Fazer atividade física regularmente tem múltiplos benefícios bem conhecidos. Na prevenção e controlo de doenças não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares, a diabetes tipo 2 e alguns tipos de cancro. Nos benefícios para a saúde mental, incluindo a prevenção do declínio cognitivo e dos sintomas de depressão e ansiedade. Na contribuição para a manutenção de um peso corporal saudável e do bem-estar geral. Apesar destes benefícios, do seu reconhecimento por muitos praticantes e do consenso entre os profissionais de saúde sobre a necessidade de aconselhar a prática de exercício físico, o sedentarismo e a inatividade física continuam a ser um problema de saúde pública prevalente e todo o mundo. Um dos contextos mais relevantes relacionados com a prática de exercício físico são os chamados health clubs . Apesar de desempenharem um papel particularmente relevante na promoção da saúde individual e pública, as taxas de abandono dos praticantes são bastante elevadas, aproximando-se de 75% nos primeiros três meses de prática e de aproximadamente 50% após seis meses, de acordo com os resultados de pesquisas das últimas décadas. Têm sido feitas diversas tentativas para ajudar a ultrapassar esta questão. Em particular, têm sido usados vários quadros psicológicos com resultados distintos e diferenciados. Nos últimos anos, tem sido dada mais importância aos pressupostos hedónicos relacionados com o exercício e foram propostas novas abordagens para promover a adesão continuada à prática de exercício. Resumidamente, a teoria hedónica fundamenta-se na premissa de que as pessoas podem ser movidas por fatores motivacionais relacionados com a procura de prazer e o evitar de dor. Neste contexto é estudada a relação entre o prazer e desprazer de determinado comportamento. No que toca ao exercício físico, as evidências parecem apoiar aquela premissa e sugerem que respostas afetivas mais positivas, ou seja , a forma como alguém se sente durante e após o exercício, parecem estar associadas à qualidade da experiência subjetiva, sustentando a adesão à prática . Algumas evidências também sugerem que as pessoas que praticam exercício por prazer têm uma intenção mais forte de manter esta prática no futuro. Um dos fatores que influencia de forma importante com o prazer e desprazer é a intensidade do exercício . Fazê-la variar na prescrição de exercícios demonstrou, em vários estudos, a existência de uma relação dose-resposta com o prazer e desprazer. Em geral, o aumento na intensidade do exercício está associado à melhoria do prazer e à redução do desprazer. Porém, o ponto a partir do qual essa intensidade reverte a sensação de prazer apresenta algum grau de variabilidade entre os praticantes. Particularmente no contexto dos health clubs , foram identificadas associações positivas entre as características de intensidade e frequência de exercício, hábito, vitalidade subjetiva e bem-estar psicológico, o que sugere uma contribuição possivelmente relevante dessas características individuais nas variáveis relacionadas com a saúde e o bem-estar neste cenário específico. Conforme postulado pela estrutura hedónica, características contextuais que poderiam provocar uma melhor relação prazer e desprazer seriam indicativas de vários resultados positivos. A capacidade de ajustar individualmente a intensidade do exercício de forma a conseguir uma sessão de exercício que proporcione prazer pode ter particular relevância na intervenção do profissional de exercício para apoiar a manutenção do comportamento . Além de ajustar o nível de intensidade ao bem-estar individual, outras estratégias possíveis são, por exemplo, variar os tipos de exercícios ou experimentar uma sessão com exercícios que sejam de maior agrado individual. Saber se um praticante está sentindo prazer ou desprazer pode prevenir a baixa adesão ao exercício e incentivar a prática consistente ao longo do tempo. No Centro de Medicina Desportiva do Hospital da Luz, os fisiologistas individualizam a prescrição do exercício para melhorar o prazer associado à sua prática e assim contribuir para a sua continuidade ao longo do tempo . Fontes Ekkekakis P, Zenko Z. Escape from cognitivism exercise as hedonic experience. In: Sport and exercise psychology research from theory to practice. Elsevier Inc, 2016. Faria J, Andrade A, Evemenenko A, et al. Preference for and tolerance of exercise intensity: the mediating role of vitality in exercise habit. Int J Sport Psychol 2021;52: 555-68. Autor : João Faria Conheça a equipa clínica do Centro de Medicina Desportiva da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.