Nota: Este é o terceiro artigo de uma série de três sobre a Covid-19, os seus efeitos e a vacinação nas crianças e adolescentes. Leia também: SARS-CoV-2 e outros coronavírus nas crianças Vacinar os adolescentes contra a Covid-19 A 9 novembro de 2021, foi publicado um estudo, com uma amostra de mais de mil crianças entre os 5 e os 11 anos de idade , vacinadas contra a COVID-19. Este estudo indica que se verificou a mesma imunogenicidade e a mesma efetividade encontrada nos resultados da vacinação dos adolescentes . Isto é: A vacina é segura e todos os efeitos secundários são perfeitamente tolerados pelos vacinados, pelo que não há problemas na sua utilização. O facto de se tratar ainda de uma amostra relativamente pequena colocou as mesmas dúvidas aos especialistas: os casos de efeitos adversos graves raros normalmente só se detetam na fase 4 dos ensaios clínicos, ou seja, na fase da comercialização das vacinas, quando a sua utilização está generalizada na população. No entanto, sabe-se que, até ao momento, já foram vacinadas cerca de três milhões de crianças norte-americanas , pelo que em breve será possível aceder a informações ainda mais fiáveis sobre a segurança desta vacinação nas crianças. Vários países já iniciaram a vacinação de crianças dos 5 aos 11 anos: Na Europa, a Áustria foi o primeiro país a fazê-lo - isto sem esperar, na altura, pela decisão da Agência Europeia do Medicamento (EMA), a autoridade europeia responsável, de aprovação da vacina. Quer a França, quer a Alemanha preparam-se também para dar o mesmo passo. No resto do Mundo, já o estão a fazer os EUA, o Canadá, a Argentina, a China, alguns países da península arábica, entre muitos outros. A 23 de novembro de 2021, a Sociedade Portuguesa de Pediatria fez um comunicado onde afirma que: Nas crianças, a COVID-19 é habitualmente uma doença assintomática ou ligeira e, felizmente, continuam a ser raros os casos graves que obrigam a internamento ou a admissão em unidades de cuidados intensivos, ocorrendo estes maioritariamente em crianças com fatores de risco. Contudo, as crianças têm sido fortemente prejudicadas na pandemia devido aos confinamentos sucessivos que afetam seriamente a sua aprendizagem e saúde mental e aumentam o risco de pobreza e de maus-tratos ; As vacinas contra a COVID-19 são seguras e eficazes , protegem contra doença grave e reduzem a transmissão da infeção, embora não a impeçam por completo; A vacinação contra o SARS-CoV-2 foi avaliada num ensaio clínico em crianças dos 5 aos 11 anos de idade, no qual foram vacinadas 1517 crianças. Os resultados mostraram que é segura e eficaz contra a COVID-19, tal como noutros grupos etários, pelo que foi já aprovado o seu uso pela Food and Drug Administration (FDA) americana e se aguarda aprovação pela EMA. Como muitos adultos agora estão protegidos pela vacinação, é natural que a proporção de novos testes positivos encontrados em crianças seja maior do que antes, especialmente com a testagem intensiva das crianças a frequentar as escolas. Assim, e provada a segurança e eficácia da vacina, poderá ser considerada a sua aplicação neste grupo etário, se isso permitir trazer normalidade à vida das crianças . A 24 de novembro de 2021, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um comunicado dizendo também que a vacina é segura, mas deixando para cada país a decisão de vacinar ou não a sua população infantil. A OMS não fez uma recomendação de vacinação, limitou-se a afirmar que a vacina é segura e efetiva. Em Portugal, a 7 de dezembro de 2021, a Direção Geral da Saúde (DGS) recomendou a vacinação de todas as crianças entre os 5 e os 11 anos, sendo prioritárias as crianças com doenças consideradas de risco para Covid-19 grave. A vacina utilizada nesta faixa etária em Portugal é a da Pfizer/BioNTech, a única que já tem luz verde da Agência Europeia do Medicamento. Muitos especialistas têm defendido a necessidade de ‘olhar a criança como um todo’, quando se pondera vacinar ou não as crianças contra a COVID-19. Nesta análise e no debate público que foi feito em torno destas vacinas, temos estado concentrados na questão da prevenção da doença grave, do internamento, do internamento em cuidados intensivos e da morte. Mas na ponderação sobre a vacinação das crianças, a questão da doença grave é apenas uma parte pequena do impacto que a COVID-19 tem nas suas vidas, têm dito muitos especialistas. Nessa medida, pode considerar-se que as vacinas não se justificam apenas por terem um interesse direto na saúde dos vacinados . No caso das crianças , o peso dos interesses indiretos é maior , na medida em que a vacinação mantém as crianças na escola, contribui para a saúde mental das crianças, tão afetada em tempos de pandemia, e permite manter as suas famílias livres de doença grave COVID-19, o que é, naturalmente, também muito importante para as crianças. O que esperar da generalização da vacinação? Com mais de 85% da população vacinada acima dos 12 anos, alguns países revelam que: Desde janeiro de 2021, apenas 0,8% das pessoas vacinadas com as duas doses ficaram doentes , ou seja, menos de 1% dos vacinados ficaram doentes; Cerca de 80% dos casos de internamento são de não vacinados e 67% das mortes também acontecem entre os não vacinados . A Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, em cujo parecer se apoiou a Direção Geral de Saúde para tomar a decisão de recomendar a vacinação das crianças entre os 5 e os 11 anos de idade , indica que esta pode evitar , nos próximos quatro meses e nesta faixa etária : Mais de 13 500 casos de Covid-19; 50 internamentos em enfermaria; E cinco hospitalizações em unidades de cuidados intensivos. Artigo escrito, entre outras fontes, a partir das apresentações feitas durante o Congresso de Pediatria do Hospital da Luz - «Pediatria: Quo Vadis?» -, realizado a 26 e 27 novembro, no Hospital da Luz Lisboa. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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