Autora : Marta Brito, fisioterapeuta do Hospital da Luz Lisboa A fisioterapia respiratória pediátrica , erradamente conhecida como ginástica respiratória ou cinesioterapia respiratória, é uma das formas de tratamento dos problemas respiratórios nos bebés. Sabemos que as infeções respiratórias são a patologia mais frequente nos bebés até aos 2 anos de idade. Daí a importância da fisioterapia respiratória, que ajuda e promove a desobstrução das vias aéreas , facilita a ventilação e melhora as trocas gasosas , permitindo assim um alívio dos sintomas. A intervenção da fisioterapia respiratória é, por isso, recomendada sempre que o bebé está com obstrução nasal , tosse , expetoração , acumulação de secreções e dificuldade em expeli-las. E ainda quando se detetam ruídos respiratórios . O que os terapeutas fazem é executar um conjunto de técnicas manuais, que permitem mobilizar e eliminar essas secreções. Mas há procedimentos que podem ajudar a prevenir estas situações e que podem ser feitos em casa pelos pais, como a lavagem nasal com soro fisiológico e seringa . É importante familiarizar o bebé desde cedo com esta técnica e introduzi-la na rotina diária, principalmente nos meses em que as infeções respiratórias são mais frequentes. A lavagem nasal é ainda mais importante para os bebés e crianças que não sabem assoar o nariz, ficando com as fossas nasais obstruídas, o que dificulta a sua respiração e o processo de alimentação, podendo ainda potenciar infeções respiratórias. Para esta técnica, é necessário ter disponível: Soro fisiológico, em unidoses ou frascos maiores (e neste caso, também um recipiente para o soro); Seringa de uso individual; Adaptador de seringa; Toalha de rosto. O soro deve estar à temperatura ambiente para evitar que a mucosa das fossas nasais fique irritada. Eventualmente, pode ser aquecido previamente antes da realização da técnica. A toalha é usada para envolver o bebé, de forma a mantê-lo mais contido e seguro durante a lavagem nasal. O bebé deve ser colocado na posição de sentado, com o tronco ligeiramente inclinado à frente e a cabeça inclinada para o lado contrário àquele onde vamos instilar o soro fisiológico. Esta posição previne que o bebé se engasgue e que o soro e o muco progridam para o ouvido, evitando as otites, uma vez que o bebé até aos 2 anos de idade tem o canal que liga o nariz ao ouvido mais horizontalizado. A instilação do soro não deve ser feita de uma forma rápida, mas de uma forma contínua, observando-se a sua saída pela narina contrária, para permitir uma limpeza por arraste do muco, onde estão presentes impurezas, vírus ou até mesmo bactérias. Deve fazer-se o mesmo procedimento na narina contrária. O processo deve ser repetido enquanto se mantiver a obstrução do nariz do bebé. Este procedimento não tem número limite de vezes para ser realizado e a quantidade de soro fisiológico a instilar é variável. Até ao primeiro ano de idade deve ser administrada uma quantidade de 5 mL de soro fisiológico. E após o ano e meio, poderão ser administrados até 10 mL de soro. É importante os pais estarem atentos ao comportamento do seu bebé : Prostração e irritabilidade Diminuição do apetite Alteração do padrão de sono Estão muitas vezes estão relacionados com dificuldade respiratória . Nas sessões de fisioterapia respiratória, os pais recebem sempre toda a informação sobre quais as melhores estratégias para fazer a prevenção da doença respiratória do bebé e a gestão dos seus sintomas. Saiba mais sobre Medicina Física e Reabilitação na rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.