‘A enxaqueca é uma doença muito penalizadora e mal compreendida’

«A enxaqueca é uma doença muito penalizadora para a vida das pessoas e ainda muito mal compreendida pela sociedade», salientou Raquel Gil-Gouveia, coordenadora do Centro de Cefaleias do Hospital da Luz Lisboa, na ‘Edição da Manhã’ da SIC, do passado dia 9 de julho. A médica neurologista foi convidada pelo programa para comentar as conclusões preliminares de um inquérito divulgado nesse dia, que indica que 60% das pessoas com enxaqueca grave faltam uma semana por mês ao trabalho.

Trata-se de um estudo que abrangeu 11 mil pessoas num total de 31 países, incluindo Portugal. «Os inquiridos neste estudo são doentes com alto impacto da doença e que já fizeram medicação para diminuir a frequência das crises de enxaqueca», explicou Raquel Gil-Gouveia. Lembrou ainda que a doença se caracteriza pela recorrência das crises – com dores de cabeça intensas e outros sintomas associados, como vómitos, falta de concentração, limitação do raciocínio e «sensação de que a cabeça vai explodir» –, que faz com que os doentes fiquem muito limitados na sua vida diária e daí as faltas ao trabalho. «Outros estudos indicam que a taxa de desemprego é maior nestas pessoas, que registam também mais divórcios», acrescentou.

Estão identificadas duas causas principais da enxaqueca: genética (quem tem familiares com a doença tem maior probabilidade de a ter também) e hormonal (o que faz com que a doença afete mais as mulheres do que os homens). «É uma doença para a vida, que não tem cura, mas tem tratamento, com o qual é possível diminuir a intensidade e a periodicidade das crises», salientou Raquel Gil-Gouveia.

A participação no programa pode ser vista aqui.