O exercício físico tem um papel crucial na saúde da mulher: Em todas as idades, desde a infância, à idade reprodutiva e à menopausa; Em todas as fases fisiológicas, incluindo a gravidez, o pós-parto; Em várias situações de doença, das quais a endometriose e a síndrome do ovário poliquístico são exemplo. Conhecer os efeitos e a resposta ao exercício físico e adequá-lo a cada circunstância e a cada mulher, permite tirar partido dos seus benefícios, promovendo o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida. Ciclo menstrual: respostas à prática de exercício A flutuação hormonal da mulher ao longo do ciclo menstrual reflete-se em respostas a nível físico, metabólico e emocional e pode ter implicações no desempenho físico. Além disso, é conhecida a variabilidade individual na experiência que cada mulher tem durante o ciclo menstrual. É importante ajudar cada mulher a conhecer o seu corpo e a entender o ciclo menstrual e os seus efeitos individuais, para que seja possível definir as estratégias de exercício físico que melhor se adaptem à sua realidade individual, tornando a experiência gratificante e adequada ao seu contexto. Exercício físico na gravidez e pós-parto Apenas 15% das mulheres grávidas cumprem a recomendação da Organização Mundial de Saúde de praticar 150 minutos de atividade aeróbia de intensidade moderada por semana. Pensa-se que por falta de informação ou conhecimento muitas grávidas interrompem a prática de exercício físico por não se sentirem seguras sobre que alterações e especificações devem introduzir no seu plano de exercício, bem como sobre os efeitos do exercício no feto. No entanto, a prática de exercício físico durante a gravidez tem como principais objetivos: Promover benefícios na saúde da mãe e do feto; Reduzir riscos na saúde da mãe e do feto. As mulheres grávidas e em recuperação pós-parto beneficiam de ter um programa de exercício individualizado, que considere as alterações biomecânicas e fisiológicas que acontecem ao seu corpo durante o desenvolvimento do feto ao longo dos 9 meses de gestação. A prática de exercício físico na gravidez está associada a benefícios globais para a mulher, de que são exemplo: A preservação da massa muscular; A melhoria da força e resistência muscular; A melhoria da função cardiovascular e da aptidão física. Adicionalmente, está associada à diminuição do risco de complicações relacionadas com a gravidez, como são: A hipertensão arterial gestacional; A pré-eclâmpsia; A diabetes gestacional. O exercício físico promove ainda: Uma diminuição da dor lombar, da dor pélvica e dos desconfortos comuns associados à mudança corporal da mulher nesta fase da vida. Redução da sensação de fadiga, stress, estados de ansiedade e depressão que podem surgir nesta fase de grandes mudanças, contribuindo para o bem-estar emocional durante a gravidez. Uma melhor gestão do peso, diminuindo a prevalência do ganho excessivo de peso gestacional; Uma melhor recuperação do peso da mulher após o parto. Há também evidência que relaciona o exercício físico na gravidez com: Menor taxa de complicações no parto; Menor risco de parto por cesariana ou instrumental; Melhor prevenção e melhores resultados no tratamento da incontinência urinária. Para o feto, a prática de exercício físico pela mulher grávida está associada a: Menor risco de restrição de crescimento intrauterino; Menor risco de bebés com peso excessivo (macrossomia). Exercício físico na endometriose A prática regular de exercício físico pode ajudar a aliviar os sintomas da endometriose , além de melhorar a saúde da mulher no geral e é particularmente importante na recuperação pós-cirúrgica da endometriose. A prática de exercício físico é um comportamento primário que contribui para o equilíbrio hormonal, melhorando a sua função. É fundamental para o fortalecimento dos músculos da parede abdominal, pélvis e costas, proporcionando um melhor suporte para o útero e órgãos afetados pela endometriose. Além disso, a prática de exercícios de mobilidade e alongamento são benéficos na redução da rigidez e tensão muscular associadas a esta doença. Exercício físico na síndrome do ovário poliquístico A síndrome do ovário poliquístico é uma doença comum, com impacto ao longo da vida pelas suas consequências reprodutivas, metabólicas e psicológicas com impacto ao longo da vida. A prática de exercício físico é uma estratégia não farmacológica eficaz na síndrome do ovário poliquístico por ter efeitos de: Melhoria da sensibilidade à insulina, regulação da glicémia e controlo do peso, o que contribui para regular os níveis hormonais alterados característicos da síndrome do ovário poliquístico e melhorar os sintomas; Regulação do ciclo menstrual, frequentemente alterado nesta doença; Controlo de fatores de risco cardiovascular, frequentes nesta doença; Promoção do bem-estar emocional. Lembre-se sempre Cada mulher é única e a prática de exercício físico na gravidez, no pós-parto, na endometriose e na síndrome do ovário poliquístico é uma área em que se sobrepõem conhecimentos da área da medicina, de outras ciências da saúde e das ciências do exercício. A avaliação e o aconselhamento nesta área exigem uma abordagem integrada e multidisciplinar, de forma a proporcionar os benefícios esperados dos programas de exercício especialmente adaptados à saúde da mulher, independentemente da sua condição física, e adaptados à sua fase fisiológica e estado de saúde. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.