Autores : Lília Mendes Ferraria e Nuno Silva A voz faz parte da nossa identidade, reflete a nossa personalidade, permite-nos comunicar com o mundo e aproxima-nos uns dos outros, mesmo de forma virtual. 16 medidas para proteger a sua voz Para proteger a voz, devemos ter cuidados específicos com ela, mas também com o ambiente a que a expomos e com os nossos hábitos de vida. Cuidados com a voz Hidrate-se: beba pelo menos 2 litros de água por dia; Evite falar alto e em ambientes ruidosos; Articule bem as palavras; Evite pigarrear; Faça repouso vocal: períodos de 15-20 minutos de silêncio, 2-3 vezes ao dia; Fale num tom de voz adequado, nem muito agudo, nem muito grave; Evite tensão nos músculos da face, pescoço e ombros. Cuidados com o ambiente Evite mudanças bruscas de temperatura; Evite ambientes com ar condicionado; Evite falar em ambientes muito secos. Hábitos de vida Não fume; Evite a cafeína e álcool; Evite bebidas muito frias e muito quentes; Faça uma alimentação equilibrada; Descanse corretamente; Mantenha uma postura correta. 16 exercícios para melhorar a voz Cuidar da voz é também exercitá-la. Faça estes exercícios regularmente: Faça movimentos de rotação dos ombros para a frente e para trás; Suba os ombros, mantenha-os em cima com força durante 10 segundos e deixe-os cair lentamente; Suba os braços em direção ao teto, mantenha-os nessa posição durante 5 segundos e depois baixe-os lentamente; Simule lentamente os movimentos para dizer sim, não e talvez; Faça a língua vibrar (TRRRRR); Faça os lábios vibrar (BRRRRR); Faça movimentos de mastigação exagerados com o som M; Produza continua e rapidamente os sons MÃ NÃ NHÃ durante uma expiração; Inspire pelo nariz, sustenha a respiração 2 segundos e deixe o ar sair pela boca; Inspire pelo nariz e expire a produzir o som SSSS até ter ar; Inspire pelo nariz e expire a produzir o som ZZZZ até ter ar; Inspire pelo nariz e expire a produzir o som FFFF até ter ar; Articule exageradamente os sons PRA TRA KRA e repita com todas as vogais; Faça gargarejos com água; Repita trava-línguas bem articulados; Boceje para descontrair. 16 verdades e mitos sobre a voz Quando a voz é muito usada diariamente, a rouquidão é uma consequência natural MITO Não é normal que a voz fique rouca ou cansada, mesmo quando usada frequentemente. Se isso acontecer, pode haver um problema nas cordas vocais devido a uso incorreto da voz. Todos os chás são benéficos para a voz MITO Nem todos os chás são benéficos para a voz. Os chás que contêm cafeína (como o chá preto, chá branco e chá verde) desidratam as cordas vocais, levando a maior esforço na produção da voz e consequentemente a perturbações vocais. Ter uma postura incorreta pode ter implicações negativas na voz VERDADE Uma má postura corporal pode influenciar a qualidade da voz devido à maior tensão nos músculos vocais, o que pode levar a um mau funcionamento das cordas vocais e, consequentemente, a alterações na voz. A alimentação influencia a voz VERDADE Há alimentos benéficos e prejudiciais à voz. Os efeitos dos alimentos sobre a voz são indiretos, uma vez que apenas o ar passa pela laringe e pelas cordas vocais. Têm efeitos benéficos : A água, que hidrata o organismo, incluindo as cordas vocais, fazendo com que vibrem melhor, o que diminui o esforço e aumenta o rendimento vocal. A maçã, que ajuda na limpeza da boca e da faringe, melhorando a ressonância da voz; o movimento de mastigar a maçã relaxa a musculatura responsável pela articulação das palavras. Têm efeitos prejudiciais : O café, refrigerantes, chocolate, alimentos gordurosos ou condimentados, que provocam azia e/ou refluxo faringolaríngeo levando à irritação da laringe e das cordas vocais. Quando se está rouco deve-se sussurrar para poupar a voz MITO O sussurro pode prejudicar a laringe pela tensão necessária para bloquear o som natural da voz. É preferível falar baixo e mais devagar, abrindo bem a boca. O tabagismo é prejudicial para a voz VERDADE O tabaco é uma das principais causas das lesões da laringe. Irrita os tecidos os seus tecidos levando a comportamentos prejudiciais à saúde vocal e aumenta a probabilidade de aparecimento de problema de voz, incluindo cancro da laringe. O consumo de álcool não influencia a voz MITO O consumo de bebidas alcoólicas em excesso leva a uma redução da sensibilidade da laringe, diminuindo o controlo da voz e aumentando a probabilidade de um abuso vocal. Além disso, potencia o refluxo faringolaríngeo causando irritação da laringe. A quantidade de horas que dormimos por noite tem influência na voz VERDADE Dormir poucas horas provoca cansaço, tanto a nível corporal como vocal, afetando a qualidade da voz. A voz não se altera com a idade MITO Tal como o nosso corpo se vai modificando, a voz também. Ao longo da nossa vida a voz muda com as alterações hormonais, anatómicas e fisiológicas. A voz também se altera com os estados emocionais. É natural um professor ser rouco MITO A rouquidão é um problema muito comum nos professores. Mas não é normal. A voz rouca ou cansada é sinal de um problema nas cordas vocais ou de uma utilização incorreta da voz. A voz que se ouve gravada é diferente da voz natural VERDADE Quando ouvimos a nossa voz no dia a dia, recebemos informações por via aérea (som da voz pelo ar) e por via óssea (pela vibração dos ossos do corpo). Quando ouvimos no gravador apenas recebemos informação por via aérea. Esta é mais próxima de como os outros nos ouvem. Algumas doenças afetam a voz VERDADE A perda da voz ou a voz rouca podem ser sintoma de um problema saúde mais grave, como a doença de Parkinson ou a depressão. Nem sempre um problema de voz tem sua causa nas cordas vocais. Rouquidão pode ser sinal de cancro VERDADE O cancro de laringe geralmente tem como sinal uma rouquidão, que dura mais de 15 dias. Por isso, uma rouquidão prolongada deve ser ser avaliada por um médico otorrinolaringologista. É preciso pigarrear para “limpar” a minha voz MITO O pigarro insistente pode ser sinal de algum problema de voz, de alergia, rinite ou sinusite. Pigarrear corresponde a um forte atrito entre as cordas vocais e pode irritar ainda mais a laringe. Quando há um pigarro insistente, devem ser procurados os cuidados de um médico otorrinolaringologista para investigar a sua causa. Projetar a voz e falar alto é igual MITO Falar alto ou gritar com esforço excessivo é prejudicial à voz. Projetar a voz, é falar alto com técnica, controlo e qualidade sem sobrecarregar as cordas vocais. Cantar prejudica a voz MITO Não há problema nenhum em cantar com a voz natural. O problema é quando se começa a tentar imitar os cantores profissionais e se coloca a voz num tom inadequado. 16 sinais de alerta Mantenha-se atento a estes sinais. Se os identificar procure ajuda profissional . Rouquidão que dura mais de 2 semanas; Perda súbita da voz sem quadro gripal associado; Pigarreio; Dor ou tensão ao falar; Ardor na garganta; Incapacidade para manter a voz por muito tempo; Esforço para falar; Cansaço vocal; Alteração no padrão vocal; Falhas na voz; Dificuldade em manter o volume da voz; Sensação de corpo estranho na garganta; Tosse seca e persistente; Dificuldade em chegar aos agudos; Voz pior ao final do dia; Necessidade de recorrer frequentemente a pastilhas ou rebuçados para melhorar a voz. Quem são os profissionais que cuidam da voz A avaliação médica por um otorrinolaringologista e a avaliação por um terapeuta da fala são complementares nos casos de problemas de voz. O médico é responsável por fazer o diagnóstico e orientar o a resolução do problema, seja com medicação, cirurgia ou terapia específica; O terapeuta da fala avalia o comportamento vocal, realiza fonetogramas e avaliação acústica e define a conduta necessária na sua área no que se refere a orientação, aperfeiçoamento e exercícios de voz. Conheça a equipa de otorrinolaringologia e de terapia da fala da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.