Crianças que ressonam de vez em quando, que têm o nariz entupido ou que parece, de vez em quando, que não ouvem bem são situações comuns na infância. Na maioria dos casos, não têm qualquer problema associado, são transitórias e resolvem-se por si. Mas nem sempre estes sinais devem ser ignorados, pode não ser apenas uma fase. O que é que deve ser valorizado? Quando os sinais são persistentes, não surgem isolados ou parece que as crianças andam sempre doentes é preciso estar atento. Nestes casos, procurar cuidados médicos traduz-se, quase sempre, em poder intervir rapidamente e de uma forma simples e eficaz. Mantenha-se atento e valorize os seguintes sinais : Ressonar frequente; Sono agitado ou pausas respiratórias durante o sono; Nariz sempre entupido ou sempre a pingar; Respiração habitual pela boca; Infeções repetidas dos ouvidos ou garganta; Sinais de audição diminuída; Alterações na fala ou aprendizagem. Estes sinais raramente surgem isolados e devem ser avaliados de forma integrada. Quais são as causa mais comuns? O aumento das amígdalas e adenoides é frequente nas crianças e pode dificultar a passagem do ar durante o sono, resultando em ressonar, sono agitado ou pausas respiratórias (apneia) durante o sono. A criança pode dormir mal, ficar mais irritável ou ter dificuldades de concentração. Associada a este quadro surge frequentemente congestão nasal persistente e rinorreia crónica, sintomas que fazem com que a criança respire habitualmente pela boca. Quando esta adaptação é mantida ao longo do tempo pode não ser inócua. A respiração sistemática pela boca pode influenciar o desenvolvimento das estruturas da face e da boca, com impacto na posição da língua, no palato, no alinhamento dentário e nos músculos faciais. Em casos mais prolongados e completos, pode contribuir para alterações do crescimento orofacial. A presença de líquido no ouvido médio (otite seromucosa) pode surgir sem dor ou febre e interferir subtilmente com a audição. A criança pede para repetir, parece distraída, aumenta o volume da televisão ou apresenta atraso na linguagem. As otites e amigdalites recorrentes fazem frequentemente parte deste mesmo quadro. É um ciclo de inflamação que afeta, em simultâneo, a respiração, o sono e a audição. Todas estas situações beneficiam de uma avaliação precoce. Como é feita a avaliação? A observação e avaliação deste tipo de sinais e sintomas é feita por médicos otorrinolaringologistas , é simples e adaptada às crianças. Permite observar as amígdalas e adenoides, identificar congestão nasal e obstrução das vias aéreas, detetar líquido no ouvido, testar a audição de forma adequada à idade e, em casos selecionados, estudar o sono. Quando é diagnosticado algum problema, qual é o tratamento? A abordagem inicial é conservadora e inclui medidas simples, por exemplo: Higiene e lavagem nasal; Terapêutica dirigida à inflamação das vias aéreas superiores; Acompanhamento da audição. Muitas crianças melhoram significativamente com estas medidas. Quando os sintomas persistem, pode ser necessário recorrer a intervenções adicionais , sempre planeadas de acordo com as particularidades de cada criança. Lembre-se que: Nem tudo o que é frequente na infância deve ser considerado normal. Respirar bem, dormir bem e ouvir bem são pilares fundamentais para um crescimento e desenvolvimento saudável . Estar atento e reconhecer sinais atempadamente permite intervir rapidamente, fazendo muitas vezes a diferença no conforto, no crescimento e na qualidade de vida. Autor : André de Sousa Machado (otorrinolaringologia) Conheça a equipa clínica de otorrinolaringologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.