O que é o glúten? Glúten é o nome de um conjunto de várias proteínas e que estão presentes naturalmente em alguns cereais. Destes, o exemplo mais importante é o trigo , que é um dos cereais mais cultivados e consumidos no mundo. A maioria da proteína (85%-90%) do trigo é glúten, com alguma variação entre as espécies de trigo. Outros cereais que contêm glúten são, por exemplo, o centeio, a cevada e o triticale (um cereal híbrido resultante do cruzamento entre o trigo e o centeio). As matérias-primas e os alimentos preparados a partir de cereais com glúten, também terão glúten na sua composição. Podem ser, por exemplo, farinhas, pão, bolos, massas, cereais de pequeno-almoço, cerveja entre muitos outros. Além disso, o glúten pode ser extraído, concentrado e usado como aditivo . Este uso deve-se às suas propriedades como fonte de proteína, mas, principalmente, pela sua estabilidade ao calor e capacidade aglutinante. Como aditivo, o glúten é usado na indústria alimentar para melhorar características como a forma, consistência, textura, humidade ou sabor e aroma de vários produtos . Por isso, também é possível encontrar glúten onde a sua presença não seria à partida tão evidente, como por exemplo, em molhos, gelados, carnes processadas, sopas industriais, substitutos vegetarianos de carne, temperos, corantes alimentares entre outros. E o glúten também se usa noutras indústrias, por exemplo em medicamentos e cosméticos. Quando é que é necessário fazer uma dieta sem glúten? Para a maioria das pessoas o glúten não apresenta qualquer problema. No entanto, há pessoas que não podem consumir alimentos com glúten. E as razões são várias, todas relacionadas com questões de saúde. Doença celíaca A doença celíaca é uma doença crónica, autoimune, em que o consumo de glúten desencadeia uma resposta inflamatória mediada pelo sistema imunitário no intestino delgado . Esta reação provoca inflamação e destruição da mucosa do intestino, levando a sintomas intestinais, mas também extra-intestinais. Estima-se que cerca de 1% da população europeia tenha doença celíaca, embora a doença possa estar subdiagnosticada. Intolerância ao glúten ou sensibilidade ao glúten não celíaca Quando ingerem alimentos com glúten, algumas pessoas têm sintomas semelhantes aos da doença celíaca, mas sem lesões intestinais nem marcadores de doença autoimune . Este problema é conhecido como intolerância ao glúten ou sensibilidade ao glúten não celíaca. Alergia ao trigo Há também pessoas que são alérgicas ao trigo. Neste caso, a alergia é ao trigo e não ao glúten em si. E noutras situações, é bom evitar o glúten? Não! Apenas as pessoas que têm problemas de saúde relacionados com o consumo de glúten é que não o devem incluir na sua dieta. Noutros casos, eliminar o glúten da dieta não terá qualquer benefício e pode até ser prejudicial devido a carências nutricionais que daí podem ocorrer. Se houver suspeita que o glúten seja a razão dos sintomas que apresenta, deve aconselhar-se com o seu médico. Este ajudará a distinguir se as queixas estão ou não relacionadas com o consumo de glúten. Se houver efetivamente algum problema de saúde relacionado com o consumo de glúten, então sim, deve ser adotada uma dieta isenta desta proteína. Neste caso, os nutricionistas são os profissionais que podem aconselhar no planeamento de um regime alimentar deste género. Esta intervenção é importante não só para assegurar que todos os alimentos com glúten são eliminados da dieta, mas também para garantir que todas as necessidades nutricionais são salvaguardadas . Resumindo… Evitar o glúten sem razão de saúde que o justifique não é garantia de benefícios e até pode ser prejudicial. Por isso, não deve ser adotada uma dieta isenta de glúten antes de ser feita uma avaliação detalhada por um médico e de ponderar riscos e benefícios dessa escolha. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.