A pele, um órgão visível e que é o maior do corpo humano, protege-nos do meio exterior e também pode revelar muito do que se passa no organismo. Alterações da pele podem ser consequência de agressões externas, mas também podem estar associadas a doenças benignas e comuns e a problemas de saúde mais graves, incluindo oncológicos. Nem todas as alterações da pele significam cancro, mas algumas são verdadeiros sinais de alerta. Conhecer estes sinais, estar atento e procurar cuidados médicos atempadamente pode fazer toda a diferença . Doenças que se podem refletir na pele Cancro da pele ou cancro cutâneo O cancro da pele é atualmente o tipo de cancro mais comum em todo mundo. A sua incidência tem vindo a aumentar nas últimas décadas, incluindo em Portugal, onde todos os anos são diagnosticados cerca de 12-13 mil novos casos. O aumento dos casos de cancro da pele está relacionado com fatores diversos, por exemplo: O envelhecimento da população; A maior exposição solar acumulada ao longo da vida; Hábitos de lazer ao ar livre; Melhoria da vigilância e diagnóstico dermatológico. Apesar de tudo, quando detetados precocemente, a taxa de cura de muitos cancros da pele é elevada . Existem três tipos principais de cancro cutâneo. O carcinoma basocelular é o mais frequente e caracteriza-se por crescimento lento e baixa probabilidade de metastização, embora possa causar destruição local se não for tratado. O carcinoma espinocelular tem a maior capacidade de invasão e disseminação para outros órgãos. O melanoma , embora menos comum, é o tipo mais agressivo e é responsável pela maioria das mortes associadas ao cancro da pele. Cancro noutros tecidos e órgãos Além de ser um local onde surgem tumores primários, a pele também pode refletir doenças oncológicas internas . Em alguns casos, tumores de outros órgãos provocam alterações cutâneas, como, por exemplo, nódulos metastáticos ou síndromes paraneoplásicas. Alterações na pele como estas podem mesmo ser o primeiro sinal de alerta que conduz ao diagnóstico de neoplasias internas. Doenças não oncológicas Além das doenças oncológicas, muitas outras, em fases diversas da sua evolução, podem provocar alterações da pele. Entre estas estão: Doenças infeciosas , como a sífilis, o sarampo, a varicela, a infeção pelo vírus da imunodeficiência humana, a candidíase, a meningite, entre outras; Doenças autoimunes e imunomediadas , por exemplo o lúpus e a psoríase; Doenças metabólicas , como a diabetes e a dislipidemia; Doenças hematológicas , por exemplo a anemia; Doenças vasculares , por exemplo a insuficiência venosa crónica; Carências nutricionais , incluindo as deficiências de ferro, vitamina A e zinco; Dependências , como o alcoolismo. Tratamentos oncológicos Os tratamentos oncológicos, como a quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapias alvo, também podem ter efeitos na pele. Entre as alterações mais comuns destacam-se: Secura da pele; Erupções acneiformes; Hiperpigmentação; Queda de cabelo; Alterações nas unhas; Maior sensibilidade à exposição solar; Inflamação da pele nas áreas tratadas. Estas alterações, embora frequentemente sejam temporárias, têm impacto na qualidade de vida . Sinais de alerta na pele Observe a sua pele regulamente e verifique se há sinais de alerta : Regra ABCDE: sinais A ssimétricos, com B ordos irregulares, várias C ores, D iâmetro superior a 6 milímetros e/ou que sofreram E volução (alteração de tamanho, cor e/ou forma) Sinais com um aspeto diferente dos restantes (sinal do “patinho feio”); Lesões ásperas ou escamosas (por vezes podem sentir-se ao toque antes de serem visíveis); Sinais que causam comichão; Lesões que sangram ou libertam líquido; Pápulas/nódulos de aspeto rosado; Lesões que parecem uma ferida, mas não cicatrizam. O risco de cancro da pele é igual para todos? Não, o risco é particularmente elevado quando: A pele é clara ou se é propenso a queimaduras solares; Ocorreram queimaduras solares na infância; Há história de exposição solar importante, tanto associada a trabalho ou a lazer. Há exposições periódicas ao sol, por exemplo, nas férias. Se recorre a solários; Se tem mais de 50 “sinais” (nevos) no corpo; Há história familiar de cancro da pele; A idade é superior a 50 anos; Se foi submetido a um transplante de órgão. A prevenção é fundamental São medidas essenciais para prevenir o cancro da pele: Evitar exposição solar excessiva, principalmente “escaldões”; Utilizar sempre um protetor solar adequado; Usar vestuário protetor, incluindo proteger a cabeça com chapéu ou boné; Evitar o uso de solários. O autoexame periódico da pele e a observação regular por um dermatologista ajudam a identificar precocemente eventuais lesões suspeitas. Como se trata o cancro da pele? A cirurgia é frequentemente a primeira opção terapêutica para os cancros da pele. Na maioria dos casos, quando é realizada atempadamente, permite a cura completa da doença. Outras abordagens incluem terapias tópicas, crioterapia, radioterapia, imunoterapia ou terapêuticas alvo. Lembre-se que a pele pode ser um verdadeiro espelho da saúde Reconhecer sinais de alerta e procurar cuidados médicos rapidamente quando os sinais são detetados ou há alguma dúvida podem fazer toda a diferença na prevenção e tratamento do cancro da pele. Por isso, se tiver uma lesão cutânea que pareça suspeita, não assuma que “não deve ser nada de grave” nem fique à espera para ver como é que evolui: fale com o seu médico ou consulte um dermatologista . Autor : Paulo Morais (dermatologia) Conheça a equipa clínica de dermatologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.