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Pele do recém-nascido: saiba identificar algumas situações

A pele do recém-nascido é diferente da do adulto. É mais fina, sensível e frágil. A barreira cutânea é imatura, em especial na primeira quinzena de vida.

O pH da pele dos adultos é menor que 5, ou seja, ácido. Ao invés, a pele de um bebé tem um pH perto de um valor neutro (pH = 7) e tem também menor espessura e menor quantidade de lípidos o que leva, entre outros aspetos, a apresentar menor capacidade de defesa contra a proliferação bacteriana e a desidratação.

São estas algumas das características que tornam a pele dos recém-nascidos tão especial.

Vamos perceber o que significam algumas situações que podem ocorrer na pele (“manchas”) dos bebés, mas que são benignas e transitórias.

  • Mília (“pontinhos brancos no nariz”): surge em cerca de 30-50% dos bebés. São pequenos quistos epiteliais de queratina ou lípidos. Resultam da estimulação hormonal materna e desaparecem espontaneamente nos primeiros dias.
  • Eritema tóxico: pequenas vesículas que aparecem em mais de 90% dos recém-nascidos nas primeiras 48 horas de vida. Resulta de um fenómeno de adaptação da pele à vida extra-uterina. Apesar de, por vezes, assumir um aspecto bastante exuberante, não é infeccioso.
  • Angiomas: são muito frequentes e assumem uma tonalidade rósea ou avermelhada. Resultam da proliferação de vasos sanguíneos na camada superficial da pele, habitualmente na nuca, pálpebras e glabela (espaço entre as sobrancelhas). Vão-se tornando mais ténues com o crescimento, acabando por se confundir com a pele circundante.
  • Mancha mongólica: mancha azulada localizada tipicamente na região lombar e nas nádegas. Resulta do aumento de melanócitos produtores de pigmento azul. Desaparece habitualmente nos primeiros anos de vida.
  • Crosta láctea/dermatite seborreica: surge como crostas, escamas amarelas que aparecem na cabeça (e por vezes sobrancelhas) e que podem persistir até aos dois anos de idade. Trata-se de uma situação benigna, havendo alguns produtos no mercado para tratamento. Na maioria das vezes, em situações ligeiras, resolve-se com a aplicação de óleo mineral (amêndoas doces) colocado na cabeça do bebé, depois de humedecida.
  • Quistos benignos (“medranças”):trata-se de pequenos quistos, de aparência avermelhada e rugosa, habitualmente na face ou pescoço, que surgem no primeiro mês de vida. Não há tratamento específico, desaparecendo espontaneamente com a maturação da pele nos meses seguintes. Aconselha-se apenas limpeza e um creme emoliente neutro e sem perfume.

De referir ainda que o banho do bebé deve ser de curta duração. Pode ser dado em dias alternados e a temperatura da água deve estar próxima da corporal (36-37,5°C).

O creme ou gel de limpeza deve ser líquido, suave, sem sabão ou perfume, com pH neutro (ou mais próximo possível).

 

Alexandra Pinto
Médica Pediatra
Hospital da Luz Guimarães

 

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