A perceção subjetiva do esforço é uma forma de determinar o esforço durante uma atividade física com base na opinião do próprio praticante. Pode ser usada para determinar e ajustar a intensidade do exercício e, assim, otimizar o treino em função das circunstâncias particulares de cada pessoa e dos seus objetivos. Baseia-se na experiência individual, subjetiva e não em medições objetivas como é, por exemplo, a frequência cardíaca que se usa mais frequentemente para monitorizar o esforço. No entanto, a perceção subjetiva do esforço é uma avaliação em tempo real e tem a vantagem de não precisar de qualquer equipamento de monitorização, mesmo considerando que estes atualmente são muito comuns. Outras vantagens da avaliação da perceção subjetiva do esforço são: Simplicidade: Adaptação a qualquer tipo de treino; Permitir ajustar a intensidade do exercício em tempo real; Contribuir para uma melhor consciência corporal. A escala de Borg A primeira escala para classificar a perceção subjetiva de esforço foi desenvolvida por Gunnar Borg, um fisiologista sueco, no século XX. Esta escala, que apresenta uma correlação elevada com a frequência cardíaca, tem valores de 6 a 20, em que 6 representa nenhum esforço (teoricamente 60 batimentos cardíacos por minuto) e 20 representa um esforço máximo (teoricamente 200 batimentos cardíacos por minuto: 6 – Nenhum esforço 7 – Esfoço extremamente leve 8 – 9 – Esforço muito leve 10 – 11 – Esforço leve 12 – 13 – Esforço um pouco forte 14 – 15 – Esforço forte 16 – 17 – Esforço muito forte 18 – 19 – Esforço extremamente forte 20 – Esforço máximo Uma classificação entre 12 e 14 nesta escala traduz um treino de intensidade moderada ou um pouco intenso. Utilização da escala de perceção subjetiva do esforço Apesar de ser uma avaliação individual do esforço numa circunstância específica, esta perceção individual reflete indicadores fisiológicos durante a atividade física como: A frequência respiratória A frequência cardíaca O desempenho muscular O nível de suor produzido Reflete também o estado global do praticante e é afetada por fatores internos e externos , por exemplo: A qualidade do sono A fadiga e stress A alimentação e hidratação A motivação e foco no exercício As condições ambientais (temperatura, humidade, entre outras) Ao longo de um treino, seja ele qual for, usar estas escalas e classificar o esforço permite aumentar ou diminuir em tempo real a intensidade do treino com base nos objetivos definidos . Em conclusão A perceção subjetiva do esforço é uma ferramenta simples e útil para monitorizar a atividade e ajustar a intensidade do exercício. Contribui para melhorar a consciência corporal e conhecer os efeitos externos e internos no desempenho individual , promovendo a autonomia do praticante e a sua segurança durante o exercício, respeitando os limites individuais. Fonte Borg G. Borg’s perceived exertion and pain scales. Human Kinetics: 1998. Ozemek C, Bonikowske A, Christle J, Gallo P. ACSM's Guidelines for exercise testing and prescription, 12ª Ed. Wolters Kluwer Health; 2025. Autor : Hugo Vieira Pereira (fisiologia do exercício) Conheça a equipa clínica do centro de medicina desportiva da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.