A Organização Mundial de Saúde estima que, em todo o mundo, 466 milhões de pessoas sofrem de perda auditiva . Destas, 34 milhões são crianças. Até 2050, esse número pode aumentar para 900 milhões se não forem tomadas medidas preventivas e implementadas as terapêuticas adequadas. Causas de perda auditiva A surdez pode estar presente à nascença - surdez congénita - ou desenvolver-se em qualquer altura da vida - surdez adquirida. A surdez congénita pode ter origem genética ou ser causada por alterações que ocorrem durante a gravidez ou o parto. Afeta 1 em cada 1000 recém-nascidos, muitas vezes é profunda e carece de deteção e reabilitação precoces. A surdez adquirida pode dever-se a infeções do ouvido (otites agudas ou crónicas), a infeções sistémicas (por exemplo, meningite, papeira), a traumatismo ou a exposição recorrente e prolongada ao ruído. Rastreio auditivo e diagnóstico precoce A avaliação da audição deve ser feita à nascença , na idade pré-escolar (5-6 anos) e em adultos sempre que haja suspeita de alterações no funcionamento do ouvido. À nascença Em Portugal, o rastreio auditivo neonatal universal tem permitido detetar e reabilitar precocemente mais de 90% dos casos de surdez congénita ou adquirida na primeira infância. Este exame de rastreio é realizado ainda durante o internamento neonatal; Quando são detetadas alterações ou estão presentes fatores de risco para surdez, a criança é referenciada para uma consulta de otorrinolaringologia para investigação clínica e realização de exames complementares adicionais. Na infância Nesta fase, todas as crianças que apresentam dificuldade de aprendizagem ou atrasos / perturbações da fala , devem ser avaliadas precocemente em consulta de otorrinolaringologia, sobretudo se tiverem história de otites de repetição, obstrução nasal crónica, roncopatia (ressonar) e apneia do sono (por hipertrofia dos adenoides). As perturbações da linguagem podem dever-se à perda auditiva causada por estas alterações e pode ser transitória e reversível se for detetada e tratada atempadamente. Na idade adulta A perda auditiva na idade adulta também deve ser valorizada pois pode ter causas reversíveis e tratáveis. A intervenção precoce nestes casos pode atrasar a evolução para o isolamento social que muitas vezes a surdez acarreta. Reabilitação e tratamento adequados As crianças com surdez congénita têm indicação para reabilitação precoce , inicialmente com prótese auditiva e posteriormente, se indicado, com implante coclear. Os casos de perda auditiva associados a otite média aguda ou crónica necessitam por vezes de cirurgia , por exemplo de colocação de tubos transtimpânicos ou de timpanoplastia no caso de membrana timpânica perfurada. A terapia da fala tem um papel importante no acompanhamento destas situações, sobretudo em idade pediátrica, não só na reabilitação dos casos diagnosticados, como também na referenciação para a otorrinolaringologia quando suspeitam de perda auditiva como causa da perturbação da linguagem. Nos adultos, as próteses auditivas podem ser uma solução eficaz para recuperar a qualidade de vida, indicadas e utilizadas com o devido acompanhamento médico. Dê ouvidos à sua audição O aumento da esperança média de vida e a exposição recorrente e prolongada a sons intensos, em contexto laboral e também recreativo (videojogos, uso de headsets e auscultadores), levará a um aumento da perda auditiva neurossensorial, em idades cada vez mais precoces. Esta situação limita as relações interpessoais, o desempenho profissional e o convívio com amigos e família. Com o tempo, pode levar a isolamento social, principalmente na população mais idosa, e pode agravar a evolução de síndromes demenciais porque para pensarmos nas coisas temos de, para além de vê-las, ouvi-las e compreendê-las. Mantenha-se atento a sinais que possam estar relacionados com perda auditiva . O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para o nível de recuperação que é possível atingir. Autor : Hugo Luiz Rodrigues Conheça a equipa clínica de otorrinolaringologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.