Produzir suor é normal , faz parte do mecanismo de regulação da temperatura corporal. Não acontece apenas quando a temperatura corporal aumenta por exposição ao calor ambiental ou quando fazemos exercício. O stress, a ansiedade e até a alimentação podem aumentar a produção de suor e o género, a idade e alguns alimentos são exemplos de fatores que influenciam o tipo de odor e/ou a sua intensidade. Onde se produz o suor? O suor é produzido pelas glândulas sudoríparas. Estas glândulas, que se estima serem mais de 2 milhões em cada pessoa, localizam-se na derme, que é uma das camadas da pele. Há 2 tipos de glândulas sudoríparas, que produzem suores diferentes: As glândulas écrinas , que se distribuem pela pele de todo o corpo: Produzem um suor mais aquoso que é lançado na superfície da pele, arrefecendo-a; Têm uma função mais importante da regulação da temperatura; As glândulas apócrinas , que se concentram principalmente nas axilas, região genital e plantar. Produzem um suor mais oleoso, que é lançado nos folículos pilosos; Começam a funcionar na puberdade. Quando se forma, o suor não tem odor. O odor desagradável que pode vir a ter resulta da ação de microrganismos que vivem normalmente na pele (o microbioma da pele) e que são importantes para a sua proteção. As zonas do organismo mais quentes e húmidas (axilas, zona genital, pés…) são um ambiente mais favorável para a ação daqueles microrganismos. Problemas com o suor Apesar da sua função importante, o suor pode ser incomodativo e refletir-se negativamente na autoestima e nas relações pessoais e profissionais. Os problemas com o suor podem estar relacionados com uma produção excessiva e/ou com um odor desagradável do suor. Quando há uma produção consistentemente excessiva pode tratar-se de hiperhidrose, que afeta cerca de 3% da população e para a qual existem atualmente várias opções de tratamento . Os restantes casos, que são a maioria, resolvem-se bem, ou pelo menos razoavelmente, com desodorizantes ou antitranspirantes, tentando identificar e controlar, sempre que possível, as situações que agravam o problema e, claro, adotando os cuidados de higiene necessários. Entre os fatores que se sabe que podem influenciar a produção de suor e composição química e a intensidade do odor corporal incluem-se: Fatores individuais como a raça, género e idade; Características (tipo de fibras e composição) do vestuário e calçado, associadas a particularidades individuais; Hábitos pessoais, no que se refere a tipo de alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e tabaco e hábitos de higiene; Clima. Desodorizantes A ação dos desodorizantes centra-se em eliminar / alterar o odor do suor. Para isso: Inibem a atividade das bactérias que dão origem ao mau odor do suor e mascaram odores desagradáveis. Para isso, têm na sua composição vários tipos de ingredientes, entre os quais: Inibidores do crescimento e ação dos microrganismos que tornam o odor do suor desagradável; Ingredientes que mascaram o odor desagradável; Ingredientes que absorvem odores. Um desodorizante que não seja antitranspirante não altera a quantidade de suor produzido. Antitranspirantes A ação dos antitranspirantes é, principalmente, reduzir a quantidade de suor produzido. Para isso, usam habitualmente sais de alumínio. Estes compostos, usados há mais de 100 anos com este objetivo, bloqueiam a saída do suor das glândulas. Simultaneamente, reduzem a humidade local que favorece a ação dos microrganismos. Os antitranspirantes também têm algum efeito sobre o odor desagradável, não só porque diminuem a produção de suor, mas porque habitualmente também incluem ingredientes que mascaram esses odores. Não existe atualmente evidência científica que associe diretamente o uso antitranspirantes a um aumento do risco de cancro da mama em consequência da presença de sais de alumínio na sua composição. Assim: Os antitranspirantes têm também ação desodorizante, mas um desodorizante não antitranspirante não altera a quantidade de suor produzido. A escolha depende do objetivo e das preferências de cada pessoa, tanto no que diz respeito ao tipo de produto como à forma como são aplicados (spray, roll-on, stick, creme,…). Não esquecer o básico Nem os desodorizantes nem os antitranspirantes são uma alternativa a cuidados de higiene. O seu uso para resolver questões de excesso e/ou odor desagradável do suor pressupõe que: A lavagem corporal (banho, duche ou outra forma), é feita corretamente e de acordo com as necessidades de cada um. O vestuário é lavado e mudado com a frequência adequada. Principalmente a roupa interior e outras peças que contactem diretamente com as zonas do corpo que suam mais devem ser mudadas diariamente. Fontes American Cancer Society. Antiperspirants and breast cancer risk . Teerasumran P, Velliou E, Bai S, Cai Q. Deodorants and antiperspirants: New trends in their active agents and testing methods . Int J Cosmet Sci 2023;45:426-43. Autora: Sara Leite Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.