Nota: Este é o segundo artigo de uma série de três sobre a Covid-19, os seus efeitos e a vacinação nas crianças e adolescentes. Leia também: SARS-CoV-2 e outros coronavírus nas crianças Vacinar as crianças contra a Covid-19 O primeiro estudo sobre vacinação contra a COVID-19 em adolescentes dos 12 aos 15 anos foi publicado em 27 maio de 2021. Apesar de a amostra deste estudo ser de apenas mil pessoas, as conclusões foram consideradas relevantes para as decisões posteriores tomadas em vários países do Mundo: A vacina é imunogénica, ou seja, leva a uma produção substancial de anticorpos protetores; E é altamente efetiva, com uma proteção da doença de 90%-95%. Sendo um estudo feito com uma amostra de apenas mil adolescentes, mantiveram-se algumas reticências relativamente aos seus resultados, especialmente por se saber que os casos de efeitos adversos graves raros normalmente só se detetam na fase quatro dos ensaios clínicos - a fase da comercialização das vacinas, ou seja, da sua generalização na população. Não foi preciso esperar muito tempo para que as dúvidas desaparecessem. Em 16 de julho de 2021, foi publicado um novo artigo sobre este tema , mas já com os resultados da vacinação numa amostra com cerca de 9 milhões de adolescentes entre os 12 e os 17 anos , que, entretanto, tinham sido vacinados com a vacina da Pfizer/Biontech nos EUA. De acordo com este estudo: 1% dos vacinados reportaram efeitos secundários (cerca de 9 mil); 4,3% destes efeitos secundários reportados foram casos de miocardite, a grande maioria deles de doença ligeira, tratada com terapêutica habitual e sem necessidade de internamento; Apenas 56 dos 9 milhões de adolescentes vacinados, ou seja cerca de 0,0006%, foram hospitalizados por efeitos secundários da vacina. O estudo conclui que a vacina é segura, que todos os efeitos secundários, com exceção da miocardite, são perfeitamente tolerados pelos vacinados e que, por isso, não há problemas na utilização da vacina. De acordo ainda com as conclusões do estudo, por cada milhão de doses administradas aos adolescentes, evitam-se: Cerca de 5700 casos de doença COVID-19; Cerca de 200 hospitalizações; 70 internamentos nos cuidados intensivos; Duas mortes. São ainda expetáveis que ocorram entre 50 e 70 casos de miocardite, na maioria fáceis de tratar e sem necessidade de internamento. A vacinação dos adolescentes generalizou-se, entretanto, em muitos países da Europa. Em Portugal, a Direção Geral da Saúde recomendou a vacinação de adolescentes a partir dos 12 em agosto de 2021 . Artigo escrito, entre outras fontes, a partir das apresentações feitas durante o Congresso de Pediatria do Hospital da Luz - «Pediatria: Quo Vadis?», realizado a 26 e 27 novembro de 2021, no Hospital da Luz Lisboa. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.