Colaboração: Prof. José Roquette (Cirurgia Cardíaca) Pneumonia e pneumonite são palavras parecidas, mas não significam o mesmo . Ambas afetam os pulmões e envolvem inflamação dos alvéolos pulmonares onde ocorrem as trocas gasosas (entrada de oxigénio e saída de dióxido de carbono do organismo). As causas As causas da pneumonia e da pneumonite são diferentes: A pneumonia é uma doença com origem infeciosa , ou seja, é provocada por microrganismos como bactérias, vírus ou fungos; A pneumonite é uma inflamação dos pulmões que pode ser causada por compostos irritantes, tóxicos, alérgenos ou até ser um efeito secundário de alguns medicamentos e de tratamentos de radioterapia. Os sintomas Uma pneumonia e pneumonite podem ter sintomas comuns - por exemplo a tosse, cansaço e falta de ar – mas estes têm características e evolução diferentes . Na maioria dos casos, a pneumonia desenvolve-se rapidamente, com febre alta, tosse com expetoração, dificuldade respiratória, dor no peito ao respirar ou tossir e cansaço. A pneumonite tem uma evolução mais lenta, sem febre, a tosse é seca, a falta de ar progressiva e os sintomas aliviam quando diminui a exposição à causa. O tratamento O tratamento de uma pneumonia e de uma pneumonite é diferente, principalmente no componente dirigido a combater a causa. No caso da pneumonia, envolve medicamentos para eliminar o microrganismo que a provocou, como antibióticos (para bactérias), antivirais (para vírus) ou antifúngicos (para fungos) e combater a inflamação (anti-inflamatórios). No caso da pneumonite, há que eliminar a exposição à causa e combater a inflamação com anti-inflamatórios. Tanto numa pneumonia como numa pneumonite o tratamento pode incluir outras medidas, tanto para ajudar a aliviar os sintomas, como medidas de suporte para ajudar a recuperação. Qual é mais frequente, a pneumonia ou a pneumonite? As pneumonias são muito mais comuns do que as pneumonites. Afetam principalmente grupos mais vulneráveis como idosos, crianças com menos de 2 anos, pessoas com doenças crónicas, pessoas a fazer tratamentos oncológicos, imunodeprimidos, fumadores e pessoas com história de alcoolismo. São mais frequentes tempo frio. Em muitos casos, uma pneumonia é contagiosa. Em Portugal, as pneumonias são principal causa de mortalidade respiratória: 57 mortes por 100 mil habitantes. Em 2023 morreram no país cerca de 5 mil pessoas por pneumonia. As pneumonites são muito mais raras. Normalmente ocorrem em grupos de risco muito particulares, por exemplo pessoas expostas a fumo de incêndios, trabalhadores agrícolas, trabalhadores de indústrias de produtos químicos como pesticidas, entre outros. Não são contagiosas. Procurar um médico quando há sinais de alerta ou dúvidas é o melhor São sempre sinais de alerta de possível doença respiratória perante os quais se devem procurar cuidados médicos. Febre alta e persistente que não cede ao tratamento habitual. Tosse forte e persistente, especialmente se for acompanhada de expetoração ou sangue. Dificuldade em respirar, respiração acelerada, dor no peito. Lábios e pele com alterações da tonalidade que fica azulada. Cansaço com incapacidade para realizar as rotinas habituais, confusão ou sonolência excessiva. Agravamento de sintomas passadas 24 horas de tratamento prescrito pelo médico. A avaliação médica e exames de diagnóstico, caso sejam necessários, permitirão fazer o diagnóstico correto, escolher o tratamento adequado e, assim, evitar complicações. A vacinação tem um papel insubstituível na prevenção de pneumonias Nos grupos em que estão indicadas, as vacinas contra pneumonias bacterianas e também contra a gripe são a melhor estratégia para diminuir o risco de pneumonia. Vacinação contra pneumonias pneumocócicas Protege especificamente contra as principais pneumonias de origem bacteriana. Está incluída no programa nacional de vacinação para as crianças; Pode estar indicada em vários grupos de risco, dependendo de avaliação médica individual, entre os quais idosos, pessoas com doenças respiratórias crónicas ou outras doenças crónicas, imunodeprimidos, entre outros. Vacinação contra a gripe Reduz significativamente o risco de ter gripe; Ainda assim, se se tiver gripe, a sua gravidade será menor; A gripe atinge o sistema respiratório, debilita-o e, assim, facilita a instalação de infeções secundárias, como as pneumonias. Portanto, a vacinação contra gripe é uma forma de prevenção indireta de pneumonias. Conheça a equipa clínica de medicina geral e familiar da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.