A vasectomia, ou laqueação cirúrgica dos canais deferentes , impede que os espermatozoides façam parte do esperma e, portanto, impossibilita uma gravidez. Garante assim uma esterilidade masculina definitiva. É uma das opções que pode ser considerada quando se pretende recorrer a um método contracetivo definitivo. Isto pode acontecer em várias circunstâncias, por exemplo: Nos projetos de vida, a longo prazo, há a certeza de que não se quer ter filhos ou de ter mais filhos; O homem é portador de uma alteração genética ou tem uma doença genética transmissível à descendência e não se quer correr o risco de que isso possa acontecer; A mulher, num casal, não pode vir a engravidar por razões de saúde. E depois da vasectomia? Para decidir fazer uma vasectomia, é preciso saber também o que vai acontecer depois de realizada esta intervenção: O aspeto do esperma a olho nu será o mesmo, só ao microscópio é possível verificar que não contém espermatozoides; A quantidade de esperma da ejaculação altera-se, mas não significativamente, porque os espermatozoides representam uma pequena percentagem do volume do ejaculado; Não haverá qualquer impacto negativo nos níveis de hormonas masculinas, na virilidade, na líbido, na ereção ou no orgasmo; O facto de desaparecer o receio de uma gravidez poderá até dar origem a uma experiência sexual mais libertadora e com menos constrangimentos. Na proteção de doenças sexualmente transmissíveis, o uso de preservativo mantém-se obrigatório porque a vasectomia não é um método de barreira. Há ainda que ter em atenção que: A diminuição dos espermatozoides no esperma é progressiva e durante algum tempo depois da vasectomia mantém-se a capacidade de engravidar uma mulher. São necessárias em média 20 ejaculações e 3 meses depois da vasectomia para deixarem de estar presentes espermatozoides no esperma; A ausência de espermatozoides deve ser assegurada através de um espermograma realizado de acordo com indicação que é for dada pelo médico. Passado este período de transição, o risco de gravidez depois de uma vasectomia é de cerca de 1 em 2000. A vasectomia é assim um método com uma eficácia e segurança elevadas e um risco reduzido de complicações. A vasectomia é também uma cirurgia mais simples do que a equivalente feminina: a laqueação das trompas. E se a vida mudar? Mesmo quando um homem faz uma vasectomia depois de ponderar devidamente todos os pormenores, as circunstâncias da vida podem efetivamente mudar e o desejo de ter filhos voltar a estar presente. A razão mais comum é uma mudança de parceira, mesmo havendo uma relação estável quando a vasectomia foi decidida e realizada. Neste caso, é possível reverter a vasectomia. No entanto, apesar da evolução das técnicas cirúrgicas, há que saber que a reversão de uma vasectomia é uma cirurgia mais complexa e delicada, mais demorada, com mais complicações possíveis, com uma menor taxa de sucesso e eventualmente mais cara do que uma vasectomia. Além da reversão da vasectomia por técnicas de microcirurgia, estão também disponíveis outros métodos para dispor de espermatozoides de homens submetidos a vasectomia, mas para uso em fertilização in vitro. A vasectomia e a reversão de vasectomia são cirurgias feitas por médicos urologistas, que se encarregam também da preparação e seguimento necessários antes e depois destas intervenções. Autor: José Preza Fernandes Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.