A esclerodermia é uma doença autoimune rara do tecido conjuntivo (um dos tecidos que compõem o nosso organismo), em que se formam zonas ou placas endurecidas de tecido. Pode ter duas formas, a esclerodermia localizada, que afeta a pele, e esclerodermia sistémica, também conhecida por esclerose sistémica , que afeta vários órgãos. Apesar de ser uma doença rara, a esclerose sistémica é mais frequente do que a forma localizada. Estima-se que em Portugal 2500 a 3000 pessoas tenham esclerose sistémica. De acordo com dados de 2017 para os Estados Unidos e Inglaterra, a prevalência da doença é de 1-5 casos por 1000 habitantes. Uma vez que na esclerose sistémica podem ser atingidos vários órgãos, esta doença tem sintomas muito variados. Os órgãos atingidos com mais frequência são a pele, pulmões, coração e aparelho digestivo. Quando os pulmões são atingidos, as pessoas que têm esclerodermia sistémica além de poderem ter doença respiratória crónica, podem ainda ter complicações agudas causadas por infeções respiratórias graves, como a pneumonia. Para estes doentes, a pandemia de COVID-19 é assim um tempo de cuidados acrescidos . Quais são os cuidados especiais devido à pandemia de COVID-19 que os doentes com esclerose sistémica devem ter? No cenário atual não facilitar é mais importante do que nunca. Assim, os doentes com esclerose sistémica devem : Continuar a fazer a medicação prescrita pelo seu médico especialista e que está ajustada à gravidade da sua doença; Entrar em contacto com o médico em qualquer situação que considerem estranha e fora do habitual; Cumprir os exercícios de mobilidade habituais; Ter cuidados acrescidos com a alimentação, nomeadamente não correr o risco de cometer restrições alimentares e reforçar as vitaminas e os oligoelementos na dieta. Ainda, tendo em conta a fragilidade do sistema imunitário associada tanto à esclerose sistémica como às terapêuticas medicamentosas indicadas para esta doença, os doentes devem procurar prevenir-se contra doenças respiratórias graves como a pneumonia ou a gripe, nomeadamente através da vacinação. As pessoas devem auto analisar-se e tentar perceber se têm algum sintoma que possa estar relacionado com a COVID-19, como febre, tosse, dores musculares, perda de olfato ou paladar ou dificuldade respiratória, se já tinham estes sintomas habitualmente ou se são diferentes dos habituais. Devem ter em atenção que a febre e a falta de ar associadas à COVID-19 são normalmente mais acentuadas do que os sintomas semelhantes que podem ter devido à esclerose sistémica. Até à data, não existe nenhuma indicação para suspender a terapêutica anti-inflamatória que muitos destes doentes com esclerose sistémica fazem. Não havendo vacina ou um tratamento efetivo contra o novo coronavírus SARS-CoV-2 que provoca a COVID-19, é fundamental o cumprimento das medidas de higiene e segurança recomendadas pelas Direção Geral da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde. As palavras de ordem são: não facilitar! Autora: Maria José Guimarães Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.