A propósito da posição da Ordem dos Médicos reproduzida na revista Visão

Na notícia publicada na revista Visão de 15 de Março de 2012, vem a Ordem dos Médicos, através do sr. Bastonário e do Colégio de Especialidade de Imunohemoterapia, levantar suspeitas de que, pelo facto de o Hospital da Luz, entre outros hospitais, fazer um outsourcing do serviço de Imunohemoterapia a uma empresa com fins lucrativos, poderá estar em causa a segurança dos doentes.

Considera ainda o Bastonário da Ordem dos Médicos que, ao haver "um aspecto comercial a interferir", os médicos poderão administrar aos seus doentes mais sangue que o necessário, concluindo que “o lucro põe em causa a qualidade e aumenta os riscos”

Em nome da qualidade do serviço que presta à saúde em Portugal e em nome da idoneidade dos médicos com quem temos a honra de trabalhar, vem a Espírito Santo Saúde repudiar estas afirmações e esclarecer o seguinte:

1. Não há negócio com sangue em Portugal. Como a Ordem dos Médicos bem sabe, as actividades comerciais envolvendo sangue humano estão absolutamente proibidas no nosso país, sendo o sangue utilizado no Hospital da Luz adquirido ao Instituto Português de Sangue nos mesmos termos em que qualquer serviço de saúde – seja público ou privado - o faz, e ao mesmo preço – um preço que, como muito bem explica a revista Visão, é fixado exclusivamente pelo Instituto Português de Sangue.

2. Os serviços contratados à Hemovida pelo Hospital da Luz respeitam exclusivamente à gestão dos stocks institucionais de sangue e seus componentes, ao seu fornecimento aos serviços requisitantes e ao acompanhamento técnico das transfusões prescritas e administradas aos doentes – actividades estas sobre as quais obviamente não existe qualquer lucro nem para a Hemovida nem para o Hospital da Luz associado à aquisição do sangue.

3. Segundo a Ordem dos Médicos, havendo um "aspecto comercial a interferir", os médicos poderão ter a tentação de tomar atitudes que a ética e a deontologia profissionais não permitem, nomeadamente administrar mais unidades de sangue que aquelas de que os doentes necessitam.

4. Não podemos aceitar que o Bastonário da Ordem dos Médicos ponha desta forma em causa a idoneidade profissional da classe médica, levantando inqualificáveis suspeitas sobre a sua determinação em cumprirem as regras deontológicas a que voluntariamente se submetem em todos os actos médicos que praticam.

5. Não podemos, nomeadamente aceitar suspeitas sem qualquer suporte factual, de que as suas decisões técnicas, éticas e deontológicas dos médicos possam ser influenciadas por quaisquer outros critérios que não sejam a legis artis e o Código Deontológico da profissão médica.

6. A Espírito Santo Saúde, enquanto empresa com fins lucrativos, reafirma-se como organização com elevados padrões éticos e com reputação firmada no sector da Saúde em Portugal.

Lamentamos, pois, esta posição da Ordem dos Médicos, a qual não tem qualquer sustentação do ponto de vista legal e é profundamente ofensiva e difamatória desta empresa e dos profissionais médicos que connosco trabalham.

Lisboa, 15 de Março de 2012