A pediculose da cabeça (infestação por piolhos) é uma das parasitoses mais frequente no ser humano. O seu diagnóstico precoce é importante , para evitar o contágio direto e o surgimento de surtos. O piolho da cabeça ( Pediculus humanus capitis) vive no couro cabeludo e no cabelo das pessoas, sobretudo nas crianças, mas pode ocorrer em qualquer idade. É um parasita externo (ectoparasita) e completa o seu ciclo de vida no seu único hospedeiro – as pessoas – de cujo sangue se alimenta. Fora do seu hospedeiro, o piolho não sobrevive durante muito tempo. Só as pessoas são infestadas pelo piolho da cabeça. Os animais também podem ter piolhos, mas estes são de outras espécies, que não se transmitem às pessoas. O piolho da cabeça das pessoas também não se transmite aos animais. Como é que se apanha piolhos? O contágio dos piolhos da cabeça é feito principalmente por contacto direto cabeça a cabeça, a partir dos couros cabeludos e cabelos infestados para os saudáveis. A transmissão também pode ocorrer pela partilha de objetos pessoais contaminados, por exemplo, com o uso de vestuário infestado, tal como, chapéus, lenços, uniformes desportivos, fitas de cabelo, pentes, toalhas e escovas com piolhos, ou até mesmo permanecendo deitado numa cama, colchão ou almofada. Uma vez que os piolhos não sobrevivem muito tempo fora do seu hospedeiro, esta é uma forma de contágio menos frequente. Como se deteta uma infestação de piolhos? Uma infestação de piolhos pode não provocar comichão ou qualquer outro sintoma. Por isso, especialmente nas crianças, é muito importante fazer uma observação atenta e regular do couro cabeludo e do cabelo e tratar de imediato uma infestação que seja detetada. Queixas de comichão e lesões de coceira devem levantar a suspeita de que se trata de piolhos. A comichão deve-se a alergia à saliva que os piolhos injetam na pele quando picam para se alimentar. Em casos mais extremos, podem ocorrer perturbações de sono e maior irritabilidade, provocados pelo próprio desconforto. Diferenças entre piolhos e lêndeas Os piolhos são acinzentados, rastejam e escondem-se na cabeça (não voam ou saltam), habitualmente em zonas mais protegidas e quentes, como a nuca e atrás das orelhas. Normalmente não é fácil observar piolhos vivos, exceto nas infestações muito importantes. As lêndeas são os ovos a partir dos quais nascem os piolhos. São ovais, esbranquiçadas e ficam agarradas ao cabelo, mais próximo da raiz do cabelo junto do couro cabeludo. São confundidas facilmente com caspa ou descamação do couro cabeludo. As fêmeas adultas dos piolhos, que são maiores que os machos, põem 7 a 10 ovos (lêndeas) por dia. Estes eclodem em cerca de 1 semana, os novos piolhos atingem o seu estado adulto em cerca de 7 dias e neste estado vivem cerca de um mês. Depois da eclosão, os piolhos precisam de se alimentar várias vezes por dia de sangue do seu hospedeiro. É por isso que não sobrevivem mais do que 1 ou 2 dias fora do hospedeiro. As lêndeas normalmente não eclodem e morrem fora do hospedeiro no prazo de semana se não estiverem à mesma temperatura do couro cabeludo humano. Infestação ativa ou sinais de infestação antiga? As lêndeas ficam mais amareladas depois de eclodirem. Continuam agarradas ao cabelo, mas é mais fácil removê-las. Além da cor, também o local do cabelo em que estão pode dar uma ideia do tempo de infestação . Se as lêndeas forem numerosas e estiverem presas ao cabelo até 6 mm do couro cabeludo é provável que se trate de uma infestação ativa, mesmo que não se vejam piolhos; Se as lêndeas estiverem mais afastadas do couro cabeludo e não forem identificados piolhos vivos é provável que se trate de uma infestação mais antiga. Tratar infestações de piolhos Perante as queixas descritas é importante confirmar o diagnóstico e ser tratado. Procure o seu médico para orientar a melhor estratégia de tratamento ; Os contactos próximos, como os parceiros e familiares, deverão pesquisar a presença de pediculose. Mesmo sem evidência de pediculose, as pessoas que partilham a mesma cama, devem realizar o tratamento; As pessoas sem sintomas, mas com sinais de infestação ativa deverão, mesmo assim, realizar o tratamento; No tratamento, usam-se produtos antiparasitários pediculocidas, geralmente na forma de champô ou loção . Estes produtos vendem-se nas farmácias, são de venda livre e, na maioria dos casos, contêm inseticidas. Para alguns produtos, está indicada uma aplicação única, para outros a aplicação deve ser repetida. Depende do produto e da eficácia da sua atividade contra as lêndeas e/ou contra os piolhos. Como aplicar o tratamento? Aplicar o produto de acordo com as instruções contidas no seu rótulo e folheto informativo. Quando o cabelo é muito longo (abaixo do ombro), pode ser necessário usar mais do que uma embalagem. Não se deve usar combinações de champô/condicionador ou condicionador antes do pediculicida. Não está ainda recomendada a lavagem do cabelo 1 a 2 dias após a aplicação de produto pediculicida. Após a aplicação do produto, deve-se usar roupa lavada. Se após 8 a 12 horas de tratamento, os piolhos parecerem ativos como anteriormente, pode significar que o tratamento não está a ser eficaz. Nestes casos, procure o seu médico assistente para averiguar se existe alguma complicação ou se necessita de outro tipo de intervenção. Depois da aplicação, os piolhos e lêndeas mortos e os que ainda tenham ficado vivos, são retirados da cabeça com um pente de lêndeas. Estes pentes de plástico ou metálicos, têm os dentes muito apertados e finos para que na sua passagem ao longo das madeixas arrastem os piolhos e lêndeas. Deve-se pentear o cabelo, a cada 2 a 3 dias, com o pente de lêndeas para remover lêndeas e piolhos e verificar regularmente a presença de lêndeas ou piolhos durante 2 a 3 semanas. Para alguns produtos, a repetição de tratamento é recomendada de forma rotineira após o primeiro tratamento, enquanto que para outros só se deverá repetir se houver piolhos sobreviventes. A aplicação dos produtos para o tratamento de piolhos deve sempre ser feita de acordo com as instruções do seu folheto informativo e com as recomendações específicas de profissionais de saúde. Não se esqueça também: Se alguém em casa está com piolhos, deve ser observada a cabeça de todos os membros da família e contactos próximos e tratados todos os casos de infestação; Lave na máquina, a 60 o C, o vestuário, roupa de cama e outras peças usadas pelas pessoas infestadas nos dias anteriores ao tratamento (verifique nas etiquetas a possibilidade e temperatura de lavagem). O que não for possível lavar limpe a seco ou feche bem num saco de plástico preto durante duas semanas; Mergulhe pentes e escovas em água quente (> 60 °C) durante 5 a 10 minutos, mesmo que não tenha parasitas visíveis; Aspire o chão e os locais onde as pessoas com piolhos se sentaram ou deitaram; Se o seu filho tem piolhos, avise a escola para que todas as crianças afetadas possam ser tratadas e assim interrompida a infestação. Os mitos, desmistifique-os! A pediculose não é uma doença de evicção escolar obrigatória. Porém, deve-se informar as escolas se for detetada uma infestação, para que se faça o tratamento dos conviventes afetados; Ter piolhos não acontece apenas em cabelos com falta de higiene, os piolhos preferem cabelos limpos. Mas a lavagem e escovagem frequentes podem ajudar a eliminar alguns piolhos; Os piolhos não preferem cabelos compridos para pôr os ovos (lêndeas), estes são postos mais junto à raiz. No entanto, os cabelos mais compridos podem favorecer o contacto cabeça a cabeça. Como prevenir uma infestação de piolhos Não há nenhum tratamento preventivo para não apanhar piolhos. Observe o couro cabeludo e o cabelo das crianças regularmente e esteja atento a que cocem a cabeça repetidamente. Em crianças que aparecem frequentemente com piolhos, pode ser útil manter os cabelos curtos. Evitar o contacto cabeça a cabeça e a partilha de objetos que possam estar contaminados é a melhor forma de prevenir infestações de piolhos. Fontes Centers for Disease Control and Prevention Direção Geral da Saúde UpToDate Autora : Liliana Beirão Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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