Cephalalgia publica estudo da Coordenadora do Centro de Cefaleias

Cephalalgia publica estudo da Coordenadora do Centro de Cefaleias

A Cephalalgia, revista científica da Sociedade Internacional de Cefaleias e publicação de referência mundial nesta área, publica na edição de junho um artigo em que é autora principal Raquel Gil-Gouveia, neurologista e coordenadora do Centro de Cefaleias do Hospital da Luz Lisboa. Este artigo de revisão científica – intitulado (‘Clinical description of attack-related cognitive symptoms in migraine: a systematic review’) – identifica as alterações cognitivas registadas pelos doentes durante as crises de dor de cabeça.

A dor de cabeça é a terceira doença mais frequente no mundo, estimando-se que afete 14,7% da população, sobretudo mulheres. Além dos efeitos físicos (dor, intolerância à luz, náuseas, etc.), provoca alterações cognitivas, como falta de concentração, lentidão no raciocínio e dificuldade em tomar decisões, que podem ser tão incapacitantes como a dor e que têm um impacto muito grande na vida pessoal e profissional. O objetivo deste trabalho, do qual é coautora Isabel Pavão Martins (Departamento de Neurociências e Saúde Mental do Hospital de Santa Maria, em Lisboa), foi determinar que alterações cognitivas sofrem os doentes e quais as que ocorrem em cada fase da crise.

Para isso, as investigadoras reviram 24 artigos relativos a estudos que envolveram um total de 7.007 doentes (82,9% mulheres, as mais afetadas pelas cefaleias), com uma média de idades de 39,2 anos. Falta de concentração e dificuldade de raciocínio foram as alterações cognitivas mais frequentemente descritas pelos doentes na fase inicial e durante a crise de cefaleia. Na fase posterior à crise, a maioria referiu o cansaço, mas em muitos casos também a dificuldade de concentração.