‘Não nos faz bem fingir que a morte não existe’

«Não nos faz nada bem fingir que a morte não existe, não falar dela e ‘varrê-la para debaixo do tapete. Pelo contrário, aceitar e integrar a morte nas nossas vidas faz com que achemos fantásticos os momentos que vivemos e pode trazer-nos mais felicidade», salientou Isabel Galriça Neto durante o programa de Cristina Ferreira na SIC, hoje, dia 30 de janeiro.

A coordenadora da Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos do Hospital da Luz Lisboa participou no programa juntamente com Ana Cláudia Quintana Arantes, a propósito do livro que esta médica brasileira agora lançou em Portugal, intitulado ‘A morte é um dia que vale a pena viver’. Ambas explicaram como «esta é também uma lição» dos profissionais que mais convivem com as pessoas em final de vida e que é descrita no livro.

«Quando se pensa sobre a morte, surge a angústia perante a ideia de que o nosso tempo vai acabar, é o fim, e não sabemos bem o que é prioritário. A maioria das pessoas prende-se ao longo da vida com coisas insignificantes», afirmou Ana Cláudia Quintana Arantes. «A morte é bonita se ela encerrar uma vida intensa e bem vivida, ou seja, se quando se chegar ao seu final pudermos dizer ‘eu gostei de ter vivido, valeu a pena’», acrescentou Isabel Galriça Neto.

Invocando a sua experiência em cuidados continuados e paliativos, a médica do Hospital da Luz, que escreveu o prefácio da edição portuguesa do livro de Ana Cláudia Quintana Arantes, descreveu ainda: «Os últimos tempos de vida (seja dias, meses ou anos) podem ser – e são muitas vezes, com mérito das pessoas que os vivem e das equipas que as acompanham – momentos de uma intensidade e de uma riqueza extremas».

Veja aqui a entrevista de Isabel Galriça Neto no programa de Cristina Ferreira na SIC