Autora: Miriam Capoulas (Farmacêutica) Desde o seu desenvolvimento até serem comercializados, todos os medicamentos são sujeitos a uma avaliação detalhada que abrange múltiplos aspetos, incluindo a sua segurança. Neste caso, o objetivo é assegurar que quando um medicamento é usado dentro do seu prazo de validade, na população-alvo prevista, nas indicações propostas, pela via de administração adequada e na posologia correta (dose e intervalo entre administrações) não provoca reações adversas (ou efeitos indesejáveis ou efeitos secundários), ou seja, respostas que não é suposto ou desejável que aconteça. Para a maioria dos medicamentos há efeitos secundários que são identificados nos ensaios clínicos de segurança e, ainda assim, os medicamentos são comercializados. Isto acontece quando se trata de efeitos secundários pouco importantes e pouco frequentes e cuja eventual ocorrência é largamente ultrapassada pelos benefícios conseguidos com o medicamento. Nestes casos, esses efeitos secundários conhecidos constam no folheto informativo que acompanha o medicamento e que devemos ler antes de o tomar. Ainda assim, os ensaios clínicos de segurança prévios à autorização de introdução no mercado, por mais prolongados e abrangentes que sejam, são sempre limitados, particularmente em relação a possíveis efeitos que sejam mais raros e/ou que apenas se manifestem a longo prazo. Por isso, também é importante compilar dados sobre eventuais reações adversas a um medicamento depois de ser comercializado. A sua avaliação contribuirá para consolidar a informação sobre os benefícios e riscos da utilização de um medicamento. Vigiar a segurança dos medicamentos Vigiar a segurança depois da comercialização é, resumidamente, a função dos sistemas de farmacovigilância. Em Portugal, o Sistema Nacional de Farmacovigilância, que depende da Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED), é a entidade responsável pela monitorização dos medicamentos que têm autorização de comercialização no mercado nacional e recolhe, centraliza, organiza e avalia a informação proveniente de notificações de reações adversas a medicamentos. Como se notificam reações adversas a medicamentos (RAM) A notificação de reações adversas a medicamentos ao Sistema Nacional de Farmacovigilância é feita principalmente por profissionais de saúde: médicos, farmacêuticos, enfermeiros, entre outros. No entanto, também pode ser feita diretamente por todos os cidadãos que suspeitem de uma reação adversa em si ou em alguém de quem cuidem, comunicando: Idade e sexo da pessoa afetada; Descrição da reação adversa; Nome do medicamento e número do lote; Dose do medicamento e nomes e doses de outros medicamentos que também toma. Esta contribuição valiosa e frequentemente desconhecida de notificação de reações adversas pode ser feita: No Portal de Notificação de Reações Adversas a Medicamentos ; Por email, em papel ou por via telefónica. Notificar reações adversas, seja diretamente ou através de um profissional de saúde, faz parte das nossas responsabilidades. Protege a nossa saúde e contribui para melhorar a segurança e a eficácia dos medicamentos para todos. É simples e ajuda a garantir que os medicamentos são uma parte segura e eficaz dos cuidados de saúde. Use os medicamentos de forma responsável Leia o folheto informativo dos medicamentos antes de os tomar ou dar a tomar a alguém de quem cuide; Não desvalorize sintomas invulgares ou imprevisíveis depois de tomar um medicamento; Documente eventuais reações adversas: descreva-as por escrito, tire fotografias, registe o dia e hora; Contacte um profissional de saúde e dê-lhe toda a informação para que este notifique o efeito adverso, ou faça a notificação diretamente através de uma das formas previstas. Atenção A notificação de reações adversas pelos cidadãos ao Sistema Nacional de Farmacovigilância não substitui o contacto com um profissional de saúde , sendo o seu médico, a pessoa mais adequada para ajustar a dose, substituir o medicamento ou prescrever medicamentos para tratar os efeitos secundários. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.