A enxaqueca é uma das cefaleias, ou dores de cabeça, mais comuns. É uma doença crónica incurável, que afeta uma percentagem significativa da população e é uma causa muito relevante – a 2ª mais importante a nível mundial – de anos vividos com incapacidade. Chega a ser a 1ª causa se se considerarem apenas os indivíduos jovens, com menos de 50 anos de idade. 1 em cada 7 adultos tem enxaqueca; Afeta as mulheres 2 a 3 vezes mais do que os homens; Pode começar na infância; É mais comum começar a manifestar-se entre os 20 e os 30 anos; É mais rara a partir dos 40 anos. Em mais de dois terços das pessoas, uma crise de enxaqueca , que pode durar desde poucas horas a vários dias, interfere ou impede as atividades diárias habituais e compromete o rendimento escolar ou profissional. Tratamento da enxaqueca Apesar de se tratar de uma doença crónica e incurável, há atualmente tratamentos (tanto profiláticos como sintomáticos ou de crise) que são eficazes para minimizar o impacto desta doença e, assim, aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida. Além disso, conhecer aquilo que desencadeia as crises recorrentes de dor de cabeça que caracterizam a enxaqueca e controlar estes fatores (se possível) pode ajudar a diminuir a intensidade ou mesmo tornar as crises menos frequentes. Por isso, se tem enxaqueca ou outras dores de cabeça recorrentes não deixe de procurar ajuda médica. Quando é necessário procurar ajuda médica? Muitas pessoas conhecem bem as suas cefaleias, sabem o que as provoca e conseguem controlá-las sem ajuda médica. Noutros casos, os cuidados médicos são imprescindíveis para conseguir melhorar a qualidade de vida. Deve também ser procurada ajuda médica quando há cefaleias: Diferentes das habituais; Mais graves que as habituais; Que não melhoram com o tratamento habitual; Que se agravam ao longo de algumas semanas; Que surgem de repente e se agravam com o movimento, com a tosse ou outras ações ou atividades; Associadas a náuseas, vómitos, debilidade, alterações da visão, da fala ou do comportamento; Associadas a um traumatismo craniano ou queda recente; Que interferem com o trabalho, estudo, atividades habituais e qualidade de vida. Por onde começar? Há muitos tipos de cefaleias , que podem ter causas diversas. Por isso, no diagnóstico e tratamento deste problema podem ter de ser envolvidos médicos de diferentes especialidades. No caso enxaqueca, a especialidade médica de referência é a neurologia. É muito importante, tanto na fase inicial de diagnóstico como para o seguimento posterior, conhecer bem as cefaleias. Os sintomas e as características de ocorrência das crises ajudam a diferenciar as enxaquecas de outros tipos de cefaleias e a definir a melhor abordagem de tratamento. Por isso, mesmo que conheça bem as suas cefaleias, o que as desencadeia e que as consiga controlar não deixe de manter um registo, pois pode vir a ser muito útil se precisar de ajuda médica. Fazer um registo de cefaleias O registo das crises de cefaleias ajuda cada um a conhecer melhor a sua doença e a descrevê-la em pormenor quando procura cuidados médicos. O registo deve incluir: A data e duração das dores de cabeça; A sua intensidade ou o impacto (aquilo que a dor impede de fazer); Sintomas que acompanhem a dor de cabeça, anteriores a esta ou que se mantenham depois; As consequências da cefaleia, por exemplo não conseguir ir trabalhar, ter de estar deitado, ter de estar no escuro, entre outros. A medicação que costuma fazer e o seu efeito. Registe as suas cefaleias no MY LUZ e partilhe com o seu médico No MY LUZ, a sua área pessoal no Hospital da Luz, é possível fazer registos das suas cefaleias em cartões já preparados para esse efeito que poderá partilhar com os seus médicos do Hospital da Luz durante as consultas. Se ainda não tem MY LUZ, faça aqui a sua adesão online , entre em Minha Saúde - Registos e comece desde já. Autora : Raquel Gil-Gouveia, Centro de Cefaleias do Hospital da Luz Lisboa Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.