Da autoria do Gabinete de Coordenação Central de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos do Grupo Luz Saúde Vamos a caminho do final do terceiro ano da pandemia COVID-19 e, até agora, os dados oficiais são, em todo o mundo: Cerca de 634 milhões de casos e cerca de 6,5 milhões de mortes, um número seguramente muito subestimado face à realidade; Um pico de casos e de mortalidade ocorrido em 21 de janeiro de 2021, com 3848 mil casos e 16857 óbitos. Os dados referentes a Portugal apontam para: Um total de cerca de 5,5 milhões de casos, na posição 49ª lugar no total dos países e um total de 25209 óbitos. O pico de casos ocorreu em 27 de janeiro de 2022, com 69625; O pico de mortalidade foi atingido em 31 de janeiro de 2021, com 297 casos. Está bem presente na memória de todos o verdadeiro drama pessoal, familiar e da sociedade como um todo, causado pela pandemia de COVID-19 e algumas lições devem ser aprendidas para que o futuro seja diferente. Estamos hoje mais protegidos da infeção causada pelo SARS-CoV-2: Fomos ganhando defesas conferidas pela exposição ao vírus e, essencialmente, pela vacinação; Portugal tem uma das maiores coberturas vacinais, com cerca de 249 doses administradas por 100 habitantes, o que posiciona o país no 2º lugar europeu, apenas atrás de Malta, e entre os melhores do mundo. Contudo, tal como para as demais doenças infecciosas, a vacinação não é completamente protetora . O maior valor da vacinação está associado à redução da transmissão do vírus e à gravidade da infeção por ele causada. No entanto, no seu processo de adaptação e seleção natural, as variantes virais vão tendendo a escapar à imunidade, fenómeno cuja dimensão não é possível antecipar. O que se antevê? Apesar das condicionantes resultantes de uma muito menor testagem, nas últimas semanas observa-se uma tendência crescente de casos, o que é expectável face ao comportamento sazonal que o vírus tende a adotar, tal como acontece com outros vírus respiratórios, como o vírus da gripe. Por outro lado, a co-infeção entre esses vírus pode provocar situações cuja gravidade não é possível antever. Face ao aumento do número de casos e a um possível escape imunitário, organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) ou o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), alertaram recentemente para a necessidade da (re)adotar comportamentos seguros , como o uso de máscaras em transportes públicos e o adequado arejamento de espaços fechados, e para a necessidade de manutenção de estratégias de testagem que permitam estimar a atividade pandémica e a deteção precoce de novas variante s. É o caso da BQ.1, derivada da variante BA.5 da Omicron, a qual poderá vir a tornar-se dominante e cujo escape vacinal e subsequente gravidade e mortalidade são ainda desconhecidos. Que comportamentos seguros devemos adotar? O SARS-CoV-2 é um vírus respiratório. Como tal, é transmitido quando : Tossimos ou falamos, sendo neste caso a transmissão feita essencialmente por gotículas, partículas que se transmitem até 1,5 metros de distância; Espirramos, sendo a transmissão essencialmente por aerossois, partículas de muito pequena dimensão que se difundem no ar a longas distâncias. Estas partículas também podem permanecer nas superfícies por períodos de tempo variáveis, mas este não é o mecanismo principal de transmissão. Embora seja possível a transmissão quando não há sintomas, as pessoas que têm tosse ou espirros têm maior probabilidade de contagiarem aqueles com quem convivem. Por isso, as pessoas positivas para o SARS-CoV-2 , mesmo que legalmente não sejam colocadas em isolamento, ou que apresentem sintomas sugestivos de gripe ou constipação , especialmente se tiverem tosse ou espirros, ou dor de garganta, devem usar máscara sempre que estejam com outras pessoas , o que significa que não devem partilhar momentos de refeição ou outros momentos sociais com pessoas com quem não vivam na mesma habitação. Este aspeto continua a ser um dos mais importantes para a prevenção da transmissão viral nos locais de trabalho, transportes públicos e todas as demais áreas fechadas, incluindo restaurantes e a própria habitação quando se recebem visitas. Ainda, na mesma linha de atuação, mesmo que não esteja a utilizar uma máscara nos contextos acima referidos, sempre que tussa ou espirre, deve usar a face interna do cotovelo para conter a transmissão das partículas respiratórias , o que se designa por etiqueta respiratória. A adequada higienização das mãos com água e sabão ou com soluções antisépticas com álcool ou gel, após utilização de sanitários, depois de tossir, espirrar, mexer nas máscaras ou após tocar em superfícies de utilização comum, em especial ao chegar a casa, continua a ser uma das medidas mais importantes para a prevenção da transmissão dos vírus respiratórios, entre os quais o da gripe e o SARS-CoV-2. Em resumo, para um outono-inverno 2022-2023 mais seguro: Siga as recomendações das autoridades sobre a vacinação contra a COVID-19 e contra a gripe; Use máscara nas situações atrás referidas e sempre que tenha tosse e/ou espirros; Se for positivo para SARS-CoV-2, tiver febre, tosse e/ou espirros ou dor de garganta não partilhe momentos de refeição e outros momentos sociais com outras pessoas com quem não vive habitualmente; Lave as mãos com frequência. Apesar de toda a evolução favorável, a pandemia de COVID-19 ainda não terminou e os comportamentos adequados são a principal arma para combatermos a transmissão dos vírus respiratórios, incluindo o SARS-CoV-2. Referências European Centre for Disease Prevention and Control. Spread of the SARS-CoV-2 Omicron variant sub-lineage BQ.1 in the EU/EEA – 21 October 2022. ECDC: Stockholm; 2022. Our World in Data. Coronavirus (COVID-19) Vaccinations , consultado a 27 de outubro de 2022. World Health Organization. Disease Outbreak News (DONs) , consultado a 27 de outubro de 2022. Worldometer. COVID-19 coronavirus pandemic , consultado a 27 de outubro de 2022. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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