Todos sabemos que fumar faz mal à saúde e em particular ao coração! É bem conhecido que deixar de fumar é a medida mais eficaz para prevenir o enfarte agudo do miocárdio e a morte por doenças cardiovasculares. Deixar de fumar entre os 45-65 anos, irá permitir viver em média mais 3-5 anos, livres de eventos cardíacos. Se entrarmos em conta com o risco de cancro e de doença pulmonar, os ganhos em anos livres de doença por deixar de fumar serão maximizados e seguramente superiores. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o consumo de tabaco é responsável pela morte de mais de 7 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Apesar de o tabaco ser consumido mais frequentemente na forma de cigarros, qualquer que seja a forma como o tabaco é consumido , tem sempre efeitos prejudiciais. Apesar de todas as evidências sobre os efeitos do tabaco, muitas pessoas continuam a fumar mesmo depois de terem sido diagnosticadas com uma doença cardíaca. E, quando aconselhados pelo seu médico cardiologista a que deixem de fumar, referem com frequência que já reduziram o número de cigarros que fumam por dia! Será que reduzir o consumo de tabaco é suficiente para reduzir o risco de doenças cardíacas e em particular de enfarte agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral? Esta foi a pergunta à qual um grupo de investigadores quis responder. Para isso, seguiram durante cerca de 6,2 anos 897 975 pessoas fumadoras que não tinham qualquer evidência de doença cardiovascular quando foram incluídas no estudo. Passados os primeiros 2 anos de seguimento, de acordo com o nível de consumo de tabaco avaliado nesta altura, a população em estudo foi dividida nos seguintes cinco grupos : Os que tinham deixado de fumar; Os que tinham reduzido em 50% ou mais o número de cigarros fumados; Os que tinham reduzido entre 20% e 50% o número de cigarros fumados; Os que mantiveram o mesmo nível aproximado de consumo de cigarros; Os que tinham aumentado em 20% ou mais o número de cigarros fumados. Depois, com base nos dados obtidos nos anos que durou o ensaio, os investigadores estimaram o risco de desenvolver enfarte agudo do miocárdio ou de acidente vascular cerebral em cada um dos grupos. Comparativamente às pessoas que continuaram a fumar, os resultados obtidos para os outros grupos foram os seguintes: As pessoas que deixaram de fumar completamente tiveram um risco 23% inferior de acidente vascular cerebral e 26% inferior de enfarte agudo do miocárdio , durante o período analisado; Os restantes grupos de indivíduos, onde se incluíram os que aumentaram o consumo de tabaco e os que reduziram o consumo de forma mais ou menos acentuada , tiveram o mesmo risco de acidente vascular cerebral e de enfarte agudo do miocárdio. Perante estes resultados: Os autores concluíram que apenas a cessação tabágica se associa a uma redução do risco de eventos cardíacos. Adicionalmente, este estudo demonstrou que reduzir o número de cigarros, mas continuar a fumar, não tem qualquer benefício na prevenção de doença cardiovascular. Assim… Se tem um problema cardíaco ou quer prevenir o desenvolvimento de doença cardiovascular, a única solução é mesmo deixar de fumar todo e qualquer tabaco! Autor : José Ferreira Santos Referências 2021 ESC Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice . Europ Heart J 2021;42:3227-337. Smoking cessation, but not reduction, reduces cardiovascular disease incidence . Europ Heart J 2021;40:4141-53. World health Organization. Tobacco . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.