Deixar de ser estudante e passar a pertencer ao mundo do trabalho é provavelmente um dos momentos mais marcantes da vida de cada um de nós. Os projetos, os sonhos, as ambições e as expetativas são enormes, sobretudo se os anos de formação e aprendizagem foram demorados, envolveram grande esforço e se obtiveram os melhores resultados. Na escola ou na universidade, é possível ser, durante muito tempo, o melhor, o mais popular, o mais focado e até o mais ambicioso. Mas será que é possível ser igual num ambiente completamente diferente como o do mercado de trabalho? Antes de começar efetivamente uma vida profissional, é pouco provável que alguém imagine o que vai encontrar. Por isso, lidar adequadamente com as expetativas pode ser o principal desafio deste momento tão importante. Devo mostrar sempre a máxima confiança? Devo perguntar, se tiver dúvidas? Devo disponibilizar-se para fazer todo o tipo de tarefas? Devo falar muito de mim? Devo ser exigente? Devo ser discreto e humilde? As dúvidas são sempre muitas e as respostas não são evidentes. E o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e exigente. Mas saber gerir adequadamente todas estas expectativas, pode evitar angústias, medos, frustrações e conflitos desnecessários. E ajuda a conduzir esta entrada numa etapa da vida de forma mais tranquila, ajustada e eficaz. O que pode ajudar? Há um conjunto de competências básicas – geralmente designadas como soft skills – que são úteis ter presente e ser capaz de desenvolver em momentos-chave da vida. A entrada num ambiente laboral, pela primeira vez, pode ser um desses momentos, em que é importante pôr em prática as competências necessárias à resposta a todas as questões psicológicas, sociológicas, sociopsicológicas e económicas que se vão colocar. O primeiro passo é conhecer-se a si mesmo e preparar-se para adaptar cada uma dessas competências ao momento ajustado . Mas não só. 1. Adaptabilidade É muito importante mostrar-se flexível, aberto às novidades, disponível para aprender e para fazer coisas diferentes. Durante a vida escolar e académica, aprende-se muito. Mas o ambiente laboral deve ser encarado como um desafio permanente, onde é possível aprender algo de novo todos os dias. Saber adaptar-se é saber desenvolver novas capacidades. E estas ajudam a reforçar as estruturas sociais no local de trabalho e no mercado laboral, no geral. 2. Gestão de tempo e empenho Ser organizado num momento em que tudo à nossa volta é novo e diferente pode ser um desafio. Para conseguir manter uma organização eficiente do seu novo trabalho, aprenda a priorizar as tarefas, mantenha o seu espaço de trabalho arrumado e tente mostrar-se um profissional calmo, atento e capaz de ouvir os outros. Saber perguntar sempre que surgem dúvidas. E retirar um ensinamento da resposta que for dada, mostrando ser capaz de ajustar a sua atividade ao que aprendeu e até propondo ideias ou melhorias - estas são características que todos os empregadores procuram nos seus novos colaboradores. São sinal de empenho, de capacidade de questionar e aprender e de proatividade. 3. Responsabilidade Dedicar tempo e ter disponibilidade para o trabalho, para as novas funções com que se comprometeu no primeiro emprego, são competências básicas para iniciar este caminho no mundo laboral. Com tempo e dedicação, ganha-se capacidade para apreender até os mais pequenos detalhes das novas tarefas e para conhecer melhor as equipas onde se está envolvido. Saber lidar com os pequenos desafios do dia-a-dia e com as diferenças individuais de todos aqueles com quem se cruza podem ser determinantes para a manutenção ou evolução num determinado cargo. 4. Resiliência Não vai ser fácil. Mas todos conseguem. Com maior ou menor sucesso. O que é preciso é ser capaz de resistir às adversidades e manter o espírito aberto à mudança. Ter resiliência para lidar com as frustrações e paciência para as resolver demonstra maturidade e inteligência emocional. E deve ser-se exigente. Antes de mais, consigo próprio: reconhecer os erros, corrigir as falhas, apostar na melhoria contínua. E depois com os outros, nomeadamente, com a sua equipa e até com o seu chefe: para mostrar-se disponível para aprender e para fazer de novo. 5. Trabalhar em equipa Os modelos atuais de trabalho assentam, e apostam a sua competência, em grande medida no trabalho de equipa. É provável que, sendo um primeiro emprego, o papel da equipa onde se é integrado tenha, por isso, uma importância decisiva na integração do novo elemento, sem experiência e sem os conhecimentos de quem já lá está. A integração no mundo laboral deve, antes de mais, ser encarada como uma oportunidade para conhecer novas pessoas, experiências individuais diferentes e ganhar novos mundos. Mas não só. É fundamental, em início da profissão, estar aberto a ajuda de superiores e outros colegas de trabalho, mostrando assim possuir uma mente aberta e evitando conflitos desnecessários. Por outro lado, o respeito pela equipa onde se é integrado e a criação de laços de interajuda contribuem para um ambiente mais rico e mais produtivo e para a criação de uma rede de contatos – ferramentas essenciais ao sucesso de uma carreira profissional. O caminho faz-se caminhando – a aprendizagem e a adaptação a novos ambientes é um processo em contínuo , com altos e baixos e momentos de maior ou menor alegria. Ninguém sabe tudo à partida. Nem é preciso viver na ânsia de corresponder às expectativas todas em todos os momentos – expetativas que, muitas vezes, são só imaginadas pelo próprio. Ser curioso, empenhado, responsável, bem-educado, organizado e conhecer-se a si próprio, aos seus limites e às suas capacidades, serão essenciais para saber gerir as expectativas perante cada novo desafio profissional. Autora: Carolina Pinheiro Conheça a equipa clínica de psicologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.