Nota: Este é o primeiro artigo de uma série de três sobre a Covid-19, os seus efeitos e a vacinação nas crianças e adolescentes. Leia também: Vacinar os adolescentes contra a Covid-19 Vacinar as crianças contra a Covid-19 São sete os vírus do grupo coronavírus que se conhecem como infetando o homem. E todos têm origem animal. Cinco deles estagiaram em aves (morcegos, sobretudo), adaptando-se e sofrendo mutações, até conseguirem saltar a barreira da espécie, infetando o homem e causando-lhe doença, na maioria dos casos após utilizarem um hospedeiro intermediário. Os coronavírus são conhecidos em pediatria desde a década de 60 do século XX , sendo que dos sete coronavírus identificados como infetando a espécie humana, quatro não têm uma expressão relevante em termos de doença, causando quadros respiratórios benignos como a rinofaringite ou a bronquiolite. Os coronavírus mais preocupantes, antes da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2: No início de 2000 , surgiram na China os primeiros casos na espécie humana de um novo coronavírus, o SARS-CoV-1 (que causa a síndrome respiratória aguda grave 1). Veio de um morcego, passou para um mamífero e acabou por infetar o homem. Em pediatria, estão muito poucos casos descritos desta doença : Apenas 41 do total de cerca de 8 mil casos ocorridos; Desses 41 casos pediátricos de SARS-CoV1, 26 revelaram-se assintomáticos e não se registou nenhuma morte. Em 2012 , surgiram na Arábia Saudita casos de infeção por um outro coronavírus, o MERS-CoV (que causa a síndrome respiratória do Médio Oriente), igualmente com sintomatologia associada a infeção respiratória grave. Em pediatria, há apenas 38 casos descritos : Destes 38, alguns deles assintomáticos, outros com manifestação clínica ligeira; Registaram-se duas mortes. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde , a pandemia por SARS-CoV-2 já provocou em todo o Mundo, desde o início de 2020 até início de dezembro de 2021 : Mais de 265 milhões de infetados , dos quais cerca de 7,6 milhões são crianças até aos 14 anos; E mais de 5,2 milhões de mortos , dos quais 3 mil são crianças até aos 14 anos. Neste momento, para combater a pandemia por SARS-CoV2, além de todas as medidas não farmacológicas que hoje sabemos serem eficazes e dos medicamentos que têm vindo a ser descobertos como tendo maior ou menor eficácia no tratamento da doença grave, existem vacinas que se têm revelado eficazes na proteção contra a COVID-19 na sua forma mais grave , evitando o elevado número de mortes que a doença ainda provoca entre não vacinados . Desde 9 de novembro de 2020, quando a Pfizer anunciou que tinha uma vacina eficaz, até hoje: Há mais de 300 laboratórios com vacinas candidatas a aprovação pelas autoridades de saúde internacionais; Há 154 vacinas em fase de desenvolvimento clínico; E, para já, há oito vacinas aprovadas pela Organização Mundial de Saúde. Há ainda outras 24 vacinas aprovadas em diferentes partes do Mundo, que são usadas localmente (Cuba, Cazaquistão, China e Rússia, entre outros países). Os efeitos da COVID-19 na idade pediátrica As crianças também são atingidas pela COVID-19. Nos EUA, por exemplo: A proporção de crianças infetadas pelo SARS-CoV2 é igual à proporção de crianças no total da população. No entanto, a letalidade desta doença é quase inexistente nestes grupos etários. A proporção de mortes por COVID-19 em crianças é substancial inferior, relativamente ao que representa esta faixa etária no total de população nos EUA. Em Portugal, recentemente verificou-se um aumento do número de casos entre as crianças, o que resulta diretamente do facto de uma grande percentagem das crianças não estarem vacinadas. Até agosto de 2021, 144 mil crianças testaram positivo à COVID-19 , numa população de um pouco mais de um milhão de portugueses infetados desde o início da pandemia. Ou seja, cerca de 10% do total dos portugueses que tiveram COVID-19 são crianças . Apesar da benignidade da doença COVID-19 em pediatria, houve mais de 500 crianças internadas por esta doença em Lisboa , seja por pneumonia atribuída à COVID-19, por síndrome inflamatória multissistémica pediátrica (MIS-C) temporariamente associada ao SARS-CoV-2 ou por uma ou várias outras causas. Artigo escrito, entre outras fontes, a partir das apresentações feitas durante o Congresso de Pediatria do Hospital da Luz - «Pediatria: Quo Vadis?», realizado a 26 e 27 novembro de 2021, no Hospital da Luz Lisboa. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.