Criopreservação de ovócitos significa conservação de ovócitos pelo frio e é conhecida vulgarmente por congelação de óvulos. A vitrificação é a técnica de criopreservação usada atualmente para conservar os ovócitos; Os ovócitos são mantidos a cerca de -200 o C , em azoto líquido, em equipamentos próprios; Os ovócitos conservados por vitrificação mantêm as características de quando foram colhidos ; Quando a gravidez é desejada, os ovócitos são descongelados e usados em fertilização in vitro , sendo depois os embriões implantados no útero da mulher. A criopreservação de ovócitos pode ser usada em várias circunstâncias, uma destas é o desejo de preservação da fertilidade quando se pretende adiar a gravidez . As mulheres que pretendam fazer criopreservação de ovócitos para preservação da fertilidade têm de seguir vários passos. Não há uma idade limite, mas quanto mais cedo melhor (até aos 38 anos idealmente), pois quanto mais tarde menor será a hipótese de gravidez; Também não há um número ideal, mas admite-se que por cada 10 ovócitos guardados poderão ser gerados 1 a 2 embriões. 1º Consultar um especialista em infertilidade Primeiro que tudo, uma mulher que pense preservar a sua fertilidade através de criopreservação de ovócitos tem de ter a certeza de que este é o caminho certo no seu caso e de que o seu estado de saúde é adequado para os procedimentos que serão necessários. Para isso, a primeira coisa a fazer é consultar um especialista da área , que em Portugal são os médicos ginecologistas subespecialistas em medicina da reprocução . Estes médicos são os profissionais que podem esclarecer as dúvidas e aconselhar sobre a melhor opção depois de: Conhecerem a história de saúde pessoal e familiar de cada mulher e as suas motivações; Fazerem uma avaliação num exame ginecológico; Analisarem os resultados de vários exames que é necessário fazer. Entre os exames pedidos incluem-se os que têm como objetivos: Determinar a reserva ovárica, que são análises hormonais (no sangue) e ecografia dos ovários; Despistar doenças infecciosas como VIH / SIDA e hepatite B. 2º Tratamento de estimulação ovárica Para obter os ovócitos para criopreservação, será necessário fazer um tratamento de estimulação ovárica. Este tratamento inicia-se no primeiro dia de um ciclo menstrual , que coincide com o primeiro dia da menstruação e marca o início da fase folicular de um ciclo menstrual. A fase folicular é caracterizada pelo crescimento e desenvolvimento de folículos ováricos e culmina na ovulação, mais habitualmente de um só folículo. O tratamento de estimulação ovárica é feito para que vários folículos atinjam simultaneamente o estado de desenvolvimento anterior à ovulação , fase em que são colhidos para conservação, aumentando assim o número de folículos colhidos para criopreservados no mesmo procedimento. Desta forma é também potenciada a probabilidade de êxito do tratamento e da utilização posterior dos ovócitos. Um tratamento de estimulação ovárica dura 10 a 14 dias. Consiste em injeções de vários medicamentos para: Promover o crescimento e desenvolvimento dos folículos; Prevenir uma ovulação prematura; Promover a maturação sincronizada dos ovócitos. Periodicamente são realizadas análises de sangue e ecografias ováricas para monitorizar os resultados do tratamento. 3º Colheita e criopreservação de ovócitos Ao tratamento de estimulação ovárica, segue-se a colheita de ovócitos. Este procedimento é feito por via vaginal sob sedação ; Para recolher os ovócitos é usada uma agulha própria ligada a um dispositivo de aspiração, cujos movimentos são orientados por ecografia; Em média, o procedimento não tem uma duração superior a meia hora; Não necessita de internamento , a alta é dada após um período de recobro que permite uma recuperação completa da sedação. Os ovócitos seguem para o laboratório onde são preparados para o processo de vitrificação. Passadas 24-48 horas a mulher pode retomar as suas atividades diárias normais. Riscos e complicações da criopreservação de ovócitos Como qualquer tratamento ou procedimento médico, também neste caso há riscos e complicações que apesar de não serem frequentes têm de ser conhecidos, entre os quais: Sintomas associados a síndrome de hiperestimulação ovárica, que pode ser um efeito secundário de alguns medicamentos usados no tratamento de estimulação ovárica; Problemas relacionados com a colheita dos ovócitos, como lesões de órgãos vizinhos (bexiga, útero, intestino, etc.), hemorragia, infeções, que acontecem em menos de 0,1% dos casos; A criopreservação de óvulos não permite garantir em absoluto uma gravidez futura. A taxa de sobrevivência dos ovócitos criopreservados por vitrificação é elevada, superior a 95%, mas muitos outros fatores podem afetar o sucesso da gravidez e que estão associados aos procedimentos de fertilização in vitro , implantação uterina e, naturalmente, às particularidades de cada mulher e, do lado masculino, a questões associadas ao esperma. Os hospitais da rede Hospital da Luz não fazem procriação medicamente assistida. No entanto, têm especialistas em ginecologia / medicina da reprodução habilitados para responder a todas as questões, fazer as avaliações médicas necessárias e aconselhar sobre o que cada mulher deve considerar nas suas escolhas sobre este assunto. Autor: Miguel Tuna Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.