Baseadas no conhecimento científico que já existe sobre o comportamento do vírus SARS-CoV-2, as instituições médicas e as autoridades de saúde são favoráveis ao regresso de crianças à escola e às aulas presenciais. Saiba porquê e conheça as respostas de João Farela Neves às principais questões que inquietam os pais e mães, como Carolina Patrocínio. Pediatra João Farela Neves responde às dúvidas de Carolina Patrocínio Neste podcast Hospital da Luz fique a saber os conselhos da equipa de pediatria da rede Hospital da Luz para minimizar os riscos de covid-19 no regresso à escola. Google | iTunes | Spotify João Farela Neves Se as crianças tiverem sintomas associados à covid-19, as escolas sabem perfeitamente como devem agir , seguindo o plano de contingência baseado nas diretrizes da DGS . É feita uma chamada para a autoridade de saúde e uma chamada para o encarregado de educação. Se o caso for validado pela autoridade de saúde, a criança faz o teste e tem de haver isolamento de contactos. Apesar de poder causar alarme – porque vai acontecer várias vezes e porque as crianças costumam adoecer no inverno –, esta é uma parte que está muito bem definida e que penso que vai correr bem. A grande dificuldade que os pais vão sentir é o que fazer se o filho ficar doente em casa . É impossível distinguir uma gripe de uma infeção por SARS-CoV-2; é impossível distinguir num bebé de 12/14 meses uma bronquiolite de uma infeção por SARS-CoV-2. Neste caso, os pais devem procurar aconselhamento e é melhor e faz sentido envolver a linha SNS 24 nas decisões a tomar porque a escola vai exigir-lhes uma declaração médica. O que é claro atualmente de todos os estudos feitos é que a covid-19 é menos grave nas crianças – e isso não é discutível. Não quer dizer que não possa haver casos graves, mas é muito menos frequente do que no adulto. Além disso, o adulto é mais contagioso do que a criança – e isto é uma boa notícia porque na gripe acontece o contrário. Pedir a uma criança até aos 9/10 anos que use uma máscara é absolutamente contraproducente. Os miúdos não sabem usá-la e não conseguem mantê-la, mexem na máscara 50 vezes por minuto, tiram, põem, coçam o nariz – e isso, honestamente, é uma falsa sensação de segurança. Sublinho a total necessidade de as crianças voltarem à escola . Estou completamente de acordo relativamente às regras para os encerramentos das escolas serem muito reduzidos e limitados a casos particulares. A grande maioria das crianças dos 6 aos 10 anos ‘vive bem com o que tem’ e está bem, quer seja na escola ou em casa. Mas há outros que não e isto tem um impacto muito grande. O que se está a passar agora vai ter repercussões para as crianças e adolescentes. O 1.º ano, por exemplo, é um ano muito difícil e não vai poder ter o acompanhamento e suporte da família que tinha antes, pois os pais não podem entrar na escola – o que faz todo o sentido porque nesta doença quem faz a transmissão é o adulto. Compreendo pior as restrições quanto aos recreios e espaços comuns da escola, mas respeito. Os pais e as mães têm de manter o calendário de consultas de vigilância em pediatria. É fundamental. A opinião das autoridades médicas e de saúde É seguro voltar à escola? O risco será muito baixo se forem cumpridas as regras básicas de higienização, distanciamento físico e isolamento de casos. A Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), a Sociedade de Infeciologia Pediátrica e o Colégio de Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos emitiram uma declaração conjunta em que salientam que, ao contrário do que acontece na grande maioria das outras infeções virais, a infeção por SARS-CoV-2 tem causado doença menos grave nas crianças, comparativamente com os adultos. Além disso, nas crianças a incidência de covid-19 é menos e os sintomas ligeiros e transitórios, habitualmente de evolução benigna, sendo os internamentos e os casos mortais excecionais. De resto, o impacto positivo que a escola tem na vida de crianças e jovens – ajudando-os a criar rotinas e a desenvolver competências e papeis sociais – também não pode ser esquecido. As crianças são mais transmissoras deste vírus do que os adultos? Não. Do que se sabe até agora, há menor probabilidade de as crianças contraírem a infeção na escola do que na comunidade em que vivem. Por exemplo, os dados tornados públicos sobre as crianças internadas no Hospital Dona Estefânia (unidade de referência em Portugal para o tratamento pediátrico da covid- 19) indicam que mais de 50% foram infetadas por um familiar em casa. Os estudos já realizados em países em que as aulas presenciais recomeçaram há mais tempo concluíram, por outro lado, que os surtos escolares de covid-19 foram raros e que é maior a transmissão do vírus entre os profissionais adultos das escolas, sobretudo em zonas onde a transmissão na comunidade é elevada. Fontes: Sociedade Portuguesa de Pediatria, “Início do ano escolar 2020” Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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