É do conhecimento geral que: Um nível elevado de colesterol no sangue é um fator de risco cardiovascular; Se o colesterol no sangue não for controlado, pode aumentar significativamente o risco de ocorrer um evento cardiovascular. A primeira intervenção para reduzir e controlar os níveis de colesterol no sangue é simples e está ao alcance de todos: Ter uma alimentação equilibrada e fazer exercício físico regularmente. Um estilo de vida saudável pode reduzir os valores de colesterol em cerca de 5%-10%; Por exemplo, se alguém com um valor de colesterol de 210 mg/dL e passar a ter cuidados com a alimentação e fizer atividade física poderá reduzir os valores em 10-20 mg/dL. Em algumas pessoas, esta redução absoluta do colesterol pode ser o suficiente para passar a ter valores adequados à sua idade e situação clínica. Atenção: O nível adequado de colesterol no sangue varia com a idade e com a existência ou não de outros fatores de risco cardiovascular, por exemplo hipertensão arterial, consumo de tabaco, diabetes, entre outros. Assim: Antes de assumir que tem a certeza de que o seu colesterol tem um valor adequado, fale com o seu médico! Não avalie os resultados das suas análises pelos valores de referência, porque estes não têm em conta as suas particularidades. Quando as medidas de estilo de vida não são suficientes Acontece, por vezes, que não é possível implementar as medidas de estilo de vida necessárias, ou que, mesmo com estas, não se conseguem atingir os resultados desejados. Neste caso, o médico pode recomendar a toma de medicação para controlar o colesterol . Mas, o objetivo desta medicação vai para além da redução dos níveis de colesterol. É fundamental que a redução do colesterol se acompanhe de uma prevenção eficaz de eventos cardíacos, como é o caso do enfarte agudo do miocárdio e do acidente vascular cerebral . Os medicamentos mais usados para controlar os níveis de colesterol são as estatinas . Há várias estatinas, com potências diferentes, que podem reduzir o colesterol entre 20%-50%. A medicação com estatinas tem demonstrado provocar uma redução consistente do risco de ocorrer um evento cardíaco e de se desenvolverem doenças cardiovasculares. O facto de as doenças cardiovasculares serem a principal causa de morte e de anos de vida perdidos é, pois, a principal razão que justifica a prescrição de estatinas a quem efetivamente delas precisa. Mas afinal, é ou não possível substituir as estatinas por suplementos? Responder a esta questão tem sido o objetivo de vários estudos, um deles publicado já em 2023. Neste estudo, os investigadores seguiram 190 doentes com as seguintes características: Idade entre 40-75 anos, com média de 64 anos; Mulheres 59%; Colesterol LDL 70-189 mg/dL, com média de 128 mg/dL; Sem história pessoal de doença cardiovascular, mas com algum grau de risco cardiovascular; Nenhum a fazer medicação para o colesterol. Os 190 doentes foram distribuídos aleatoriamente por um dos seguintes grupos de tratamento: Rosuvastatina (estatina) 5 mg/dia Óleo peixe natural (ómega-3) 2 400 mg/dia Extrato de canela 2 400 mg/dia Alho com alicina 5 000 µg/dia Curcuma 4 500 mg/dia Esteróis vegetais (fitoesterois) 1 600 mg/dia Levedura de arroz vermelho 2 400mg/dia Grupo placebo, que tomou um comprimido sem ingrediente ativo e, portanto, sem efeito. Todos os doentes receberam o tratamento do grupo a que pertenciam durante um mês e foi avaliado o seguinte: Redução dos níveis de colesterol; Efeitos secundários do tratamento. Os principais resultados e conclusões do estudo foram os seguintes: A rosuvastatina, única estatina usada no estudo, reduziu os valores de colesterol-LDL (colesterol das lipoproteínas de baixa densidade) em 38% e do colesterol total em 24%. Todos os suplementos usados provocaram uma redução marginal dos níveis de colesterol e alguns deles até aumentaram os valores de colesterol; A levedura de arroz vermelho foi o melhor suplemento, mas apenas reduziu o valor de colesterol em 7%, muito abaixo da redução obtida com a rosuvastatina; Nenhum dos suplementos foi melhor que o placebo, o que significa que, na população estudada, tomar suplementos ou não tomar nada teve exatamente o mesmo impacto na redução dos níveis de colesterol; Os efeitos secundários foram exatamente iguais em todos os grupos, mesmo nos doentes que tomaram estatina, que não tiveram nenhum efeito secundário grave. Outros impactos além da saúde Além do efeito marginal que os suplementos têm na redução do colesterol , o fator financeiro pode ser decisivo na escolha acertada. Basta uma pequena investigação sobre os preços, para perceber que será necessário pagar muito mais por um suplemento, do que por uma estatina. A longo prazo, basta fazer as contas. Somando a tudo isto a evidência de que as estatinas têm provada a sua eficácia na redução de eventos cardíacos, a minha resposta é simples: Opte pela estatina sempre que esta lhe for prescrita por um médico! Fontes Rippe JM. Lifestyle Strategies for risk factor reduction, prevention, and treatment of cardiovascular disease . Am J Lifestyle Med 2018;13:204-212. Mach F, Baigent C, Catapano AL, Koskinas KC, Casula M, Badimon L, Chapman MJ, et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk . Eur Heart J 2020;41:111-188. Laffin LJ, Bruemmer D, Garcia M, Brennan DM, McErlean E, Jacoby DS, et al. Comparative effects of low-dose rosuvastatin, placebo, and dietary supplements on lipids and inflammatory biomarkers . J Am Coll Cardiol 2023;81:1-12. Autor : José Ferreira Santos Conheça a equipa clínica de cardiologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.