A vida é feita de escolhas A cada momento, desde a infância à velhice, somos confrontados com a necessidade de optar e decidir . E se há escolhas e decisões menos relevantes, diárias e funcionais – por exemplo ‘que roupa é que vou vestir’ ou ‘faço aquele telefonema que preciso agora ou mais daqui a pouco’ –, outras há que exigem mais tempo e reflexão pois terão um impacto significativo e transversal em todas as áreas da nossa vida. Entre estas destacam-se as relacionadas com a vocação e vida profissional . As escolhas vocacionais estão entre as mais importantes da nossa vida; É habitual suscitarem dúvidas e serem motivo de angústia, principalmente quando se aproximam momentos chave de decisão. O que queres ser quando fores grande? Para alguns, poucos, a profissão desejada é uma ideia clara desde cedo e a resposta a esta questão é simples. No entanto, para a maioria das crianças e adolescentes, os sonhos e ambições profissionais modificam-se , amadurecendo ao longo do crescimento e desenvolvimento da personalidade, sendo influenciadas por diversos fatores: Pelas experiências de vida e pelas aprendizagens; Pelo sucesso ou insucesso alcançado e pela facilidade ou dificuldade sentidas em cada uma das experiências; Pela perceção de competência e expectativa de autoeficácia, que reforçam ou fazem diminuir o interesse por determinada atividade; Pela escolhas e decisões que se tomam em cada fase do percurso escolar por influência dos interesses que se desenvolveram. O papel da orientação escolar e vocacional O processo de orientação escolar e vocacional apoia os jovens na tomada de decisões informadas e conscientes . Baseia-se num trabalho conjunto do psicólogo e de cada jovem que aprofunda o conhecimento de duas grandes áreas: O autoconhecimento do jovem , explorando os seus interesses, aptidões, motivações, valores e outros domínios da personalidade que podem influenciar a tomada de decisão, como seja, por exemplo, o autoconceito ou a capacidade em si mesmo para tomar decisões; O conhecimento do mundo que o rodeia , incluindo: Exploração de percursos formativos; Procura de informação mais vasta acerca das opções que se podem fazer; Pesquisa e melhor conhecimento direto e indireto de profissões, procurando desenvolver uma perspetiva mais realista e informada acerca destas, suas áreas de saber, perfil de funções dos profissionais, contextos laborais, empregabilidade, entre outros aspetos. O processo de orientação escolar e vocacional procura também dotar os jovens de estratégias e competências de tomadas de decisão que possam implementar no futuro, no decorrer do seu percurso escolar e profissional, diminuindo assim a probabilidade de erros de escolha em cada uma das fases particulares de decisão em que se encontrem. 9º ano, 12º ano e sempre que necessário No sistema de ensino português, os dois momentos principais em que os estudantes são convidados a fazer escolhas relativamente ao percurso escolar são: No final do 9º do ensino básico , quando têm de decidir por um dos cursos científico-humanísticos do ensino secundário vocacionados para seguir estudos de nível superior ou por outra via de ensino. Nesta altura, os estudantes têm, na maioria dos casos, 14/15 anos de idade; No final do 12º ano do ensino secundário , quando têm de escolher o curso superior ou uma via profissionalizante que desejam e as melhores alternativas para as suas preferências e qualificações. Têm, na maioria dos casos, 17/18 anos de idade. Os anos escolares correspondentes ao 9º e ao 12º ano são assim os períodos por excelência para se realizarem processos de orientação escolar e vocacional. Contudo, o processo de orientação escolar e vocacional pode também ser realizado em qualquer outro momento do percurso , sempre que surjam dúvidas ao nível do ensino secundário ou mesmo após a sua conclusão. A vida é feita de escolhas, mas há que saber escolher! Autora: Rita Pestana Conheça a equipa de orientação escolar e vocacional na rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.