Na área desportiva, o resultado de um consumo insuficiente de calorias e/ou de um gasto de energia excessivo, que se traduz num balanço energético negativo, define-se como défice energético relativo no desporto ou RED-S (do inglês) e é uma síndrome que esgota os atletas. O desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético pode ter várias origens, por exemplo: A preocupação excessiva com a estética ou determinado biótipo; Perturbações alimentares; Na área do desporto acrescentam-se a grande pressão por resultados e a gestão incorreta de treino como causas importantes. Em qualquer pessoa, as consequências possíveis de uma disponibilidade de energia insuficiente são multissistémicas e podem levar a múltiplas alterações, incluindo: Metabólicas; Gastrointestinais; Saúde óssea; Cardiovasculares; Endócrinas, incluindo do ciclo menstrual nas mulheres; Imunitárias; Hematológicas; Síntese proteica. Além destas múltiplas alterações físicas, o défice energético tem também um impacto importante na saúde psicológica . Relative energy deficiency in sports – REDS-S O Comité Olímpico Internacional definiu o conceito de RED-S ( relative energy deficiency in sports ) como uma inadequação de disponibilidade de energia para fazer face às necessidades do organismo e da prática desportiva, com consequências na performance ou desempenho . A prevalência do RED-S pode ser significativa: Atingindo até 50% da população de atletas; Em determinadas modalidades desportivas, como aquelas com ênfase na estética, endurance ou com categorias de peso, pode chegar a 78%. O desequilíbrio pode ou não ser intencional. O que é preciso saber é que tem de haver um equilíbrio entre a energia despendida e consumo energético. Quando há um gasto maior de energia e, portanto, maiores necessidades, é preciso compensá-las para o organismo não entrar em défice, com risco de múltiplos prejuízos. Atletas que sofrem de baixa disponibilidade energética a longo prazo podem desenvolver problemas de saúde como : Deficiências nutricionais (que levam por exemplo a anemia, deficiência de ferro, osteopenia, osteoporose); Fadiga crónica; Alterações do padrão de sono; Maior risco de lesões; Aumento do risco de infeções e outras doenças; Alterações hormonais nomeadamente, nas mulheres, amenorreia (ausência de menstruação) ou ausência de menarca (primeira menstruação). Além da saúde, também o desempenho desportivo será prejudicado . O RED-S pode afetar atletas amadores ou de alto rendimento, do género feminino ou masculino. É fundamental desfazer conceitos que poucas calorias podem trazer melhor performance porque o défice energético tem consequências na saúde física e mental e prejudica o desempenho dos atletas . Lembre-se sempre Comprometer a saúde em nome do desempenho desportivo não é uma abordagem sustentável e pode ter consequências graves. É importante que atletas, treinadores e equipas médicas trabalhem juntos para garantir que os primeiros alcancem os seus objetivos desportivos de uma forma segura e saudável . Autora : Beatriz Cardoso Conheça a equipa clínica de medicina desportiva da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.