O afogamento é um acidente comum e em muitos casos evitável. É a 3ª causa de morte por lesões não intencionais, dando origem a cerca de 236 mil mortes anuais em todo o mundo; Pode não ser fatal, mas deixa, frequentemente, lesões definitivas (neurológicas, cardiovasculares e outras) em quem sobrevive. Em Portugal: Entre 2002-2021, ocorreram 286 mortes e 629 internamentos por afogamento em crianças e jovens. Embora o afogamento tenha sido mais comum entre os 1-4 anos, o maior número de mortes aconteceu na faixa etária dos 15-19 anos. Entre 2012-2021, o INEM socorreu 735 casos de afogamento e acidentes de mergulho. Entre os casos de afogamento de crianças e jovens publicados na imprensa em 2005-2022, cerca de 60% eram rapazes e as piscinas foram os locais com maior registo de acidentes deste tipo. Nas crianças mais novas, os acidentes são mais comuns em piscinas, nos jovens ocorreram maioritariamente em zonas naturais. Até ao final do mês de maio de 2024, já ocorreram 43 mortes por afogamento no nosso país, incluindo todas as faixas etárias, mais do que no mesmo período dos últimos 7 anos. O afogamento é um acidente rápido e silencioso . A presença de água nos pulmões leva a paragem respiratória e cardíaca. Alguém que se sinta aflito na água tenta instintivamente ter a cabeça fora de água para respirar, esbracejando para conseguir manter-se à superfície. Dificilmente conseguirá gritar para pedir ajuda ou fazer-se ouvir. Estar dentro de água em segurança é fundamental… Estar à vontade na água, sentindo segurança, significa conseguir manter o equilíbrio, conhecer os movimentos dos braços e pernas que permitem deslocar na água, saber descansar em posição de segurança (a boiar de costas) e, claro, saber nadar. Tudo isto reduz o risco de afogamento. Quem não sabe nadar, ou não nada bem, seja criança ou adulto, não deve entrar na água sem estar equipado com materiais que promovam a flutuação: coletes, braçadeiras, entre outros, dependendo da idade. Atenção: Nas crianças, saber nadar nunca substitui o acompanhamento permanente por um adulto, responsável e atento , quando estejam na água ou com acesso a ela, seja na praia, numa piscina, na banheira em casa, próximo de um tanque ou alguidar com água, ou em qualquer outro local. Pessoas que façam medicação ou tenham problemas de saúde (por exemplo, epilepsia, autismo, doenças mentais) que possam aumentar o risco de queda ou acidente devem estar sempre acompanhadas quando estão junto à água, saibam ou não saibam nadar. Em qualquer idade, para fazer qualquer desporto aquático com segurança, saber nadar é um requisito prévio. Sabendo ou não nadar, usar um colete de salvação adequado é imprescindível quando aumenta o risco de queda acidental na água , por exemplo a andar de barco. … mas há outras medidas de prevenção que todos têm de conhecer e implementar Nas casas onde existam crianças: Construir uma vedação a rodear a piscina , que não seja possível abrir por crianças e com uma altura adequada, para que estas não consigam saltar. Não deixar junto da piscina brinquedos ou quaisquer objetos , que atraiam a atenção das crianças. Optar por praias com vigilância , respeitar as indicações dos nadadores-salvadores e a sinalização das bandeiras, quando exista. Evitar nadar ou praticar atividades aquáticas sozinho em zonas não vigiadas e/ou isoladas. Ter em atenção e adaptar o comportamento às características e perigos específicos dos locais aquáticas (oceano, rios, lagoas, albufeiras, parques aquáticos, entre outros), incluindo: Variações bruscas de profundidade; Ondulação, correntes, quedas de água; Áreas de visibilidade reduzida; Obstáculos não visíveis na água, por exemplo rochas, vegetação; Horários e alturas das marés; Condições ambientais, principalmente a previsão de ventos. Não mergulhar, especialmente de cabeça, em locais de profundidade reduzida ou desconhecida , ou onde possam existir obstáculos não visíveis. Evitar cansaço dentro de água : Não nadar para longe da margem ou de zonas com pé; Não nadar muito tempo fora de pé; Não nadar contra a corrente; Sempre que necessário, descansar em posição de segurança (a boiar de costas). Não suster a respiração debaixo de água durante muito tempo , nem hiperventilar antes de nadar debaixo de água. Não beber álcool, nem consumir substâncias ilícitas antes ou durante a permanência na água , passeios de barco ou outras atividades aquáticas, pois mesmo em quantidades reduzidas interferem com o equilíbrio e coordenação dos movimentos. Não fazer refeições pesadas durante os dias de praia ou atividades aquáticas. Evitar variações bruscas de temperatura : Evitar exposições prolongadas ao sol antes de entrar na água; Não entrar na água de repente. Limitar o acesso a reservatórios de água , por exemplo tanques de rega, poços, entre outros. Autor: Pedro Ferreira Fontes: Associação para Promoção da Segurança Infantil. Afogamentos de Crianças e Jovens em Portugal 2002-2021. Atualização 2023. SNS 24. Prevenir afogamento. 2023 Conheça a equipa clínica de Medicina Interna da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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