Autoras : Leonor Rodrigues e Joana Simões (farmacêuticas) Ocorre uma interação medicamentosa quando o efeito de um medicamento é alterado pela presença de outra substância que é administrada simultaneamente ou num curto espaço de tempo. Essa substância pode ser outro medicamento, um suplemento alimentar ou de outro tipo, um produto natural, um chá ou até um alimento ou uma bebida. A alteração que resulta da interação pode traduzir-se no aumento, redução ou modificação do efeito do medicamento. A importância clínica de uma interação medicamentosa é variável: algumas resultam em efeitos sinérgicos e benéficos, outras em efeitos adversos eventualmente graves, outras comprometem um tratamento total ou parcialmente e outras podem até não ter um impacto significativo. As interações medicamentosas ocorrem por duas razões principais: É afetado o percurso do medicamento no organismo , ou seja, há interferência na sua absorção, distribuição, metabolismo ou eliminação. As duas substâncias – o medicamento e a substância que causa a interação – têm efeitos semelhantes ou opostos no organismo . Há também problemas de saúde - principalmente doenças do fígado e dos rins - que afetam o comportamento dos medicamentos no organismo, alterando o efeito esperado, mas neste caso não se trata de uma interação medicamentosa porque não envolve outra substância. Quais são os sintomas de uma interação medicamentosa Os sintomas de uma interação medicamentosa são variáveis e dependem dos medicamentos e substâncias envolvidas e da situação de saúde de cada pessoa. A sua gravidade também é variável. Quaisquer sintomas novos ou não previsíveis depois de iniciar um tratamento devem sempre ser valorizados procurando aconselhamento médico ou farmacêutico. Entre os sintomas mais comuns que podem estar relacionados com interação medicamentosa (dependendo sempre do medicamento e substância em causa) incluem-se: Náuseas e vómitos; Alterações do trânsito intestinal, como diarreia; Tonturas, sensação de desmaio, sonolência, confusão mental; Alterações da frequência respiratória, da pressão arterial e do ritmo cardíaco; Hemorragias anormais. Sempre que não se verifique o efeito esperado de um tratamento no prazo adequado, ou ocorra agravamento ou descompensação de uma doença previamente controlada, devem ser procurados cuidados médicos. Exemplos de interações medicamentosas conhecidas Medicamento - medicamento Antibióticos e contracetivos : alguns antibióticos podem diminuir a eficácia dos contracetivos, aumentando o risco de gravidez não planeada. Anticoagulantes e anti-inflamatórios : alguns anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, podem aumentar o risco de hemorragia quando se tomam anticoagulantes. Antiácidos e antibióticos : alguns antiácidos diminuem a absorção de alguns antibióticos, diminuindo a eficácia do tratamento. Medicamento - suplementos / chás Os suplementos de Erva de São João (hipericão) aceleram o metabolismo hepático, podendo reduzir a eficácia de muitos medicamentos, entre os quais antidepressivos e contracetivos. O chá de valeriana pode potenciar o efeito de ansiolíticos e benzodiazepinas. Os chás de camomila, gengibre e gingko biloba podem aumentar o risco de hemorragia quando tomados com anticoagulantes, anti-agregantes plaquetários e anti-inflamatórios. Medicamento – alimentos / bebidas O sumo de toranja pode aumentar a concentração de alguns medicamentos no sangue (como as estatinas), o que está associado a maior risco de efeitos adversos. As bebidas alcoólicas podem potenciar o efeito sedativo das benzodiazepinas e interferem com muitos outros medicamentos (como a metformina, os opioides, entre outros), chegando a provocar efeitos perigosos. Uma refeição rica em gordura pode aumentar a absorção de alguns medicamentos. Cuidados a ter para reduzir o risco de interações medicamentosas Mantenha uma lista de medicação sempre atualizada e leve-a consigo quando vai ao médico. Além de medicamentos receitados pelo médico, esta lista deve incluir suplementos alimentares, de vitaminas e minerais, produtos naturais, medicamentos homeopáticos, medicamentos não sujeitos a receita médica, chás tomados regularmente. Informe sempre o seu médico e farmacêutico sobre quaisquer suplementos ou chás que toma regularmente. Não assuma que são inofensivos por serem produtos naturais. Evite consumir grandes quantidades do mesmo chá , prefira variar e consumir com moderação. Siga as orientações dadas pelos profissionais de saúde que o acompanham. Não altere doses e/ou frequência ou horário da toma dos medicamentos que lhe são prescritos. Esclareça com o médico ou com o farmacêutico como deve tomar um medicamento em relação às refeições , por exemplo se deve ser tomado em jejum, durante ou após uma refeição. Não interrompa tratamento por suspeitar de uma interação medicamentosa sem antes consultar o seu médico ou um farmacêutico. Não se automedique , mesmo com medicamentos de venda livre, especialmente se faz toma outros medicamentos regularmente. Pode sempre procurar esclarecimento junto de um farmacêutico ou do seu médico. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.