Deixar uma criança fechada dentro de um automóvel por alguns instantes pode parecer inofensivo. Mas não é. Por várias razões, isso põe a saúde e a vida da criança em risco. Felizmente, a maioria dos pais e cuidadores reconhece o perigo que pode correr uma criança fechada num automóvel e os acidentes vão sendo mais raros, mas nenhum devia acontecer. Por isso, ter sempre presente os vários perigos possíveis e adotar hábitos de prevenção diminui a probabilidade de que uma distração , um recado rápido que é preciso fazer, uma rotina diferente ou um dia mais agitado favoreçam uma situação de risco ou mesmo uma tragédia. Temperatura e qualidade do ar O perigo mais conhecido e comum de deixar uma criança dentro de um automóvel fechado está associado ao calor. Nos dias de muito calor, o risco agrava-se , mas nem é preciso que o dia esteja muito quente. A temperatura no interior do automóvel fechado aumenta rapidamente para valores bem superiores à temperatura exterior. Esse aumento é mais rápido se o automóvel estiver ao sol, mas também acontece se for deixado à sombra. Um automóvel fechado é como se fosse uma estufa, aquece e retém o calor. As crianças, especialmente as mais pequenas, são particularmente vulneráveis a variações de temperatura porque os seus mecanismos de regulação da temperatura não são tão eficientes com os das pessoas mais velhas. Assim, dentro de um carro quente, a temperatura corporal das crianças também aumenta rapidamente, o que potencia a ocorrência de uma insolação ou golpe de calor , que pode ser fatal. Não existe uma temperatura considerada segura para poder deixar uma criança num automóvel. Recorrer ao sistema de climatização ou a outros mecanismos não é garantia de que a sua segurança esteja salvaguardada. A qualidade do ar é outro fator a considerar. Num automóvel fechado, com pouca ou nenhuma ventilação, a qualidade do ar vai piorando : diminui o oxigénio disponível e aumenta o dióxido de carbono. Além disso, em ambientes que possam estar contaminados ou quando os sistemas de exaustão não funcionam corretamente, podem ainda acumular-se outros compostos que degradam a qualidade do ar. E deixar as janelas abertas ou a ventilação / ar condicionado ligado, não é garantia de que vai correr tudo bem. Acidentes mecânicos Os automóveis modernos têm sistemas de segurança cada vez mais sofisticados para proteção das crianças. No entanto, o parque automóvel não tem apenas veículos modernos e as crianças são muito curiosas e criativas. Botões, luzes e ecrãs iluminados são em regra muito atrativos para serem experimentados. Mais ou menos provável, dependendo do automóvel e da criança, esta pode acidentalmente pôr o carro a trabalhar, soltar o travão de mão, destrancar as postas, abrir vidros ou portas e muito mais… Acidentes com ferimentos graves em circunstâncias deste não são uma raridade ao contrário do que se pode julgar. Criminalidade, perigos físicos e psicológicos É preciso ter ainda em conta o risco de criminalidade , seja para roubo do automóvel ou de algo no seu interior ou para sequestro da criança. Além disso, uma criança que tente fugir de um automóvel caso se aperceba da aproximação de estranhos (ou porque tem receio de estar sozinha) pode ficar exposta a riscos diversos, incluindo perder-se. Lembre-se ainda que estar sozinha num automóvel, ou noutro espaço deste género, fechado, pode ser assustador para uma criança pequena e levar a sentimentos de abandono ou medo que podem deixar marcas. Prevenir situações de risco A melhor medida de prevenção é nunca deixar crianças sozinhas num automóvel , esteja este completamente fechado ou mesmo à sombra, com as janelas abertas e a ventilação a funcionar. O bem-estar das crianças depende da atenção e cuidado dos adultos que as rodeiam. Não há nada mais importante do que a segurança de uma criança. Os mais esquecidos, ocupados ou cujas rotinas com crianças se alterem com frequência podem adotar medidas de segurança adicionais , como por exemplo: Ganhar o hábito de, ao entrar na viatura, colocar sempre alguma coisa nos bancos traseiros que seja essencial ir buscar na hora de parar e sair do automóvel. Pode ser o telemóvel, a carteira, o computador ou outro objeto qualquer, desde que obrigue a olhar para os bancos traseiros quando se sai do automóvel. Ter alguma coisa à frente e bem visível que lembre que há crianças no carro: o saco das fraldas, um brinquedo ou qualquer outra coisa que não seja habitual quando não se transportam crianças. Usar um espelho retrovisor específico para o banco traseiro. Programar alertas no telemóvel quando se transportam crianças no carro. Por rotina, verificar sempre os bancos traseiros quando se sai do carro. Também é possível recorrer a dispositivos de segurança, como cadeirinhas com sensores que comunicam com o telemóvel do condutor e outras novidades que a tecnologia vá disponibilizando. Deixar uma criança sozinha dentro de um automóvel, ainda que por breves instantes, pode ter consequências devastadoras. Nunca deve acontecer. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.