‘Portugal pode dar cartas na investigação clínica’

Portugal pode dar cartas na investigação clínica

Portugal tem de «juntar forças» para conseguir trazer para o país os maiores investimentos em investigação clínica. Se o fizer, «pode dar cartas» nesta área, defendeu Isabel Vaz durante um debate na SIC Notícias promovido no âmbito da entrega dos prémios do Programa Génese, da farmacêutica Gilead, para projetos de apoio social e trabalho científico.

A CEO da Luz Saúde foi convidada a discutir o impacto da investigação clínica na melhoria dos cuidados de saúde da população, num painel que juntou ainda Álvaro Almeida (economista, especialista em saúde e membro do Conselho Estratégico Nacional do PSD), Laranja Pontes (presidente do conselho de administração do IPO Porto), Miguel Guimarães (bastonário dos médicos) e Luís Costa (diretor do centro de oncologia do Hospital de Santa Maria).

Isabel Vaz começou por desfazer a ideia de que a investigação é incompatível com as regras do setor privado: «Pelo contrário, para evoluir e poder estar na excelência de cuidados, um hospital precisa de atrair os melhores recursos humanos e, para isso, fazer investigação clínica». Atualmente, recordou, as maiores fontes de investimento em saúde são privadas, «como farmacêuticas, indústria de big data e data science e até seguradoras», bem como programas como o Portugal 2020. Ora, «os hospitais podem ter aqui uma oportunidade de aumentarem a sua faturação e reterem os melhores profissionais», pois muita da investigação que se faz hoje visa encontrar «os melhores itinerários clínicos» que trazem valor para os doentes. «Nós, prestadores de cuidados, públicos e privados, temos os doentes e seguimos os doentes. Portanto, nós é que podemos dar os dados do sucesso ou insucesso das terapêuticas. Sem hospitais não há big data, nem data science, nem investigação», explicou.

Por isso, «se juntar forças, Portugal pode dar cartas na investigação clínica», acrescentou. «Na Luz Saúde, temos parcerias com o setor público, no sentido de atrair para Portugal ensaios clínicos muito importantes», exemplificou a CEO da Luz Saúde, que manifestou, porém, preocupação com «a ausência de uma estratégia clara» para a criação de registos nacionais de doenças.

Miguel Guimarães afirmou, por seu turno, que a «fase complicada que o país atravessa em termos financeiros e de investimento no Serviço Nacional de Saúde repercute-se na investigação, que tem sido especialmente penalizada». O exemplo do «medicamento para a hepatite C, fruto de investigação, que permitiu curar mais de 90% dos doentes», o que teve um forte impacto financeiro, serviu ao bastonário para constatar: «A inovação parece cara no início, mas é o que permite depois diminuir custos». Já Luís Costa salientou que «os jovens médicos e mais qualificados sentem-se mais motivados ao poderem fazer investigação»: «Se não tivesse investigação no meu serviço, não conseguia captar estes médicos, o que é fundamental para prestar melhores cuidados de saúde aos doentes. Além disso, a investigação permite acesso a medicamentos que o hospital não paga».

Em cima, na foto, da esquerda para a direita: Álvaro Almeida, Laranja Pontes, Miguel Guimarães, o jornalista Ricardo Costa, Isabel Vaz e Luís Costa.