Claúdio Ferreira Enfermeiro Coordenador da LUZ 24 A hipotermia é uma situação em que a temperatura corporal é inferior ao normal e os mecanismos do organismo que fazem a sua regulação não conseguem recuperá-la por si. Fala-se de hipotermia quando a temperatura corporal é igual ou inferior 35 o C; O organismo perde mais calor do que aquele que consegue produzir e, por isso, não consegue que a sua temperatura retorne ao valor normal; Em situações limite, a hipotermia pode ser fatal. O que causa a hipotermia Mais frequentemente, a hipotermia deve-se a uma exposição prolongada a temperaturas baixas , do ar ou da água, como acontece, por exemplo quando: Se está muito tempo no exterior e a temperatura ambiental é muito baixa e/ou não se está vestido de forma adequada a essa temperatura; Se tomam banhos prolongados de água fria ou, por qualquer razão, o corpo está exposto a água fria, gelo ou neve durante períodos prolongados. Grupos de risco Qualquer pessoa pode desenvolver hipotermia, mas há grupos com maior risco como: Bebés, crianças e idosos, que são as faixas etárias mais sensíveis; Pessoas em estado de desnutrição ou desidratação; Alcoólicos. Nestes grupos, os cuidados de prevenção no tempo frio são particularmente importantes. Quais são os sintomas de hipotermia? A hipotermia não tem sempre a mesma gravidade. Desenvolve-se progressivamente e os seus sinais e sintomas vão-se agravando com a diminuição da temperatura corporal se não houver intervenção e/ou se a exposição ao frio se mantiver. Na hipotermia ligeira, quando a temperatura corporal é de cerca de 32 o C-35 o C, há arrepios de frio (tremores), dormência das mãos e pés, extremidades azuladas, dificuldade em falar claramente, cansaço, confusão e problemas de memória. Quando a situação piora e a temperatura ronda 28 o C-32 o C os arrepios param, há sonolência e alucinações. Na hipotermia grave, associada a temperaturas corporais inferiores a 28 o C, há inconsciência, dificuldade respiratória e alterações dos batimentos cardíacos, que podem evoluir para coma e morte. A exposição prolongada da pele a temperaturas baixas pode também provocar queimaduras pelo frio . O que fazer e o que não fazer quando há hipotermia Se forem identificados sinais de hipotermia ligeira devem ser implementadas ações que promovam um reaquecimento progressivo e ajudem a temperatura corporal a voltar aos valores normais: Primeiro, retirar ou afastar a pessoa atingida da fonte de frio e levá-la para um local protegido e aquecido; Se tiver roupa molhada vestida, retirá-la, secar a pele, vestir roupa seca e/ou cobrir mantas quentes, incluindo a cabeça e pescoço; Dar bebidas quentes a beber (se a pessoa conseguir beber). Podem ser açucaradas, mas não deve ser café ou outras bebidas com cafeína ou álcool; Vigiar a recuperação e não deixar a pessoa sozinha. Nos casos ligeiros, estas medidas podem ser suficientes. Se verificar dificuldade na recuperação pode ainda: Aplicar no pescoço e tórax fontes de calor adicionais, por exemplo sacos de água quente ou bolsas de aquecimento, nunca em contacto direto, sempre protegidas com um pano ou uma toalha. O reaquecimento deve ser progressivo e não deve : Mergulhar uma pessoa em hipotermia em água quente. Fazer massagens vigorosas nos braços e pernas. Procure cuidados médicos Sempre que numa hipotermia ligeira a recuperação não seja conseguida ou seja muito difícil ; Em qualquer caso de suspeita de hipotermia que tenha sinais ou sintomas de que não se trata de uma situação ligeira ; A hipotermia grave é uma emergência médica e requer cuidados imediatos pois pode evoluir para coma e morte. Em Portugal deve ser acionado o serviço 112 e seguidas as instruções que forem dadas. Se precisar, ligue para a LUZ 24 – 217 104 424 – o serviço de triagem clínica telefónica da rede Hospital da Luz, disponível 24 horas, 365 dias, para adultos e crianças Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.