Muitas perturbações da área de neurodesenvolvimento podem interferir com a forma como as crianças desenvolvem as suas competências para comunicar através da fala. Há também crianças que não chegam a falar ou que o fazem com limitações. Apoiar as crianças com estas dificuldades para garantir a sua inclusão e participação social é uma das competências dos terapeutas da fala. Estes profissionais trabalham com as crianças e com as suas famílias, para que através de meios alternativos à fala seja possível para as crianças estabelecer uma forma de comunicação eficaz. Os terapeutas da fala são, na maioria das vezes, o ponto de partida para a introdução de sistemas de comunicação e é através destes que as famílias ficam a conhecer os diferentes tipos de sistemas e as suas funções. O objetivo é reduzir a frustração e alterações comportamentais que possam ser desencadeadas pelo facto de as crianças não serem compreendidas pelas pessoas com quem querem comunicar. Tecnologias de apoio à comunicação Os sistemas aumentativos e alternativos de comunicação (SAAC) são um conjunto de instrumentos e estratégias que ajudam a tornar a comunicação de cada criança (e também adulto) mais eficaz e funcional. Comunicação aumentativa é a que complementa, mas não substitui, outras formas de comunicação; Comunicação alternativa é a que usa métodos, modos ou estratégias para substituir uma forma de comunicação. Há vários tipos de sistemas aumentativos e alternativos de comunicação, e a sua utilização deve ser adaptada a cada criança e necessidade . Podem dividir-se em sistemas de baixa tecnologia e de alta tecnologia. Sistemas de baixa tecnologia Os sistemas de baixa tecnologia podem ser, por exemplo: Quadros, livros ou tabelas de comunicação com símbolos, imagens ou palavras escritas; Cartões com símbolos, imagens ou palavras escritas; Gestos. Estes sistemas não necessitam nem recorrem a dispositivos eletrónicos para a comunicação. São usados com frequência na prática clínica como ferramentas terapêuticas de intervenção, como ponte para a promoção de competências linguísticas nas crianças, entre as quais: Expansão de vocabulário; Organização frásica; Compreensão de instruções; Planeamento de tarefas; Facilitação da interação com os parceiros de comunicação; Regulação emocional ou do comportamento. Sistemas de alta tecnologia Os sistemas de alta tecnologia recorrem a dispositivos eletrónicos ou digitais para facilitar a comunicação. São, por exemplo, tablets com aplicações / software de comunicação (que incluem símbolos, imagens ou palavras escritas), comunicadores por voz ou sistemas controlados pelo olhar. Como se escolhe o sistema de comunicação mais adequado A escolha do sistema de comunicação mais adequado para cada criança é feita pela equipa de profissionais de saúde, pela criança e pela sua família, tendo em consideração as especificidades do seu caso. Para otimizar a funcionalidade dos SAAC, são aspetos fundamentais a considerar: Ter em conta as necessidades da criança nos diferentes contextos; A capacitação dos pais, educadores / professores e outros parceiros de comunicação para o uso do sistema; A facilidade de integração do sistema no dia-a-dia; O reforço positivo das tentativas de interação através do sistema aumentativo e alternativo de comunicação; O tempo dado à criança para se familiarizar e utilizar a nova forma de comunicar; A frequência e o uso do sistema nos vários contextos de vida; Não ter receios sobre a implementação e experimentação do sistema, mesmo quando a criança ainda não adquiriu todas as aprendizagens do mesmo. É importante saber: Os sistemas aumentativos e alternativos de comunicação não atrasam a fala. Pelo contrário, ajudam as crianças a expressar as suas necessidades quando: Ainda não têm vocabulário para o fazer ou não o conseguem produzir; Têm dificuldade em coordenar diferentes competências em simultâneo; Não têm desenvolvidas / integradas estruturas linguísticas suficientes. Autor: Marta Martins e equipa de Terapia da Fala do Centro de Neurodesenvolvimento e Comportamento da Criança e Adolescente Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.