Autora : Joana Simões (farmacêutica) Os inaladores são dispositivos que permitem administrar medicamentos pela boca, direcionando-os diretamente para as vias respiratórias e pulmões , onde se pretende que exerçam a sua ação. Esta ação direta nos locais de atuação tem várias vantagens: Garante uma eficácia terapêutica mais rápida; Permite usar doses menores de medicamento do que outras vias de administração. São fundamentais no tratamento de muitas doenças respiratórias, por exemplo: Asma; Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Principais tipos de inaladores Há três tipos principais de inaladores que diferem principalmente na forma como o medicamento é libertado – aerossol, pó ou névoa – e na necessidade de coordenação entre a libertação da dose e a inspiração. É fundamental aprender corretamente a técnica de utilização do inalador e esclarecer todas as dúvidas com os profissionais de saúde. A eficácia do medicamento depende de uma técnica de utilização correta. Erros comuns incluem inspiração inadequada, falha de coordenação ou ausência de apneia pós-inspiração. Inaladores pressurizados doseáveis ou pMDI (de pressurised metered dose inhalers ) O medicamento é libertado na forma de um aerossol (ou spray); Usam gás propelente que está misturado com o medicamento num recipiente sob pressão; Quando o dispositivo é pressionado, é libertada uma dose de medicamento (um puf ou dose); Exigem coordenação entre a ativação e a inspiração; São muito usados para broncodilatadores e corticosteroides. Inaladores de pó seco ou DPI (de dry powder inhalers ) O medicamento é libertado na forma de um pó seco; Depende de um fluxo inspiratório rápido e vigoroso para que o medicamento seja libertado do seu recipiente; São muito usados para broncodilatadores e corticosteroides; Existem diferentes dispositivos, com mecanismos próprios de preparação da dose e de marcas diferentes (por exemplo, Diskus e Turbohaler ) cujos nomes são usados com frequência para referir os inaladores. Inaladores de névoa fina ou SMI (de soft mist inhalers ) O medicamento é libertado na forma de uma névoa fina que se forma lentamente e é fácil de inalar; Não dependem tanto da força de inspiração e, por isso, são mais indicados para doentes com menor capacidade inspiratória ou com mais dificuldade em coordenar o disparo da dose com a inspiração; Respimat é um exemplo deste tipo de inalador, é uma marca cujo nome, por vezes, é usado para referir os inaladores de névoa fina. Conservação dos inaladores Os inaladores devem ser armazenados à temperatura ambiente (entre 15ºC-25°C), longe de fontes de calor ou luz direta. Não devem estar expostos a humidade, principalmente os inaladores de pó seco (DPI), pelo que não devem ser deixados ou guardados na casa de banho ou na cozinha, que são as zonas mais húmidas de uma casa. Devem ser protegidos do frio extremo porque as temperaturas muito baixas podem alterar a libertação da dose, o que acontece principalmente nos inaladores pressurizados doseáveis (pMDI). Devem ser protegidos de choques mecânicos, por exemplo evitando quedas que possam danificar o dispositivo e interferir com o mecanismo de libertação do medicamento . Devem ser mantidos bem limpos, mas sem contactar com água, seguindo sempre as instruções do folheto informativo respetivo e as indicações que são dadas pelos profissionais de saúde. Impacto ambiental e cuidados no uso e eliminação de inaladores Os cuidados de saúde também podem contribuir para a emissão de gases com efeito de estufa e os inaladores fazem parte desta realidade. Os inaladores pressurizados doseáveis (pMDI) têm uma maior pegada de carbono devido à presença de gás propelente (hidrofluoroalcanos ou HFA) libertado durante a sua utilização e eliminação. Em comparação, os inaladores de pó seco (DPI) e os inaladores de névoa fina (SMI) têm um impacto ambiental significativamente menor , porque não usam gás propelente no seu funcionamento. A escolha de um inalador é sempre baseada nas necessidades clínicas do doente e individualizada. Nem todos os inaladores são equivalentes e nem todos os doentes conseguem utilizar corretamente todos os inaladores. Por isso, a questão do impacto ambiental nunca deve comprometer a eficácia terapêutica nem a segurança do tratamento . Há boas práticas que os utilizadores de inaladores devem adotar e muitas também são importantes para proteger o ambiente. Seguir corretamente as instruções de utilização do dispositivo específico que se utiliza e que constam do folheto informativo respetivo. Sempre que necessário (ou periodicamente) pedir ao médico ou a um farmacêutico o apoio necessário para rever a técnica de inalação. Evitar a acumulação de dispositivos desnecessários , verificando as doses ainda disponíveis antes de deitar fora o inalador e comprar novas embalagens. Conferir sempre o número de doses restantes de um inalador antes de viajar , garantindo que há medicamento suficiente para toda a viagem. Transportar os inaladores na bagagem de mão, acompanhados da prescrição ou relatório médico para justificar o seu transporte, caso seja necessário. Nunca deitar o inalador no lixo ou em contentores de reciclagem comuns. Entregar os inaladores usados ou fora de prazo nas farmácias , através dos sistemas de recolha adequados, permitindo a correta gestão dos resíduos e a recuperação de materiais. O uso correto de inaladores é essencial para controlar as doenças respiratórias para as quais são indicados, mas também para evitar desperdício e reduzir o impacto ambiental. Fontes British Thoracic Society. Environmental impact of inhalers and sustainability in respiratory care. 2021. Fundación SIGRE. Gestión de envases y residuos de medicamentos. 2023. Sociedad Española de Farmacia Hospitalaria. Inhaladores y salud del planeta. 2022. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.