Se ocorrer uma convulsão com complicações, contacte o INEM - 112; Siga as recomendações da Direção Geral da Saúde e da sua equipa de saúde; Esteja muito atento em relação à evolução dos sintomas associados à infeção por COVID-19. Se ocorrer agravamento clínico, contactar as equipas de saúde; Alguns dos medicamentos que se utilizam em contexto hospitalar para tratar as infeções graves por COVID-19 podem interferir com a medicação da epilepsia, pelo que é muito importante que, no caso de ter que ser internado, se faça acompanhar da lista da sua medicação atualizada. Autor : Martin Lauterbach Saiba mais sobre a equipa de Neurologia da rede Hospital da Luz . Clique aqui para mais informações e conselhos do Hospital da Luz sobre a epidemia pelo novo coronavírus COVID-19. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.