Autoras : Joana Simões e Mafalda Cavalheiro (farmacêuticas) Manter uma lista de medicação organizada e atualizada é uma contribuição valiosa para proteger a nossa saúde. É uma informação muito importante para os profissionais clínicos quando nos prestam cuidados de saúde porque aumenta a qualidade, segurança e eficácia desses cuidados. É uma boa ajuda para nos organizarmos, tanto no dia a dia, quando precisamos de saber se temos os medicamentos que precisamos e para quanto tempo, como para planear uma viagem ou até uma qualquer deslocação imprevista. Qual é a informação que a lista de medicamentos deve incluir? Para que a informação seja completa e útil para os profissionais de saúde que nos prestam cuidados, é recomendável que inclua: Nome do medicamento: preferencialmente o nome comercial e/ou o nome da substância ativa. Forma farmacêutica e respetiva dosagem: por exemplo, comprimido 5 mg, injetável 1 mg/mL, gotas, inalador, entre outros. Horário, quantidade e frequência de toma : por exemplo, 1 comprimido ao pequeno-almoço, de dois em dois dias. Motivo da medicação , se souber. A lista não deve ter apenas medicamentos prescritos por um médico. Deve referir, com o mesmo detalhe, medicamentos e produtos que se tomem, incluindo: Suplementos alimentares; Vitaminas e minerais; Produtos naturais ou fitoterápicos; Medicamentos homeopáticos; Medicamentos tomados apenas quando necessário; Chás quando consumidos regularmente. Alergias ou reações adversas anteriores a medicamentos ou outros produtos também é informação muito útil que deve constar numa lista de medicação. Uma vez preparada pela primeira vez, a lista deve ser mantida atualizada e estar sempre acessível , em papel ou em formato digital (por exemplo, no telemóvel). A segurança está em primeiro lugar Levar a lista atualizada da medicação habitual quando se vai ao hospital - seja para uma consulta, exame, cirurgia ou internamento – é essencial. Há muito casos em que isso é especificamente pedido , porque já se sabe à partida que vai mesmo ser preciso, há outros em que não. Na dúvida, o melhor é termos sempre connosco essa informação. Para os profissionais de saúde, dispor de toda a informação correta sobre os medicamentos que estamos a tomar permite: Verificar possíveis interações entre medicamentos , suplementos e outros produtos. Evitar duplicações terapêuticas , prevenindo a toma de fármacos diferentes com o mesmo efeito. Reduzir o risco de reações adversas, sobredosagem e falhas terapêuticas. Evitar erros de prescrição , incluindo medicamentos que possam estar contraindicados para uma pessoa em particular. Ajustar doses com maior segurança , especialmente em situações de doença aguda, alterações renais ou hepáticas. Prevenir complicações antes de cirurgias ou exames , uma vez que alguns medicamentos podem necessitar de suspensão temporária. Atendimento mais individualizado e eficiente Ao partilharmos a lista de medicação com os profissionais que nos prestam cuidados de saúde: Contribuímos para uma avaliação clínica mais completa, personalizada e rigorosa. Reduz-se a necessidade de eventuais contactos adicionais para confirmação de informação. Haverá mais tempo para esclarecermos dúvidas e termos respostas a questões importantes para nós. Uma lista de medicação é um contributo simples, mas com um grande impacto. Protege a nossa saúde, reduz riscos e ajuda a nos prestem melhores cuidados. Uma informação clara, completa e atualizada evita atrasos e contribui para decisões clínicas mais seguras. Fontes Direção-Geral da Saúde. Reconciliação de medicação. Norma nº 018/2016, de 30/12/2016, atualizada a 01/03/2024. Joint Commission International. JCI Hospital Standards. Medication Management and Use (MMU). World Health Organization. Medication without harm: Policy brief. 2024. World Health Organization. Medication without harm: WHO Global Patient Safety Challenge. 2017. World Health Organization. 5 moments for medication safety. 2019 Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.