O jet lag é um problema comum nas pessoas que viajam de avião, quando há uma mudança repentina de fuso horário que não é acompanhada, à mesma velocidade, pela adaptação do ritmo circadiano . O que acontece é uma perturbação do ritmo circadiano, que se deve ao desajustamento entre o fuso horário e o relógio biológico interno que regula o ciclo de sono-vigília e outras respostas do organismo às variações da luminosidade natural ao longo das 24 horas do dia. Este distúrbio do jet lag pode resultar, por exemplo, em: Alterações do padrão de sono, por exemplo não conseguir adormecer ou manter o sono; Diminuição do estado de alerta durante o dia e sonolência diurna; Cansaço e sensação de falta de energia; Desempenho físico inferior ao normal; Problemas de memória e dificuldade de concentração; Irritação e mau humor; Alterações do funcionamento intestinal. O jet lag é mais comum quando se viaja para Este (leste, oriente ou nascente), ou seja, para destinos com horários mais avançados. Nas viagens para Este, o dia fica mais curto, a hora normal de dormir no destino “chega mais cedo” do que se está habituado. Então, é mais difícil adormecer. Acordar na nova hora implicará dormir menos quando se teve dificuldade em adormecer. Nas viagens para Oeste a adaptação é mais simples. A necessidade de dormir é anterior à hora de dormir no destino e, por isso, é natural adormecer e dormir bem no novo horário. Quanto maior a diferença horária, mais provável e acentuado será o jet lag , ou seja, os problemas aumentam com o número de fusos horários atravessados. Uma diferença horária até 2 horas não tem impacto na maioria das pessoas. Normalmente o jet lag resolve-se por si , em poucos dias, com a adaptação progressiva e natural do relógio biológico ao novo fuso horário. No entanto, tomar algumas medidas para tentar que a adaptação seja mais rápida pode ser importante, principalmente para quem viaja muito e por motivos profissionais. Prevenir o jet lag Tentar adaptar precocemente o relógio biológico ao fuso horário do destino é a melhor forma de ultrapassar mais rapidamente o problema. Assim, se estiver nos planos, uma viagem com alteração de fuso horário superior a 2-3 horas, procure alguns dias antes e progressivamente adaptar-se ao horário de destino: Alterar o horário de sono noturno Procurar começar a deitar e levantar mais cedo se a viagem for para Este e começar a deitar e levantar mais tarde se a viagem for para Oeste. Alterar o horário de refeições principais Aproximar o horário das refeições principais do horário normal no destino, ou seja, para mais cedo, se a viagem for para Este, e para mais tarde se a viagem for para Oeste. Exposição à luz solar A luz, principalmente a luz solar, é um dos principais reguladores do relógio biológico. Assim, tentar adaptar a exposição ao horário de destino é outra medida que pode ajudar. Isto significa diminuir a exposição à luz durante a manhã se a viagem for para Este e fazer o contrário se a viagem for para Oeste. Atividades do dia a dia Se possível, começar a fazer reuniões, treinos e outros eventos nos horários normais do destino. Melatonina: apenas em alguns casos e por prescrição médica A melatonina é uma substância produzida pelo organismo, na glândula pineal, que contribui para a regulação do ciclo de sono-vigília. A sua produção aumenta durante a noite, no escuro, e induz o sono. Diminui durante o dia, promovendo a vigília. Em alguns casos de viagens para fusos horários muito diferentes, particularmente em direção Este, e quando há história de queixas de jet lag pode ser aconselhada a toma de melatonina para promover uma adaptação mais rápida. Os medicamentos com melatonina são sujeitos a prescrição médica , não podem ser tomados por qualquer pessoa e têm efeitos secundários possíveis. Não os tome sem lhe serem prescritos. Fale primeiro com o seu médico, que é a melhor pessoa para lhe dizer se são adequados para si. Autora: Sara Leite Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.