Da autoria do Gabinete de Coordenação Central de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos do Grupo Luz Saúde Infelizmente, o aparecimento de novas variantes do vírus SARS-CoV-2, como a OMICRON recentemente descoberta na África do Sul, não é algo de surpreendente e faz-nos questionar em que fase da pandemia COVID-19 nos encontramos: no fim do princípio, no princípio do fim, algures noutro momento? O que pode influenciar a evolução da pandemia de COVID-19? A evolução da pandemia está relacionada com diversos aspetos dotados de maior ou menor imprevisibilidade. Interação com outros vírus O modo como o vírus SARS-COV-2 interage com outros vírus respiratórios , como o vírus da gripe sazonal, o que se pode traduzir em termos de cooperação ou competição, respetivamente, potenciando ou reduzindo a gravidade dessas infeções é um dos fatores que pode afetar a evolução da pandemia. Duração da imunidade O modo e o tempo durante o qual as pessoas infetadas ou vacinadas mantêm a sua imunidade é igualmente algo que só vai sendo conhecido à medida que o tempo passa e as novas variantes surjam, sabendo-se de antemão que, tal como noutras doenças infeciosas, a imunidade não é total nem duradoura. Grau de vacinação O grau de vacinação da população, essencial para permitir uma proteção acrescida contra a doença grave e a transmissão viral, condiciona a existência de subpopulações vulneráveis e que podem funcionar como reservatórios ativos para a infeção ou reinfeção comunitária. Condições ambientais O clima frio favorece a transmissão do vírus, tal como acontece com outros vírus respiratórios sazonais. Variantes do vírus Não menos importante, é o aparecimento de novas variantes , cuja agressividade, transmissibilidade e resposta às vacinas atualmente existentes pode determinar a sua maior ou menor importância. Vacinas e medicamentos Novas vacinas estão na calha, com maior potencial de eficácia e maior cobertura das variantes, podendo também ser de administração mais simples e sem requerer a complexidade logística atual. Novos fármacos estão em desenvolvimento ou em teste para que possam ser utilizados no tratamento e na prevenção após a exposição a casos positivos, esperando-se com isso a redução da gravidade, da duração e das complicações a longo prazo, assim como a redução da transmissão viral. Qual é o impacto da variante OMICRON? Ainda é muito cedo para se perceber exatamente qual o impacto da variante OMICRON na evolução da pandemia. Em comparação com a variante DELTA, que é ainda largamente predominante, os dados atualmente disponíveis parecem apontar no sentido de uma maior transmissibilidade , associada à capacidade de infeção em pessoas vacinadas ou previamente infetadas com outras variantes. Assim, não é de surpreender que a OMICRON se venha a tornar a principal variante, com uma rápida disseminação por todo o Mundo, o que é evidenciado pelo galopante número de casos em diversos países. Um aspeto mais favorável é que a OMICRON poderá estar associada a formas menos graves de doença aguda, com menor necessidade de internamentos em geral, de suporte de oxigénio e de admissão em unidades de cuidados intensivos. As próximas semanas serão decisivas para que possamos compreender se este comportamento se manterá, ou seja, em que medida situações aparentemente benignas na fase inicial se complicam após duas a três semanas de evolução. E, para além da doença aguda, fica ainda por conhecer o impacto da OMICRON na doença de longa duração ( long-term COVID). Como prevenir a transmissão do vírus? Independentemente das variantes do SARS-CoV-2 que estejam em causa, os princípios gerais de prevenção da transmissão do vírus são os mesmos : Uso de máscara em locais fechados, sempre que são partilhados com quem não se vive habitualmente; Uso de máscara em locais abertos, sempre que não seja possível manter o distanciamento de segurança que proteja das gotículas emanadas pela fala ou tosse; Pausa profissional e do contacto social sempre que se apresentem sintomas respiratórios (não os desvalorizando) ou perda do paladar ou olfato até adequada testagem para o SARS-CoV-2 e avaliação médica; Pausa profissional e do contacto social sempre que exista um contacto de risco com casos positivos; Higienização frequente das mãos após contactar com superfícies de uso comum, tossir ou espirrar e contactar com a máscara; Redução do contacto social em momentos em que a máscara seja retirada, em particular na altura das refeições; Arejamento das habitações e outros espaços. Lembre-se também que deve continuar a contactar as autoridades de saúde através da linha SNS 24, tal como até agora. A importância da vacinação A vacinação contra a COVID-19 é uma das medidas preventivas mais importantes para a proteção individual e de grupo, mesmo com as limitações conhecidas. Embora já estejam documentados casos de reinfeção com a variante OMICRON, estes tendem a ser menos graves, provavelmente muitos deles sem sintomas, tal como acontece noutras infeções para as quais nos vacinamos. Os reforços vacinais são essenciais para a manutenção de um estado de defesa imunitário adequado, pelo que são fortemente aconselhados. As vacinas têm-se revelado seguras, com um número muito reduzido de efeitos secundários ou complicações importantes. O papel dos testes rápidos de antigénio A possibilidade que os testes rápidos de antigénio têm de ser realizados em larga escala ajuda a controlar a pandemia , através da identificação rápida de casos positivos para que sejam isolados, limitando o contágio . No entanto, é preciso não esquecer que estes testes, em particular os autotestes, têm uma probabilidade superior de apresentar resultados falsos negativos. Em regra, especialmente quando há sintomas possivelmente relacionados com COVID-19, um resultado negativo num teste rápido não permite excluir, por si só, uma infeção pelo SARS-CoV-2. Este resultado tem de ser avaliado junto com a restante informação clínica e com o enquadramento epidemiológico de cada pessoa. Assim, se tiver sintomas que possam estar relacionados com COVID-19 e tiver um resultado negativo num teste rápido deve manter-se atento, restringir contactos e reforçar as medidas de prevenção de contágio e repetir o teste rápido passados 2-3 dias ou procurar cuidados médicos. Mesmo que não esteja infetado por SARS-CoV-2, estas medidas ajudarão a prevenir o contágio de outra infeção respiratória que possa ter. Preparar o Natal e o Ano Novo antecipadamente A preparação do Natal e do Ano Novo deve começar desde já. Mantenha-se atendo às indicações das autoridades de saúde sobre a vacinação e reforços. Adote desde já medidas de proteção para diminuir a probabilidade de se infetar e ser portador do vírus ou de ficar doente nesta época: Use máscara como acima indicado; Evite proximidade nos momentos de refeição ou noutros momentos em que não esteja a usar máscara, mantendo o distanciamento possível, idealmente não se sentando frente a frente nem lado a lado com pessoas com que não coabite; Não desvalorize sintomas nem contactos com casos positivos; Cancele eventos que tenha programado se apresentar sintomas que possam estar relacionados com COVID-19 ou tiver contactado com casos positivos, mesmo que tenha um teste negativo; Proteja os mais vulneráveis, como os mais idosos, mantendo as máscaras colocadas até ao momento das refeições, reservando-lhes lugares à mesa com distanciamento adequado e de preferência não próximo de crianças ou outras pessoas que habitualmente não usam máscara. Dê a sua contribuição para que todos tenham um Natal e Ano Novo mais feliz e saudável! Fontes Kupferschmidt K, Vogel G. How bad is Omicron? New variant appears to evade immunity and shows signs of spreading more rapidly. Science 10 dezembro 2021. GOV.UK. COVID-19 response: Autumn and winter plan 2021 . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.