A vigilância da saúde da mulher contempla o acompanhamento regular nas diferentes fases da vida, desde a menarca (primeira menstruação), passando pela idade fértil, gravidez, perimenopausa, menopausa (última menstruação) e pós-menopausa . O objetivo? Promover a saúde e um estilo de vida saudável; Prevenir doenças; Realizar rastreios que permitem detetar precocemente patologias frequentes na mulher. Esta vigilância deve ser adaptada à idade, aos fatores de risco individuais e à história clínica de cada mulher. Adolescência e início da vida reprodutiva Já antes da menarca, é importante ir falando sobre menstruação! A idade média da menarca tem vindo a diminuir. Atualmente é entre os 12 e os 13 anos. Falar precocemente sobre menstruação, explicar o ciclo menstrual e o que esperar nos primeiros anos após o início da menstruação, vai permitir que a higiene menstrual seja abordada de forma mais natural e descomplicada . É também nesta altura que devem ser abordados temas como: Saúde sexual e reprodutiva ; Contraceção ; Prevenção de infeções sexualmente transmissíveis . O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomenda que a primeira consulta de ginecologia de rotina seja realizada entre os 13 e os 15 anos. Além da idade, o surgimento de dúvidas ou sintomas, como por exemplo dor menstrual intensa, menstruações abundantes ou ciclos muito irregulares, entre outros, são também motivos de consulta. No período da adolescência e início da vida reprodutiva é de realçar também a importância do rastreio das infeções sexualmente transmissíveis, recomendado até aos 25 anos, ou depois desta idade, se existirem fatores de risco. A vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) é uma medida fundamental de prevenção do cancro do colo do útero, vulva, vagina, ânus e orofaringe. Esta vacina faz parte do Programa Nacional de Vacinação , para raparigas e rapazes, aos 10 anos de idade. Idade reprodutiva Durante a idade reprodutiva, a vigilância ginecológica regular permite: Acompanhar a saúde menstrual ; Discutir métodos contracetivos ; Abordar questões relacionadas com fertilidade ou planeamento para a família . Ao longo da idade reprodutiva é feito também o rastreio do cancro do colo do útero, através de citologia cervical ou teste para HPV. A periodicidade depende do método utilizado e dos resultados prévios. Também pode ser indicado o rastreio de infeções sexualmente transmissíveis, sobretudo se existem fatores de risco. O rastreio do cancro mama pode também ser iniciado entre os 40 e os 45 anos, dependendo da história pessoal e familiar e das recomendações das sociedades internacionais que sejam seguidas. Perimenopausa Por volta dos 40 anos podem surgir alterações do ciclo menstrual associadas à fase de transição que é a perimenopausa. Nesta fase é importante avaliar, entre muitos outros sintomas: Irregularidade menstrual ; Hemorragias anormais ; Sintomas vasomotores ; Alterações do sono ou da mem ória. Simultaneamente, começam a ganhar maior relevância os rastreios de doenças crónicas e oncológicas mais prevalentes na mulher. O rastreio do cancro da mama através de mamografia, tomossíntese e ecografia mamária. Avaliação do risco cardiovascular e metabólico, uma vez que a doença cardiovascular continua a ser a principal causa de morbilidade e mortalidade. Adoção de bons hábitos e estilo de vida, com realização de exercício físico com carga, higiene do sono, redução do stress e alimentação saudável e equilibrada, são bases que devem sempre ser tidas em conta e priorizadas. Menopausa e pós-menopausa Após a menopausa, a vigilância médica continua a desempenhar um papel importante. Nesta altura tornam-se mais importantes: Sintomas geniturinários da menopausa ; Alterações da função sexual ; Problemas relacionados com o pavimento pélvico , como a incontinência urinária ou o prolapso dos órgãos pélvicos; Saúde óssea , com avaliação do risco de osteoporose. O rastreio do cancro do colo do útero para a população de baixo risco deve ser realizado até aos 69 anos. Uma abordagem centrada na mulher Mais do que um conjunto rígido de exames, a vigilância da saúde da mulher deve ser entendida como um acompanhamento contínuo ao longo da vida . Cada consulta constitui uma oportunidade para abordar não apenas questões ginecológicas, mas também aspetos relacionados com o estilo de vida, saúde mental, sexualidade e bem-estar global . Uma abordagem individualizada e centrada na mulher permite adaptar os rastreios e intervenções às necessidades específicas de cada fase da vida, contribuindo para uma melhor qualidade de vida e envelhecimento saudável com foco na prevenção, deteção precoce de doença e promoção da saúde. A periodicidade e os exames variam conforme a idade, fatores de risco e história pessoal e familiar. Autora : Patrícia Isidro Amaral (ginecologia-obstetrícia) Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.