Não queremos armar ‘caldeiradas’, mas, se é daquelas pessoas que não costuma cozinhar nem comer este prato, é nosso dever avisar que não sabe o que anda a perder. Este é um dos métodos mais antigos e saudáveis de confecionar rapidamente uma refeição e é bem simples, ao contrário do sentido popular atribuído à palavra (caldeirada=grande confusão). Como verá, a caldeirada na cozinha é uma boa confusão: os ingredientes-base, que são habitualmente a batata, a cebola, o peixe, o tomate e temperos, cozem todos juntos no mesmo tacho ou panela. Ou seja, é simples e rápido de confecionar, não tem muito por onde errar, além de sujar pouca loiça. A caldeirada: Nasceu da necessidade dos pescadores prepararem as suas refeições nos barcos. Era feita com o que havia mais à mão, ou seja, os peixes de menor valor comercial. Deve o nome ao facto de ser cozinhada em grandes panelas ou caldeirões . Constitui um prato típico das populações das zonas costeiras de muitos países , variando nos temperos e nos ingredientes, nomeadamente no peixe e marisco que são usados. Antes de haver batata, era acompanhada com pão, se o houvesse. É também um prato muito apreciado nos países lusófonos (por exemplo, o Brasil tem a moqueca e Angola e Moçambique a caldeirada de cabrito). Na origem era um cozido , mas foram surgindo variantes em que a base é o refogado . Tem geralmente 6 ingredientes-base – batata, pedações de peixe, cebola, tomate, azeite e vinho (branco) – que são dispostos em camadas (começando pelas batatas, que levam mais tempo a cozer, e acabando no peixe). Os peixes a usar continuam a depender do bolso de cada um, mas convém que sejam frescos. Dicas: A caldeirada deve ficar com muito caldo (ou molho). Não esqueça que as batatas continuam a absorver água depois de desligar o lume. Também por isso, deve ser comida mal acabe de cozinhar. Enquanto coze, mantenha o lume brando e o tacho tapado . Assim, os vapores condensam-se e voltam a cair e os sabores e valor nutricional dos alimentos não se perdem. A gastrónoma Maria de Lourdes Modesto aconselhava a colocar uns bivalves (ameijoas berbigão ou outro) no fundo do tacho da caldeirada, para que os outros ingredientes não agarrem ao fundo. Os peixes mais rijos devem ficar por baixo e os mais leves por cima. Veja agora as receitas das nossas nutricionistas Ana Carolina Soares e Maria Inês Cardoso